Comércio varejista do Amazonas reduz o passo em agosto

Assim como a indústria, o comércio varejista do Amazonas reduziu o passo em agosto, mas manteve o viés de alta. Após o mergulho de março e abril e os crescimentos vigorosos dos meses seguintes, o setor conseguiu fechar no azul no acumulado até julho, pela primeira vez desde o início da pandemia. A expansão em relação ao mesmo período de 2019 se manteve em dois dígitos, e segmentos dependentes de crédito, como material de construção e veículos, tiveram desempenho global ainda melhor. Os dados estão na pesquisa mensal do IBGE e foram divulgados nesta quinta (8). 

O varejo amazonense emendou o quinto mês seguido de elevação e avançou 1,1% entre julho e agosto, número mais modesto do que o anterior (+5,6%), registrado no segundo mês de reabertura das lojas de Manaus para vendas presenciais. Em relação ao mesmo mês de 2019, o volume de vendas escalou 18,1% – contra os 19,9% de junho. Pela segunda vez, desde a eclosão da crise da covid-19 em terras locais, o comércio fechou o acumulado do ano no azul (+4,7%), além de se manter ascendente no aglutinado dos 12 últimos meses (+6,9%). 

O incremento mensal não impediu que o Estado caísse do 13º para o 23º lugar no ranking de desempenho de vendas das 27 unidades federativas do Brasil e ficasse trás da média nacional (+3,4). Acre (+15,6%) e Rondônia (+12,8%) lideraram uma lista onde Tocantins (-2,4%) e Rio Grande do Sul (-0,2%) figuram no rodapé. No acumulado, o Amazonas subiu da terceira para a segunda posição, atrás do Pará (+5,9%), situando-se bem à frente da média brasileira (-0,9%). O Ceará (-10,9%) ficou em último lugar. 

A receita nominal do setor – que não considera a inflação do período – avançou 1,8% na comparação com julho, ficando bem abaixo da marca da sondagem anterior (+5,6%). No confronto com agosto de 2019, o varejo do Amazonas ainda conseguiu avançar 23,6%, chegando perto da performance apresentada 30 dias antes (+24%). O saldo também se manteve no azul nos acumulados dos oito meses (+10,2%) e de 12 meses (+11,9%). 

A despeito da variação mensal positiva, o Amazonas também caiu da 13ª para a 23ª colocação neste caso, e ficou igualmente aquém da média nacional (+3,9%). Acre (+14,3%) e Amapá (+12,8%) se situaram no topo do pódio, ao mesmo tempo em que Tocantins (4,6%) e Rio Grande do Sul (-1,2%) ficaram ‘na lanterna’. No acumulado do ano, por outro lado, o Estado se segurou na segunda posição do ranking, superando de longe o número brasileiro (+2,4%) e só perdendo por pouco para o Pará (+10,9%). Ceará (-7%) e Rondônia (-6,2%) figuraram no rodapé.

Veículos e construção

O volume de vendas do varejo ampliado do Amazonas – que inclui veículos e suas partes e peças, bem como material de construção – teve desempenho mais acanhado. O acréscimo no volume de vendas frente a julho de 2020 foi de 0,2% – bem abaixo dos 8,4% anteriores. O incremento de 19,8% no confronto com agosto de 2019 também perdeu para o da pesquisa anterior (+21,6%). O acumulado do ano, no entanto, foi melhor (+2,7%), assim como o do aglutinado de 12 meses (+4,3%). As respectivas médias nacionais foram +4,6%, +3,9%, -5% e -1,7%.

Já a receita nominal do varejo ampliado subiu 1,3% em relação a julho deste ano e cresceu 24,7% ante agosto de 2019 – no levantamento anterior, os respectivos números haviam sido 7,9% e 24,8%. De janeiro a agosto, houve acréscimo de 7,1%. Em 12 meses, o resultado apontou para uma expansão de 8,5%. O varejo nacional só ganhou do regional na variação mensal, ao pontuar os respectivos resultados percentuais: +5,2%, +7,7%, -1,8% e +1%.

Recuperação gradual

Para o presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio e Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, apesar de todas as dificuldades sofridas pelo setor, em razão do fechamento compulsório das portas das lojas de Manaus, durante o pico da pandemia em nível local, o setor teve uma recuperação – ainda que esta não tenha se apresentado em “grau de excelência”. 

“Os números confirmam que o comércio está entrando em um processo gradual de retomada. Embora 2019 ainda tenha sido um ano de crise aguda, os índices de crescimento em relação a esse período já mostram que o varejo, aos poucos, vai indo na direção certa em termos de vendas e manutenção de empregos. E o mais importante disso tudo é que estamos nos recuperando depois de passar mais de 100 dias de portas fechadas”, asseverou.

Aderson Frota se diz mais otimista em relação ao fim do ano e salienta que a projeção dos lojistas do Amazonas para o último trimestre do ano apontam para um incremento de 5% a 7% nas vendas, sobre o mesmo período de 2019. As perspectivas de um desempenho superior a uma base já mais fortalecida, prossegue o presidente da Fecomercio-AM, se apresentam positivas, mas ainda há dúvidas – e esperanças – em relação a 2021.  

“É bom lembrar que o último trimestre de 2019 já se apresentava com números muito bons e mais fortes, já apresentando sinais de recuperação para o setor. Se nós conseguirmos essa margem de crescimento, será comprovado um certo vigor na retomada das vendas do varejo. Estamos em uma recuperação que, naturalmente, se mostra gradual. Que 2021 seja um ano para conseguirmos superar todas essas dificuldades e entrar em processo de retomada sustentada da economia”, ponderou.

Desabastecimento e auxílio

Mais cético, o presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Amazonas), Ezra Azury, demonstra preocupação em relação ao prolongado desabastecimento no varejo e à contagem regressiva para a retirada dos estímulos anticíclicos federais. Em depoimento anterior, o dirigente já havia apontado que boa parte do desempenho local do setor se deve à injeção mensal de R$ 700 milhões para 1,1 milhão de beneficiados no Estado, com reflexos positivos especialmente em produtos de menor valor agregado. 

“O comércio só vai conseguir manter esse nível de crescimento, se a indústria conseguir nos acompanhar. Mas, ela ao está conseguindo fazer isso e continuam faltando muitos produtos nas prateleiras das lojas de Manaus. Isso é uma coisa que nos preocupa. Outra é que ainda dependemos muito da ajuda emergencial do governo, que foi reduzida pela metade, neste mês. Ninguém sabe qual vai ser o impacto disso na demanda, principalmente quando o benefício acabar”, encerrou. 

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