Confiança do consumidor em queda, aponta pesquisa da CNC

O agravamento da crise do Covid-19 erodiu ainda mais a confiança do consumidor de Manaus, que segue trajetória de queda de fevereiro. O índice de ICF (Intenção de Consumo das Famílias) caiu 2,9% entre março e abril – especialmente entre os que ganham menos de dez salários mínimos mensais. O recuo seguiu em sintonia como a média nacional, mas a capital amazonense ainda segura níveis positivos de satisfação do consumidor. A conclusão vem da leitura dos dados da pesquisa da CNC, disponibilizados nesta segunda (20). 

O ICF de Manaus atingiu 102,2 pontos, contra os 105,2 de março de 2020 e o 109,8 de um ano antes. O número se manteve na zona considerada de satisfação (igual ou acima de 100 pontos), onde está desde fevereiro de 2019 (102,9 pontos). Na média nacional, o indicador saiu de duas altas seguidas para um recuo de 2,5% em relação a março – de 99,9 para 95,6 pontos em abril –, no menor nível desde novembro de 2019. Houve queda de 0,6% em relação à marca de 12 meses atrás (-96,2%). 

Apenas um dos sete componentes do ICF subiu em Manaus: Perspectivas de Consumo (+0,2%). O tombo mais forte veio de Momento para Duráveis (-5,9%), sendo seguido de perto por Nível de Consumo Atual (-5,3%) e Renda Atual (-5%). Emprego Atual (-2,8%), Compra a Prazo/Acesso ao Crédito (2,3%) e Perspectiva Profissional (-1,8%) vieram na sequência.

A capital amazonense acompanhou a média da região Norte (-0,4% e 102,4 pontos) na variação mensal. A maior queda percentual (-8,4%) se deu no Centro-Oeste (118,6). A maior pontuação (127,7) está no Sul, onde o indicador encolheu 2,7%. O Sudeste, que concentra a maior parte dos consumidores brasileiros também apresentou números negativos (-2,1% e 112,2). A única região onde houve aumento na intenção de consumo foi Nordeste (+1,4% e 105,7).

Renda e emprego

Em Manaus, o recuo foi puxado pela renda, vindo com mais força das famílias manauenses que ganham até dez salários mínimos – 52,7% delas consideram que a situação está pior. Em contraste, a percepção em relação ao emprego ainda é positiva, dado que a maioria dos entrevistados se sente mais segura em relação a 2019 – 42,3% entre os que ganham menos, e 54,3% entre os que tem renda maior. O mesmo pode ser dito das perspectivas profissionais, com 62,8% e 70,4% de respostas positivas, respectivamente. 

“A intenção de consumo tem sofrido decréscimos já há algum tempo e foi acentuada pela força das circunstâncias. As perspectivas de médio e longo prazo apontam para uma extinção de oito a cada dez empregos, segundo pesquisa divulgada hoje. E já vemos um agravamento da violência, inclusive doméstica. Estamos apenas no começo da pandemia, mas a situação, a meu ver, vai ficar mais grave ainda”, sentenciou o presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens e Serviços do Estado do Amazonas), Aderson Frota, 

“Crise sem precedentes”

Em texto distribuído à imprensa, a economista da CNC responsável pela pesquisa, Catarina Carneiro da Silva, aponta que houve uma queda acentuada na percepção do momento de compra de duráveis, como eletrodomésticos, eletrônicos, carros e imóveis, com 60,7% assinalando que este é um momento negativo para essa opção. “Esta é a mais baixa pontuação de um subíndice em abril e o menor patamar deste item desde novembro de 2019”, ressaltou.

No mesmo texto, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, destaca que a pesquisa identificou a preocupação dos brasileiros com os impactos de uma “crise sem precedentes”, que leva as famílias a ficarem mais alertas em relação ao consumo, em 2020. “Essa insatisfação na expectativa de consumir em abril está ancorada na incerteza das consequências que a situação atual pode provocar nos indicadores econômicos deste ano. O aumento recente da taxa de desemprego no país é um exemplo”, finalizou.

Fonte: Marco Dassori

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email