7 de março de 2021

Comércio do Amazonas tem dezembro frustrante

Apesar do reforço sazonal do Natal, o comércio varejista do Amazonas tropeçou pelo segundo mês seguido, em dezembro, tanto em volume e renda nominal. Em um período já marcado pela escalada da segunda onda de covid-19, o setor ainda conseguiu avançar sobre 2019 e encerrar o ano no azul. Segmentos dependentes de crédito tiveram performance comparativamente melhor. Os dados estão na pesquisa mensal do IBGE para o setor, divulgada nesta quarta (10). 

O varejo amazonense retrocedeu 3,2%, entre novembro e dezembro, reforçando o decréscimo mensal anterior (-1,7%). Em relação ao resultado de dezembro de 2019, o volume de vendas ainda escalou 9,2%. Apesar da nova retração, o comércio local conseguiu encerrar o ano com 7,3% de expansão sobre 2019, a despeito da pandemia. O Estado bateu a média nacional em todas as comparações: -6,1%, +1,2% e +1,2%.

Apesar do decréscimo no volume de vendas em relação a novembro, o Estado decolou do 22º para o 10º lugar no ranking brasileiro. O Amapá (+0%) encabeçou a lista, sendo seguido por Espírito Santo e Roraima (ambos com -1,5%). Em contraste, Acre (-17,5%) Rondônia e Maranhão (os dois com -12%) figuraram no rodapé de uma lista sem crescimentos. No acumulado do ano, o Estado ficou em terceiro lugar, atrás apenas de Pará (+9,4%) e Maranhão (+7,7%), enquanto o Ceará (-5,8%) teve o pior desempenho.

A receita nominal do setor – que não considera a inflação do período – encolheu menos (-2,1%) na comparação com novembro, mas também conseguiu ficar pior do que a sondagem anterior (-1,1%). No confronto com dezembro de 2019, o varejo do Amazonas ainda decolou 17,2%. O saldo do acumulado do ano também se manteve no azul e na casa dos dois dígitos (+13,8%). As médias nacionais neste cenário foram -5,3%, 9,2% e 6%, respectivamente.

A despeito da variação mensal negativa na receita nominal, o Amazonas subiu da 19ª para a nona posição, ficando não muito abaixo do primeiro colocado (Amapá, com +1%), mas bem acima do último (Rondônia, com -11,3%). Em 12 meses, o Estado também se manteve na terceira colocação, atrás novamente do Pará (+15,9%) e do Maranhão (+14,3%). Na outra ponta, Distrito Federal (-3,1%) e Bahia (-1,5%) amargaram os piores números.

Varejo ampliado

Melhor desempenho foi registrado no varejo ampliado do Amazonas – que inclui veículos e suas partes e peças, bem como material de construção. O volume de vendas encolheu 2,2% ante novembro de 2020, mas avançaram 13,6% sobre dezembro de 2019, consolidando elevação de 7,5% no acumulado de janeiro a dezembro do ano passado. As respectivas médias nacionais foram -3,7%, +2,6% e -1,5%.

Já a receita nominal do varejo ampliado se manteve praticamente estável (-0,1%) na variação mensal e escalou 22% na variação anual, avançando 13,1% no aglutinado do ano. O desempenho situou o Estado na 22ª posição no ranking nacional de volume de vendas, e na quarta colocação em termos de receita nominal. Amapá (+3,8% e +5,1%, respectivamente) e Paraíba (-1% e +0,1%), lideraram ambos os rankings, enquanto o Acre (-12,8% e +0,1%) teve o pior resultado nos dois.

Segunda onda

Na análise do supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, as quedas de vendas e de receita nominal do comércio varejista do Amazonas ocorridas em novembro e dezembro tiveram como principal motivo o crescimento dos registros de contágio, internações e mortes pela covid-19, assim como as políticas de isolamento social reimplantadas pelo governo estadual, na última semana do mês. O pesquisador avalia, contudo, que o saldo final foi positivo para o setor, especialmente levando-se em conta que o ano foi de pandemia.

“Mesmo assim, pelo quarto ano consecutivo o comércio apresentou crescimento anual nas vendas. As quedas ocorridas nos dois últimos meses do ano, não prejudicaram o bom desempenho ocorrido nos meses anteriores. No mesmo sentido, o crescimento do comércio ampliado, mostra que veículos, peças e material de construção também tiveram boas vendas em 2020”, ponderou.

Desabastecimento e fechamento

Na mesma linha, o presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, considera que o saldo acumulado do ano pode até ser considerado “excelente” em um ano de pandemia. O dirigente ressalta, contudo, que o desempenho poderia ter sido melhor se não tivessem ocorrido problemas de desabastecimento, a segunda onda e um novo fechamento das lojas do setor.

“Tivemos aqueles três primeiros meses parados, durante a primeira onda, e depois reabrimos com boas vendas e expectativa de resultados mais robustos ao fim do ano. Mas, fomos pegos pela falta de navios e de contêineres e, sem produtos, todo mundo perdeu vendas. Depois, veio a segunda onda.Já estamos há mais de um mês de portas fechadas, mas os índices de contaminação não declinam. É a prova de que não há ligação entre uma coisa e outra, e de que o setor, excluído alguns focos, não gera aglomerações. Esperamos que os órgãos de fiscalização entendam isso”, arrematou.  

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