Exportação de motos supera a de alimentos no Amazonas

A balança comercial do Amazonas sofreu novo revés, em setembro. Assim como ocorrido em agosto, as exportações voltaram a tombar em relação a 2019, embora tenham se mantido positivas no acumulado, puxadas pelos manufaturados do PIM. Majoritárias, as importações quebraram uma sequência de cinco quedas consecutivas com um virtual empate sobre o resultado de 12 meses atrás, mas não conseguiram tirar o acumulado do vermelho. É o que revelam os dados do governo federal disponibilizados pelo portal Comex Stat.

Em setembro, as vendas externas do Amazonas totalizaram US$ 59.53 milhões e foram 12,92% melhores do que as de agosto (US$ 52.72 milhões), mas ficaram 4,61% abaixo do registro de exatos 12 meses atrás (US$ 62.41 milhões). O Estado ainda conseguiu sustentar uma alta de 1,64% no acumulado dos nove meses iniciais do ano (US$ 521.16 milhões), frente ao patamar do mesmo período de 2019 (US$ 512.76 milhões).

A contabilidade das compras do Estado no estrangeiro foi de US$ 921.09 milhões em agosto de 2020, correspondendo a um acréscimo de 11,20% frente a agosto do mesmo ano (US$ 828.30 milhões). O comparativo com o mesmo mês do exercício anterior praticamente empatou (US$ 920.55 milhões), mas ainda seguiu positivo (+0,06%). Os valores, contudo, se mantiveram no vermelho no aglutinado até setembro, ao passar de US$ 7.85 bilhões (2019) para US$ 7.14 bilhões (2020), uma diferença de 9,04%. 

Insumos em alta

As importações do Estado foram encabeçadas por circuitos integrados e microconjuntos eletrônicos (US$ 176.88 milhões), partes e peças para televisores e decodificadores (US$ 134.63 milhões), celulares (US$ 90.77 milhões), platina em formas brutas ou semifaturadas (US$ 82.83 milhões) e máquinas e aparelhos de ar condicionado (US$ 34.41 milhões). Apenas os segundo e o quinto item sofreram recuos em relação a 12 meses atrás. 

A China (US$ 408.90 milhões) voltou a encabeçar a lista de países fornecedores para o Amazonas, no mês passado, com aumento de 15,15% frente setembro de 2019 (US$ 355.10 milhões). Na sequência, vieram Estados Unidos (US$ 102.85 milhões), Vietnã (US$ 70.24 milhões), Coreia do Sul (US$ 68.83 milhões), e Taiwan (US$ 53.13 milhões) – com alta apenas para este último.

“A maior parte das importações do Amazonas é destinada ao processo industrial do PIM. A variação do mês passado foi pequena e veio em função de um crescimento vegetativo e sazonal, pelas festas de fim de ano. Após o desabastecimento e paralisações ocorridos no pico da pandemia, as fábricas retomaram as compras, mas vêm dosando esse processo, mediante a flutuação da demanda e o aumento do dólar”, ponderou o gerente executivo do CIN (Centro Internacional de Negócios) da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Marcelo Lima. 

Motos e concentrados 

Pelo segundo mês consecutivo, motocicletas (US$ 9.66 milhões) ultrapassaram as preparações alimentícias/concentrados (US$ 9.16 milhões) na lista de exportações do Estado, com diferentes performances em relação a 12 meses atrás (US$ 8.86 milhões e US$ 14.85 milhões, respectivamente). Ferro-ligas (US$ 4.65 milhões), açúcares de cana ou de beterraba (US$ 4.62 milhões) e extratos de malte (US$ 4.58 milhões) vieram nas posições seguintes, com ganhos sobre 2019, em todos os casos.

A Venezuela (US$ 19.88 milhões) renovou a liderança na lista de destinos das vendas externas amazonenses, com incremento de 45% sobre setembro de 2019 (US$ 13.71 milhões). Estados Unidos (US$ 7.64 milhões) Colômbia (US$ 6.11 milhões) vieram na sequência. Com novo decréscimo, a Argentina (US$ 5.15 milhões) caiu da segunda para a quarta posição. China (US$ 4.80 milhões) e foi seguida pelo Paraguai (US$ 4.23 milhões). Apenas Argentina e Colômbia recuaram nas compras.

Estoque e dólar

O gerente executivo do CIN-AM avalia que os números apresentaram desempenho dentro do esperado em um ano atípico e marcado pela pandemia, já que a tendência para o segundo semestre seria de retomada para as vendas externas, em face da sazonalidade do período. Nesse sentido, o desempenho da Venezuela e da Argentina não surpreenderam, embora o mesmo não possa ser dito da Colômbia e especialmente do Paraguai 

“As oscilações da Argentina se devem à longa crise que aquele país vive, agravada pela pandemia. A Venezuela vem comprando mais do Amazonas e liderando a lista, em função do desabastecimento por lá. Mas os produtos adquiridos por eles, como açúcares, maltes e óleo de soja, não são manufaturados por aqui. A Colômbia desequilibrou a balança, porque a Recofarma vendeu menos concentrados para eles, ao mesmo tempo em que a Honda aumentou a exportação de motos. Já o Paraguai vem comprando muito do Brasil, especialmente têxteis”, listou.

De acordo com Marcelo Lima, a emissão de certificados registrou um tombo significativo entre agosto (180) e setembro (120), mas os valores foram maiores e asseguraram um incremento mensal. As expectativas do gerente executivo do CIN/Fieam são positivas para a balança comercial, nos próximos meses. “Vemos uma tendência de recuperação para os dois produtos, até porque a compra de partes e peças alimenta a produção de itens para vendas externas. A tendência é essa, desde que as eleições americanas ou algum outro fator não afete o mercado exterior”, encerrou.  

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