Custo da construção civil no AM tem alta em abril

O custo da construção civil no Amazonas voltou a acelerar na passagem de março para abril, embora tenha perdido novamente para a média nacional. O indicador pontuou 1,16% de expansão na variação mensal, bem acima do patamar do levantamento anterior (+0,85%), mas voltou a perder de goleada para o dado brasileiro (+1,87%). Com isso, o valor do metro quadrado passou de R$ 1.302,28 (março) para R$ 1.317,45 (abril), para as construtoras amazonenses.

Assim como ocorrido nos meses anteriores, o aumento no Estado foi puxado pelos dispêndios com materiais, que subiram 1,17%, passando de R$ 789,21 para R$ 798,48, entre março e abril. O passivo com a mão de obra, que nas sondagens dos meses passados havia ficado praticamente estável, avançou, de R$ 513,07 para R$ 518,97, uma diferença de 1,14%. Os dados estão na mais recente pesquisa do Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil), do IBGE.

Aumento no Estado foi puxado pelos dispêndios com materiais, que subiram 1,17%
Foto: Divulgação

Depois de perder para o IPCA de março, o incremento mensal do custo da atividade no Amazonas retomou a dianteira em relação à inflação oficial na variação mensal, conforme o mesmo IBGE. Pressionado pelos produtos farmacêuticos, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo subiu 0,31%, em abril, desacelerando em relação a março (+0,93%). A diferença entre o Sinapi do Amazonas (+3,80% e +14,81%) e o IPCA (+2,37% e +6,76%) segue ainda maior nos aglutinados do ano e dos últimos 12 meses, respectivamente.

Com o aumento reforçado na variação entre março e abril, o Estado subiu do 20º para o 18º lugar do ranking nacional de maiores altas percentuais, embora tenha se mantido abaixo da média nacional (+1,87%). O pódio foi ocupado por Minas Gerais (+2,85%), Bahia (+2,51%) e Maranhão (+2,48%). Em sentido inverso, Amapá (+0,28%), Goiás (+0,36%) e Mato Grosso do Sul (+0,45%) ficaram no fim de uma lista sem deflações.

Abaixo da média

A despeito da nova alta, o custo por metro quadrado no Amazonas (R$ 1.317,45) segue abaixo da média nacional (R$ 1.363,41). A diferença fez o Estado cair da 17ª para a 19ª colocação entre os maiores valores do país. Santa Catarina (R$ 1.514,03) segue na primeira posição, sendo seguida pelo Rio de Janeiro (R$ 1.474,60) e por São Paulo (R$ 1.438,12). Os custos mais baixos se situaram em Sergipe (R$ 1.213,66), Rio Grande do Norte (R$ 1.214,28), e Espírito Santo (R$ 1.237,67).

O custo de mão-de-obra local também permanece inferior à média nacional (R$ 574,31), mas o Amazonas avançou da 21ª para a 19ª posição do ranking brasileiro. Santa Catarina (R$ 720,76) ocupou novamente o primeiro lugar, sendo seguida por Rio de Janeiro (R$ 699) e São Paulo (R$ 647,14). Em contraste, Sergipe (R$ 464,36), Rio Grande do Norte (R$ 474,99) e Alagoas (R$ 482,76) seguem no fim da fila.

Situação inversa ainda ocorre no custo de material de construção civil. Apesar da alta comparativamente menor, o Amazonas (R$ 789,21) ainda está acima do número brasileiro (R$ 789,10). O Estado, entretanto recuou da sexta para a décima posição entre os valores mais elevados do Brasil. Acre (R$ 858,89), Tocantins (R$ 835,40) e Distrito Federal (R$ 834,24) lideraram o ranking. Na outra ponta, os menores valores ficaram em Espírito Santo (R$ 716,03), Mato Grosso do Sul (R$ 737,43) e Rio Grande do Norte (R$ 739,29).

Em texto postado na Agência de Notícias IBGE, o gerente do Sinapi, Augusto Oliveira, informa que a taxa de abril sofreu influência principalmente das altas de preços nos vergalhões e arames, tubos de aço, condutores elétricos e tubos de PVC, e lembra que o grupo de materiais e insumos de aço vem apresentando aumentos sucessivos desde janeiro. O pesquisador explica ainda que a parcela de mão de obra só tem apresentado influência no índice quando homologações de dissídios são captadas – neste mês, foi o Maranhão.

Tendência de alta

Em sua análise para a reportagem do Jornal do Commercio, o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, destaca que o aumento no custo da construção amazonense esteve acima da inflação em praticamente todas as comparações, no primeiro quadrimestre deste ano, com uma vantagem de mais de um ponto percentual para o Sinapi em relação ao IPCA. No entendimento do pesquisador, a tendência de curto prazo ainda é de alta para os preços da atividade.

“As vendas locais do varejo ampliado [que incluiu veículos e material de construção] da Pesquisa Mensal do Comércio ainda estão em alta e a média móvel trimestral, também. Isso não possibilita uma estimativa de queda nos próximos meses. Mas, pela comparação com outras praças, percebe-se que essas remarcações vêm ocorrendo em todos os Estados. E, que pode ter uma origem além do balcão”, sentenciou.

Já o presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), Frank Souza, reforçou que os impactos inflacionários na atividade local continuam vindo mais do capital físico do que do capital humano e que o número poderia ser ainda maior, já que a cesta de produtos que verifica a contagem dos preços locais ainda tem predominância do padrão imobiliário econômico. O dirigente acrescenta que, nas grandes capitais, onde há mais empreendimentos para as classes média e alta, o valor é maior.    

“Estamos na 19ª posição e somos seguidos por Estados mais pobres, que fazem construção mais barata. Mas, Na realidade, a gente continua sofrendo o impacto do aumento dos insumos e também de todas as variações de preços que estão ocorrendo de uma forma geral. Temos o INPC, que chega a 12,99% em 12 meses, e que é ainda menor do que o Sinapi. No mesmo período, o IGP-M já está em 32,02%. Você tem uma correção menor do que está ocorrendo na prática, o que é ruim”, lamentou.

Frank Souza avalia que boa parte da escalada dos preços se deve também ao fator logístico e estima também que os preços dos materiais devem continuar escalando nos próximos meses, especialmente no caso do aço e PVC. “A tendência é de continuar subindo. A gente começa a pensar em uma certa retomada, para uma estabilização e previsibilidade de materiais, que ainda estarem com aumento de preços, estão faltando na praça”, concluiu. 

Foto/Destaque: Divulgação

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