14 de agosto de 2022
Prancheta 2@3x (1)

Custo da construção civil no Amazonas dispara

Depois de três meses seguidos de altas inexpressivas, o custo da construção civil no Amazonas disparou entre maio e junho, ao avançar 0,40%. O valor local do metro quadrado para a atividade aumentou de R$ 1.147,97 para R$ 1.152,52. O incremento veio em sintonia com a escassez de alguns materiais de construção, levando o Estado a seguir a mesma trajetória da média nacional (+0,14%), embora com ímpeto muito maior. 

Enquanto o passivo com a mão de obra (R$ 511,62) permaneceu rigorosamente estável pelo sexto mês seguido, os dispêndios com materiais passaram de R$ 636,35 para R$ 640,90. Os dados estão na mais recente pesquisa do IBGE/ Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil). Em paralelo, estudo do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas) aponta que quatro itens pesaram mais nos orçamentos do setor: gesso, tinta, cerâmica e portas.

O incremento do custo da atividade no Amazonas (+0,40%) foi maior do que a inflação oficial medida no período, conforme divulgação do mesmo IBGE. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) subiu 0,26%, após duas deflações seguidas. A diferença foi ainda maior no acumulado do ano, onde os números foram +0,65% e -0,10%, respectivamente. O passivo acumulado pela construção do Amazonas em 12 meses foi de 4,23%.  

O aumento entre levou o Estado a subiu do 16º para o terceiro lugar no ranking nacional de maiores incrementos no custo da atividade. Ficou atrás apenas do Espírito Santo (+1,32%) e Amapá (+0,69%). Em sentido inverso, Tocantins, Santa Catarina (ambos com -0,08%), Mato Grosso (-0,07%) e Paraná (-0,06%) ficaram no fim de uma lista com seis resultados negativos.

Abaixo da média

O custo por metro quadrado no Amazonas segue abaixo da média nacional (R$ 1.175,62) e novamente se manteve no 15º lugar entre os maiores valores do país. Santa Catarina segue na primeira posição (R$ 1.336,54), seguida pelo Rio de Janeiro (R$ 1.323,43) e pelo Acre (R$ 1.302,93). Os menores custos se situaram em Sergipe (R$ 1.004,54), Pernambuco (R$ 1.053,22) e Rio Grande do Norte (R$ 1.056,37).

O custo de mão-de-obra do Amazonas também permanece inferior à média nacional (R$ 559,03) a até caiu da 17ª para a 18ª posição do ranking. Santa Catarina (R$ 693,16) ocupou o primeiro lugar, seguido por Rio de Janeiro (R$ 686,34) e São Paulo (R$ 637,22). Em contraste, Sergipe (R$ 457,88), Rio Grande do Norte (R$ 465,31) e Ceará (R$ 467,84) ficaram no fim da fila, com os valores mais baixos.

Como de costume, o custo de material puxou o indicador do Amazonas para cima. Com disso, o Estado se manteve em um patamar superior ao da média nacional (R$ 615,59) e subiu do 11º para o décimo lugar entre os valores mais elevados do Brasil. Acre (R$ 730,95), Rondônia (R$ 693,99) e Distrito Federal (R$ 689,99) encabeçaram a lista. Os menores valores ficaram em Sergipe (R$ 546,66), Espírito Santo (R$ 552,57) e Paraná (R$ 570,18).

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, assinalou ao Jornal do Commercio que o aumento no custo da construção civil foi surpreendente diante dos números bem menores de inflação registrados pelo IPCA e pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), das vendas baixas em tempos de crise, e até mesmo do próprio comportamento recente do indicador.

“Desde setembro do ano passado, a série histórica aparece com níveis bem baixos de reajustes. Mas, os preços de balcão elevaram-se exclusivamente para os insumos. Os materiais de construção foram os únicos responsáveis pelo reajuste. De certa forma, é marcante, porque eleva o valor acumulado no Amazonas a um patamar bem acima do registrado pelos índices de inflação”, ressaltou. 

Tendência de alta

Já o presidente do Sinduscon-AM, Frank Souza, observa que, enquanto a mão de obra ainda não sem moveu porque junho foi o mês da convenção coletiva do setor – que se encaminha para um novo dissidio –, o preço do metro quadrado sofre relação direta com a cotação do CUB (Custo Unitário Básico) dos matérias empregados nas obras em curso.

“O que a gente sente é não só a escassez de alguns insumos, como também um aumento da demanda, que acaba fazendo com que o produto acabe faltando na praça. Tivemos um aumento pequeno, mas que influenciou. No entanto, somos apenas o 15º valor em metro quadrado. Deveria ser maior, por causa da nossa logística”, ponderou.

No entendimento do dirigente, o aumento de preço de metro quadrado pelo encarecimento de insumos para construção civil é uma tendência que deve voltar a gerar reflexos significativos nos preços da atividade, em agosto. “Tijolo e cimento aumentaram muito. E outro fator que vai influenciar no próximo mês é que o dissidio já deve dar um aumento na mão de obra, por tipo de função”, encerrou.      

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