15 de maio de 2021

Nem Black Friday segurou a queda do comércio em novembro

O comércio varejista do Amazonas voltou a tropeçar em volume e renda nominal, em novembro, apesar do Black Friday. Em um período ainda marcado pelo rescaldo da pandemia e o corte no auxílio emergencial, o desempenho ainda se manteve ascendente em relação ao mesmo período de 2019. Segmentos dependentes de crédito, por outro lado, tiveram performance positiva e descolada da média, embora acanhada. Os dados estão na pesquisa mensal do IBGE para o setor, divulgada nesta sexta (15). 

O varejo amazonense retrocedeu 1,2%, entre outubro e novembro, depois do acréscimo do mês anterior (+1,7%). Em relação ao resultado de novembro de 2019, o volume de vendas ainda escalou 9,6%. Apesar da nova retração, o comércio local conseguiu emendar o quinto acumulado do ano no azul (+7,1%), desde a eclosão da crise da covid-19, e se manteve ascendente no aglutinado de 12 meses (+7%). O Estado só perdeu para a média nacional na variação mensal: -0,1%, +3,4%, +1,2%, +1,3%.

A receita nominal do setor –que não considera a inflação do período –encolheu menos (-0,4%) na comparação com outubro, mas ficou bem aquém da marca da sondagem de outubro (+3,4%). No confronto com novembro de 2019, o varejo do Amazonas ainda decolou 16,9%. O saldo dos acumulados do ano e de 12 meses também se manteve no azul e na casa dos dois dígitos (+13,4%, em ambos os casos). As médias nacionais neste cenário foram +1,1%, 11,6%, 5,6% e 5,7%, respectivamente.

Com o decréscimo no volume de vendas em relação a outubro, o Estado desabou do nono para o 22º lugar no ranking das 27 unidades federativas do Brasil. O Acre (+7,8%) encabeçou a lista e a Paraíba (-3,5%) figurou no rodapé. Em termos de receita nominal, o Amazonas despencou da quarta para a 19ª posição na variação mensal, ficando bem abaixo do primeiro colocado (Rondônia, com +8,3%) e muito acima do último (Amapá, com -2,7%). 

Varejo ampliado

Em contraste, o volume de vendas do varejo ampliado do Amazonas –que inclui veículos e suas partes e peças, bem como material de construção –subiu apenas 0,6%, empatando com a média nacional. No confronto com novembro de 2019, a elevação foi de 12,5%, enquanto os acumulados do ano (+6,9%) e de 12 meses (+6,7%) seguiram em campo positivo, superando o Brasil em todos as comparações (+4,1%, -1,9% e -1,3%, na ordem).

Já a receita nominal do varejo ampliado subiu 1,1% na variação mensal e 20,5% na anual, avançando também nos acumulados de janeiro a novembro (12,2%) e de 12 meses (+12%). O desempenho situou o Estado na 15ª posição no ranking nacional de volume de vendas, e na 17ª posição em termos de receita nominal. Acre (+9,2% e +8,5%, respectivamente) liderou em ambas as listas, que teve em Tocantins (-5,7%) e no Amapá (-5,2%) os respectivos últimos lugares.

Pandemia e sazonalidade

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, pondera que a queda mensal do comércio amazonense foi significativa, enquanto a comparação com novembro de 2019 foi “muito boa”, apontando um quadro positivo para o setor. “Isso possibilitou o aumento do crescimento acumulado no ano. Tanto o varejo normal do Amazonas, quanto o ampliado, possuem destaque entre as unidades da federação. Isso demonstra que, até aquele mês, o setor estava indo muito bem”, avaliou.

Já o presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Jorge Lima, considera que os números refletem a demanda reprimida da base de comparação dos meses anteriores, assim como fatores sazonais e decorrentes da pandemia. “As restrições dos decretos às promoções nas lojas para evitar aglomerações limitaram as vendas de Black Friday. Além disso, o auxílio emergencial já vinha fracionado na época. Quanto ao material de construção, o distanciamento social aumentou os investimentos dos consumidores em suas casas. E é normal que as pessoas que podem acabem aproveitando o fim do ano e os lançamentos para comprar carro novo”, concluiu  

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