Empregos tem saldo positivo no interior do Amazonas em julho

Pelo quarto mês seguido, o interior do Amazonas contribuiu com saldo positivo de empregos formais e dessa vez o incremento veio reforçado. Entre junho e julho, o número de municípios amazonenses onde as admissões superaram os desligamentos chegou a 24, de um total de 61. A geração de vagas formais alcançou maior amplitude do que no mês anterior, quando o número de localidades nessa situação não passou de 19. É o que mostram os dados mais recentes do “novo” Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

Ao mesmo tempo em que Manaus criava 2.547 postos de trabalho celetistas, algumas das cidades amazonenses conseguiram avançar nas contratações, a despeito dos números comparativamente mais elevados da pandemia da covid-19 no interior do Estado. Em números globais, as cidades registraram 1.103 contratações e 676 demissões. O total de postos de trabalho criados em julho foi de 427, sendo muito maior do que o registrado em junho (68) e maio (42).

Embora perto da metade das localidades tenha conseguido avançar nas contratações, a estagnação foi a marca de outras 18, enquanto as 20 demais amargaram performance negativa e eliminaram vagas – contra 15 e 28 no mês anterior, respetivamente. Apesar do aquecimento de julho, a situação ainda é menos confortável no acumulado, que aponta para uma extinção de 405 empregos formais, dado o predomínio dos desligamentos (5.888) sobre as admissões (5.483). 

Geração concentrada

A má notícia é que o impulso na geração de vagas formais veio concentrado. Em números absolutos, Presidente Figueiredo apresentou o melhor desempenho do ranking, com saldo positivo de 188 empregos, decorrentes de 287 contratações e 99 demissões, gerando aumento de 6,89% e estoque local de 2.877 postos de trabalho celetistas. Em seguida, os melhores saldos vieram de Humaitá (+100 vagas), Novo Airão (+55), Maraa (+22) e Maués (+21).

As maiores variações relativas vieram de Itamarati (+145,45%), Maraa (+100%) Itapiranga (+22,64%), Novo Airão (+21,57%), Uarini (+16,36%), Jutaí (+12,82%) e Silves (+10%), gerando saldos positivos de 16, 22, 12, 55, 9, 5 e 2 postos de trabalho formais, respectivamente. Na outra ponta, Amaturá (-14,29%) registrou a pior variação percentual do mês, ao eliminar um emprego celetista, sendo seguido por Ipixuna (-3 e -8,11%). Em números absolutos, os municípios que mais eliminaram postos de trabalho nesse cenário foram Iranduba (-58 e -2,82%) e São Gabriel da Cachoeira (-18 e -5,01%).

No acumulado do ano, os melhores números vieram de Presidente Figueiredo (+171 e +6,23% vagas), Humaitá (158 e +7,88%) e Novo Airão (+53 e +20,62%). Em sentido inverso, Manacapuru (-261 postos de trabalho e -7,90%), Coari (-96 e -3,49%), Parintins (-93 e -3,48%), Itacoatiara (-82 e -1,83%) e Carauari (-29 e -7,82%) lideraram a lista de destruição de empregos no interior amazonense, nos sete meses iniciais de 2020. 

Com exceção de Manaus, os cinco maiores municípios em termos de estoque de empregos com carteira assinada respondem por praticamente a metade de todo o volume apresentado no Estado. Itacoatiara (4.376 empregos), Manacapuru (3.230), Presidente Figueiredo (2.877), Coari (2.681) e Parintins (2.583) responderam pelos maiores estoques. Vale notar que, entre eles, apenas um gerou variação positiva, enquanto os demais extinguiram empregos. 

Obras e agricultura

O “Novo Caged” não cruza os dados de empregos dos municípios com as atividades econômicas do Estado. Atividades mais comuns no interior, como comércio (+804 postos de trabalho) agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (+192) apresentaram desempenhos positivos nos dados globais para o Amazonas. O único setor a fechar no vermelho no Estado foi o de serviços (-92), puxado para baixo exatamente pelas atividades administrativas e serviços complementares (-206), mais comuns proporcionalmente nas cidades do interior amazonense.

De acordo com o assessor técnico da Sedecti (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação), Alcides Saggioro Neto, observou que a evolução do emprego formal de Presidente Figueiredo vem sendo influenciada especialmente pelo cultivo de cana de açúcar. Também não deixou de observar que, em localidades do interior com populações pequenas, a alta taxa de informalidade tende a favorecer o impacto de ações dos governos para a geração de empregos, especialmente obras públicas. 

Já o titular da Sedecti, Jório Veiga, reforçou que o Sul do Amazonas desponta como um dos vetores na geração de empregos, em função do aumento da atividade agropecuária, materializado pelo incremento da safra de grãos e abertura de negócios, como um novo frigorífico. Atividades portuárias em Novo Remanso e mesmo o setor de saúde – por força da pandemia – também ajudaram, mas o secretário estadual avalia que o auxílio emergencial também impulsionou indiretamente as contratações, ao aquecer a economia – com incrementos de até 20%, em alguns casos.  

“O setor primário tem sido um bom incentivador da economia em vários municípios. Creio que boa parte dessas vagas seja recuperação de postos que foram desocupados durante a pandemia e agora estão sendo retomados. Nossa expectativa é positiva. Vemos que, em muitos setores, já há movimento acima do ano passado. A economia tem dado bons sinais e creio que, em alguns meses, teremos recuperado o nível de emprego de antes da pandemia”, finalizou.

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