Intenção de consumo em Manaus mostra desalento

A confiança do consumidor de Manaus avançou apenas 1,02% entre agosto e setembro, mantendo-se bem abaixo do registro de um ano atrás, segundo a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). A alta local do índice de ICF (Intenção de Consumo das Famílias) superou a média nacional, mas ainda não foi suficiente para tirar a capital amazonense do patamar da insatisfação. Apesar da percepção positiva em relação ao crédito, as incertezas sobre o emprego e o consumo futuro ainda pesam mais. 

O ICF de Manaus subiu para 59,5 pontos, pouco acima das marcas de agosto (ambas em 58,9 pontos) e bem abaixo do patamar registrado em setembro de 2019 (100,1). Pela quinta vez seguida, o número se situou na zona de insatisfação (até 100 pontos), sendo a quarta ocasião em que não supera os 60 pontos. Na média brasileira, o indicador voltou a crescer (+1,3%) após cinco quedas consecutivas e subiu para 67,6 pontos em setembro. Mesmo assim, registrou o pior desempenho para o mês desde 2010, além disso e encolher 26,9% no comparativo anual.

Assim como no mês anterior, dois dos sete componentes do ICF ficou negativo em Manaus, e foram justamente os de Nível de Consumo Atual (-1,1%) e de Perspectiva de Consumo (-36,2%). Em agosto as reduções haviam sido de -6,5% e -27,3%, respectivamente. Os destaques positivos vieram, novamente, de Momento para Duráveis (+23,1%) e Compra a Prazo/Acesso ao Crédito (+18,1%), sendo seguidos por Renda Atual (+7,5%), Emprego Atual (+3,1%) e Perspectiva Profissional (+1%).  

Apesar do leve incremento, as intenções de compras das famílias de Manaus foram refreadas pelas percepções negativas sobre o consumo atual (20,9 pontos). Nada menos do que 86,9% dos entrevistados relatou estar comprando menos do que no ano passado – e esse percentual sobe para 88%, entre os que recebem menos do que dez salários mínimos. Apenas 7,8% dizem que estão comprando mais e 4,9% afirmam que está tudo na mesma. No mês anterior, os respectivos percentuais foram 87,3%, 8,5% e 3,9%.

Outro fator que inibe a ida às compras em Manaus vem de suas perspectivas de consumo (50 pontos), o subíndice a registrar a maior queda no mês – ficando bem abaixo dos 78,5 anteriores. Em torno de 71,9% das famílias considera que seus dispêndios serão menores nos próximos meses. Uma parcela de 21,9% aposta que ainda será maior e outros 5,7% avaliam que seguirá igual. O consumidor que ganha mais de dez mínimos (77,4 pontos) é o mais pessimista, neste caso.

Emprego e crédito

Outro fator que limita as intenções de consumo vem da situação atual do emprego (92,1 pontos), a despeito da melhora em relação a agosto (89,3). A maioria ainda se sente menos segura (26,3%) ou simplesmente está desempregada (33%), enquanto apenas 18,4% estão mais seguros. O mesmo se deu nas perspectivas profissionais (47,5 pontos), onde a percepção majoritária (74,6%) é negativa em relação a alguma possível melhora, em detrimento dos otimistas (22,1%). A insegurança presente é maior para os que ganham mais, mas as perspectivas são piores para os que recebem menos. 

A percepção dos manauenses em relação ao crédito (124,7 pontos), no entanto, disparou em relação ao mês anterior (105,6). Para 60,3% dos entrevistados, o acesso está mais fácil e outros 35,6% acreditam que ficou mais difícil – contra os 43,6% que diziam o mesmo, em agosto. Em contrapartida, 80,3% das famílias ouvidas pela CNC garantem que este não é o momento adequado para aquisição de bens duráveis (38,9 pontos). As dificuldades para financiamento se dão mais entre os que ganham mais e o inverso ocorre no caso das perspectivas de endividamento futuro.

“Dados preocupantes”

O assessor econômico da Fecomercio AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), José Fernando Pereira da Silva, considera que os dados revelados pela pesquisa da CNC para setembro são “preocupantes” para os comerciantes da capital amazonense. 

“O grau de confiança segue abaixo da linha dos 100 pontos. A percepção do consumidor de Manaus é que, se o crédito está mais fácil, o consumo está muito menor e a renda, muito pior. A pesquisa mostra com muita clareza que os efeitos da pandemia na nossa atividade econômica ainda vão perdurar por algum tempo”, sentenciou.

Seletividade e flexibilização

Em texto distribuído à imprensa, a economista da CNC responsável pela pesquisa, Catarina Carneiro da Silva, destaca que a renda continua sendo “um fator sensível” para as famílias, a despeito da melhora nas percepções em relação ao mercado de trabalho. A percepção mais favorável em relação ao mercado de trabalho atual já se reflete, segundo a economista, nas pespectivas profissionais futuras. Mas, “apesar da melhora na percepção de consumo atual, as famílias continuam seletivas com sua renda”.

No mesmo texto, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, assinala que a flexibilização do funcionamento dos estabelecimentos comerciais tem ajudado na recuperação do consumo dos brasileiros. “As famílias têm se revelado mais satisfeitas diante das novas regras de abertura do comércio, mesmo que o momento atual ainda exija cautela”, finalizou.

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