Custo da construção civil no Amazonas cresce em março

O custo da construção civil no Amazonas voltou a crescer na passagem de fevereiro para março, mas desacelerou na variação mensal, perdendo novamente para a média nacional. O indicador pontuou 0,85% de expansão na variação mensal, pouco abaixo do patamar de fevereiro (+0,88%), mas voltou a perder de goleada para o dado brasileiro (+1,45%). Com isso, o valor do metro quadrado local passou de R$ 1.291,26 (fevereiro) para R$ 1.302,28 (março).

Assim como ocorrido nos meses anteriores, o aumento no Estado foi puxado pelos dispêndios com materiais, que subiram 1,46%, passando de R$ 778,24 para R$ 789,21, entre fevereiro e março. O passivo com a mão de obra (R$ 511,07), por outro lado, permaneceu rigorosamente estável. Os dados estão na mais recente pesquisa do Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil), do IBGE.

Diferente do ocorrido nos meses anteriores, o incremento mensal do custo da atividade no Amazonas (+0,85%) também perdeu para a inflação oficial na variação mensal, conforme o mesmo IBGE. Pressionado pelos combustíveis, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) subiu 0,93%, em março, acelerando em relação a fevereiro (+0,86%), e sendo o maior índice para o mês, desde 2015 (+1,32%). A diferença entre o Sinapi do Amazonas (+2,61% e +13,52%) e o IPCA (+2,05% e +6,10%) foi ainda maior nos aglutinados do ano e dos últimos 12 meses, respectivamente.

Apesar do aumento detectado entre janeiro e fevereiro, o Estado se manteve no 20º lugar do ranking nacional de maiores altas percentuais, além de ficar novamente abaixo da média nacional (+1,45%). O pódio foi ocupado por Mato Grosso (+3,56%), Amapá (+2,59%) e Minas Gerais (+2,14%). Em sentido inverso, Acre (+0,41%), Rondônia (+0,43%) e Roraima (+0,56%) ficaram no fim de uma lista sem deflações.

Abaixo da média

A despeito da nova alta, o custo por metro quadrado no Amazonas (R$ 1.302,28) segue abaixo da média nacional (R$ 1.338,85) e fez o Estado cai da 15ª para a 17ª colocação entre os maiores valores do país. Santa Catarina (R$ 1.494,05) segue na primeira posição, sendo seguida pelo Rio de Janeiro (R$ 1.447,42) e pelo Acre (R$ 1.424,74). Os custos mais baixos se situaram no Rio Grande do Norte (R$ 1.194,18), em Sergipe (R$ 1.194,63), e em Pernambuco (R$ 1.213,54).

O custo de mão-de-obra local também permanece inferior à média nacional (R$ 573,28), levando o Amazonas a se segurar na 21ª posição do ranking brasileiro. Santa Catarina (R$ 720,76) ocupou novamente o primeiro lugar, sendo seguida por Rio de Janeiro (R$ 699) e São Paulo (R$ 647,15). Em contraste, Sergipe (R$ 466,08), Rio Grande do Norte (R$ 474,56) e Alagoas (R$ 482,76) seguem no fim da fila.

Situação inversa ainda ocorre no custo de material de construção civil. Apesar da alta comparativamente menor, o Amazonas (R$ 789,21) ainda está acima da média nacional (R$ 765,07). Em sintonia, o Estado avançou da sétima para a sexta posição entre os valores mais elevados do Brasil. Acre (R$ 850,05), Distrito Federal (R$ 825,93) e Tocantins (R$ 810,69) lideraram o ranking. Na outra ponta, os menores valores ficaram em Espírito Santo (R$ 705,03), Rio Grande do Norte (R$ 719,62) e Pernambuco (R$ 810,69).

“Foi o decimo segundo aumento seguido do indicador. O acumulado já é o dobro da inflação no mesmo período. Mais uma vez, a elevação é toda creditada aos insumos. Se levar em consideração a média móvel trimestral, os próximos meses indicam alta ou estabilização dos preços”, sentenciou o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, em sua análise para a reportagem do Jornal do Commercio.

Instabilidade e atrasos

De acordo com o presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), Frank Souza, a pesquisa retrata um tema que a entidade, juntamente com a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) vem destacando há meses: a escalada dos preços dos materiais de construção e seus impactos nos contratos de obras públicas, assim como o desabastecimento de insumos básicos para a construção civil. 

“Essa situação, tanto local, quanto nacional, é puxada pelo aumento dos materiais. Há um descolamento do custo dos insumos do preço final do metro quadrado da construção. O aço deu uma disparada e já temos 290% de aumento acumulado em 12 meses. Para o cimento, o aumento foi de 70%, enquanto a mão de obra segue estável. Todo o país sofre com problemas de desequilíbrio de contratos e desabastecimento. O aço tem umas bitolas que você não acha mais”, reforçou.

O dirigente ressalta que, como as construtoras trabalham com contratos de longo prazo e valores fechados, a tendência é que os contratos fiquem desequilibrados e muitas obras públicas já contratadas acabem não sendo entregues ou tendo seus prazos alongados. “Para as empresas que já se precaveram e têm estoque, vai ser mais fácil, porque o preço descolou. Como 46% a 49% do custo da obra tende a ser de mão de obra e o resto é de material, vamos ter um desequilíbrio de 15% a 20% do preço que vem sendo praticado. O que as construtoras não conseguem honrar, em sua maioria”, concluiu.   

O presidente do Sinduscon-AM lembra que a escalada dos preços começou por volta de setembro, em virtude de uma combinação de redução de oferta e aquecimento de demanda – ambos causados pela pandemia. Frank Souza informa, por outro lado, que a CBIC, juntamente com os Sinduscons estaduais, vem trabalhando junto às cooperativas nacionais – “para importar aço da Turquia”, por exemplo – e ao governo federal para diminuir as tributações do aço, por exemplo, para levar os preços do insumo para baixo.

“Segundo uma pesquisa da CNI [Confederação Nacional da Indústria], 42% das empresas do setor acham que a situação só vai arrefecer no terceiro trimestre, enquanto o resto acredita que só vai normalizar em 2022. Com esse desequilíbrio político e econômico, vivemos uma instabilidade muito grande no Brasil, que descola um pouco do mercado internacional. Se a gente não fizer um trabalho em relação as importações, para botar um produto mais barato aqui, isso vai continuar”, concluiu. 

Foto/Destaque: Divulgação

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