1 de março de 2021

Comércio esfria com auxílio menor em setembro

Depois de reduzir o passo no mês anterior, o comércio varejista do Amazonas interrompeu uma sequência de quatro altas e sofreu recuo no volume de vendas. O tropeço veio na contramão da média nacional e no mesmo mês em que o auxílio emergencial veio cortado pela metade. O desempenho em relação ao mesmo período de 2019, contudo, se manteve ascendente em dois dígitos e segmentos dependentes de crédito tiveram performance melhor. Os dados estão na pesquisa mensal do IBGE, divulgada nesta quarta (11). 

O varejo amazonense retrocedeu 2,5% entre agosto e setembro, depois do crescimento modesto do mês anterior (+0,7%). Em relação ao mesmo mês do ano passado, o volume de vendas ainda escalou 13,4% – contra os 18,1% de agosto. Pela terceira vez, desde a eclosão da crise da covid-19 no Estado, o comércio local fechou o acumulado do ano no azul (+5,7%), além de se manter ascendente no aglutinado dos 12 últimos meses (+7%). 

Apesar do decréscimo mensal, o Estado conseguiu subir do 23º para o 20º lugar no ranking de desempenho de vendas das 27 unidades federativas do Brasil, mas ficou bem trás da já desacelerada média nacional (+0,6%). Piauí (+5,7%) e São Paulo (+2,1%) lideraram uma lista com 14 desempenhos negativos e com Maranhão (-5.9%) e Amapá (-5,5%) nas últimas posições. No acumulado, o Amazonas se manteve acima da média nacional (0%) e na segunda posição, empatado com o Maranhão (+5,7%) e atrás do Pará (+7,2%). Ao mesmo tempo, Ceará (-9,3%) e Bahia (-6,2%) figuraram no rodapé. 

A receita nominal do setor – que não considera a inflação do período – encolheu 0,1% na comparação com agosto, ficando bem abaixo da marca da sondagem anterior (+1,6%). No confronto com setembro de 2019, o varejo do Amazonas ainda decolou 21,1%, próximo à performance apresentada 30 dias antes (+23,6%). O saldo também se manteve no azul e em dois dígitos, nos acumulados dos oito meses (+11,5%) e de 12 meses (+12,5%). As médias nacionais foram +2,1%, 13,4%, 3,6% e 4,2%, respectivamente.

A despeito da variação mensal negativa, o Amazonas também subiu da 23ª para a 17ª colocação neste caso. Piauí (+5,7%) e Tocantins (+3,3%) situaram-se no topo do pódio, ao mesmo tempo em que Amapá (-3,3%) e Maranhão (-2,8%) ficaram na ‘lanterna’. No acumulado do ano, por outro lado, o Estado se segurou na segunda posição do ranking, superando de longe o número brasileiro (+3,6%) e perdendo por pouco para o Pará (+12,5%). Na outra ponta, Ceará (-5,2%) e Distrito Federal (-5%) ficaram nas últimas posições.

Veículos e construção

O volume de vendas do varejo ampliado do Amazonas – que inclui veículos e suas partes e peças, bem como material de construção – teve desempenho menos acanhado. A retração no volume de vendas na variação mensal foi de 0,7% – contra os -0,5% de agosto. O incremento de 21,3% no confronto com setembro de 2019 superou o número anterior (+19,5%). Os acumulados do ano (+4,8%) e de 12 meses (+5,4%) também foram melhores. As respectivas médias nacionais foram de +1,2%, +7,4%, -3,6% e -1,4%.

Já a receita nominal do varejo ampliado subiu 1,1% em relação a agosto deste ano e cresceu 27,7% ante setembro de 2019 – no levantamento anterior, os respectivos números haviam sido +0,9% e +24,4%. De janeiro a setembro, houve acréscimo de 9,4% e, em 12 meses, o resultado apontou para uma expansão de 9,9%. O varejo nacional só ganhou do regional na variação mensal, ao pontuar +2,2%, +13,1%, -0,1% e +1,6%, na ordem.

Isolamento e inflação 

Indagado sobre a eventual influência da redução do auxilio emergencial na retração das vendas do varejo amazonense, em face do maior impacto do benefício no desempenho do comércio nas regiões Norte e Nordeste, o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, assinalou que “qualquer macro influência econômica nos rendimentos, influenciam o consumo”.

O pesquisador observa que o varejo ampliado está levando vantagem em relação ao comércio normal e que “certamente” as linhas de financiamento estão potencializando as vendas, principalmente de veículos. Mas, considera que outros fatores podem ter contribuído para o encolhimento mensal das vendas do varejo do Amazonas, a exemplo do esgotamento do efeito gerado pela demanda reprimida no isolamento social. 

“Foi uma queda bem significativa para o comércio. Principalmente porque estávamos em ascendente há quatro meses. No entanto, podemos fazer diversas leituras. A principal é que, nos meses anteriores, a população havia ido mais fortemente às compras, em função de estar saindo do isolamento social. Por outro lado, o aumento nos preços e a queda do poder de continuar comprando, podem ter sido outra influencia negativa”, avaliou. 

Sazonalidade e pandemia

Embora considere que as limitações sanitárias impostas à realização da segunda edição da Semana do Brasil podem ter influenciado na variação mensal negativa das vendas da atividade comercial no Estado, o presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Amazonas), Ezra Azury, aponta ainda fatores sazonais que justificariam o desempenho por uma base mais forte de comparação, entre outras variáveis. O dirigente, contudo, mantém otimismo para a reta final do ano.

“Setembro normalmente costuma ser um mês fraco para a economia e para o setor. Agosto é mais forte, porque tem o Dia dos Pais, além de registrar adiantamentos de 13º salário e parcelas de FGTS, dando mais liquidez ao mercado. E setembro também foi um mês em que houveram altas de casos de covid-19, fazendo com que as pessoas retrocedessem um pouco. Estamos aguardando que, em novembro, voltemos a ter crescimento e em dezembro, também. O número exato não sabemos, mas trabalhamos com perspectivas de alta no último bimestre do ano”, ponderou. 

Desabastecimento e covid

Já o presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, avalia que a sondagem do IBGE reflete um momento de recuperação da atividade, após a sinalização positiva do início de 2020 e o retrocesso promovido pelo “túnel da covid”, os mais de cem dias de portas fechadas do setor e a euforia de vendas que se deu com a flexibilização e reabertura. Desabastecimento e repique nos números da pandemia, destaca o dirigente, surgiram como novos obstáculos para as lojas.

“A partir daí, começamos a fazer uma previsão de que cresceríamos 5% acima do ano passado. Ocorre que, a partir de setembro, começamos a sofrer problemas logísticos de abastecimento, com a falta de navios e contêineres. Depois, veio a escalada do dólar, que dificultou a reposição do estoque das indústrias. Em novembro, temos uma extensão dessa crise, com a falta de embalagens. O comércio está enfrentando dificuldades, porque mesmo que o consumidor queira comprar, faltam produtos. Mantemos o otimismo, mas estamos prevendo que vamos crescer entre 2% e 2,5%”, arrematou. 

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