Confiança do consumidor manauara despenca

O agravamento da crise da covid-19 fez a confiança do consumidor de Manaus desabar, na virada de abril para maio. O índice de ICF (Intenção de Consumo das Famílias) caiu 23,2% e a queda foi mais acentuada para os que ganham menos. A capital amazonense seguiu em sintonia com a média nacional, mas despencou com mais força do que o restante do país. A conclusão vem da leitura dos dados da pesquisa da CNC (Confederação Nacional do Comércio). 

O ICF de Manaus atingiu 78,4 pontos, ficando bem abaixo das marcas de abril de 2020 (102,2) e de maio de 2019 (107,9). O número despencou para a zona de insatisfação (até 100 pontos) pela primeira vez, desde novembro de 2017. Na média nacional, o indicador caiu 13,1% entre abril e maio e chegou a 81,7 pontos, em uma retração sem precedentes na série histórica da pesquisa. E o recuo registrado no confronto com maio de 2019 (-13,7%) foi o maior registrado desde agosto de 2016.

Apenas um dos sete componentes do ICF subiu em Manaus: Compra a Prazo/Acesso ao Crédito (+4,3%). Todos os demais sofreram tombos de dois dígitos. O decréscimo mais acentuado veio de Momento para Duráveis (-42,6%), sendo seguido por Perspectiva Profissional (-35,1%), Nível de Consumo Atual (-32,4%) e Renda Atual (-30,4%) e Emprego Atual (-16,1%).

A capital amazonense ficou abaixo também da média da região Norte (88,7 pontos) e no tamanho das desacelerações mensal (-9,2%) e anual (-10,1%). A maior queda percentual (-8,4%) frente a abril se deu no Sudeste, que também amargou a menor pontuação (79,3). A região Nordeste registrou a variação anual mais baixa (-14,9%). Nenhuma das regiões brasileiras apresentou crescimento ou ficou na zona de satisfação.

Fechamento e crédito

Em Manaus, o recuo foi puxado pelas perspectivas negativas de aquisição de bens duráveis, vindo com mais força das famílias manauenses que ganham até dez salários mínimos – 70,6% delas consideram que é um mau momento para isso. O mesmo pode ser dito das perspectivas profissionais e nível de consumo atual, que apresentaram avaliações negativas mais acentuadas exatamente nessa faixa de vencimentos – 56,3% e 67,6%, respectivamente. A insatisfação com renda atual, por outro lado, é maior entre os que ganham mais (70%).

O presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens e Serviços do Estado do Amazonas), Aderson Frota, disse ao Jornal do Commercio que o setor já esperava números negativos, diante dos impactos da crise da covid-19, mas ressalta que o tamanho do tombo assustou os empresários. Para o dirigente, mesmo com o calendário de retomada dos segmentos não essenciais de comércio e serviços avançando em Manaus, o momento ainda é de cautela para os lojistas.  

“Esse índice tão negativo assusta, mas é facilmente justificável, porque maio foi justamente o mês do pico da pandemia. E a tendência é que nós tenhamos mais índices negativos, porque estamos saindo desse período com o agravante do fechamento das atividades comerciais e de serviços. E o acesso ao crédito apresenta retração em relação aos últimos meses de 2020. Estamos vivendo um momento de crise e o próprio trancamento da economia aponta para isso”, sentenciou 

Pessimismo e desaceleração

Em texto distribuído à imprensa, a economista da CNC responsável pela pesquisa, Catarina Carneiro da Silva, destacou a queda recorde nas intenções do consumidor brasileiro adquirir bens duráveis, ao apontar que o indicador correspondeu teve a maior queda mensal (-22,7%) e anual (-21,4%) do ICF do mês. O desempenho está ligado ao pessimismo de curto prazo. “Os resultados transparecem a incerteza das famílias em relação ao futuro profissional e representam a insegurança dos brasileiros com os próximos meses”, frisou.

No mesmo texto, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, embora a percepção das famílias em relação ao mercado de crédito continue melhor do que no ano passado, os brasileiros já demonstram preocupação no curto prazo. “As taxas de juros cada vez mais baixas, com um nível inflacionário controlado, impactaram favoravelmente a percepção de acesso ao crédito. Contudo, o risco de maior inadimplência em virtude da crise provocada pela pandemia de covid-19 contribuiu para a desaceleração do consumo”, finalizou.

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