Balança comercial do AM volta a estabilizar em fevereiro

A balança comercial do Amazonas subiu na variação mensal pela quarta vez seguida, entre janeiro e fevereiro. Em sintonia com a redução das restrições estaduais ao funcionamento da indústria, as aquisições de insumos no estrangeiro voltaram a crescer no mês passado, puxando os números para cima também na variação anual. As vendas externas foram na mesma direção, sendo impulsionadas por manufaturados do PIM e produtos revendidos por atacadistas locais. A conclusão vem dos dados mais recentes do governo federal, disponibilizados pelo portal Comex Stat.

Em fevereiro, as vendas externas do Estado totalizaram US$ 69.15 milhões e foram 6,81% melhores do que as do mês anterior (US$ 64.74 milhões), além de ficarem 7,37% acima do registro de exatos 12 meses atrás (US$ 64.40 milhões). Em paralelo, as importações do Amazonas contabilizaram US$ 945,24 milhões no mês passado, correspondendo a um acréscimo de 1,14% frente a janeiro de 2021 (US$ 934.57 milhões). O confronto com fevereiro de 2020 (US$ 804.62 milhões) apontou para um incremento ainda nas compras do Estado no exterior (+17,48%). 

A recuperação se refletiu nos números do bimestre, tanto nas operações de exportação quanto nas de importação. As vendas externas acumularam US$ 133.92 milhões, correspondendo a um aumento de 9,13% sobre o dado do mesmo período do ano passado (US$ 122.71 milhões). Em paralelo, as aquisições do Amazonas no mercado estrangeiro avançaram 7,43%, ao passar de US$ 1.75 bilhão (2020) para US$ 1.88 bilhão (2021), nos dois primeiros meses de 2021.

Insumos e manufaturados

As importações do Amazonas foram encabeçadas, como de costume, por insumos para o PIM. Os itens mais comprados foram circuitos integrados e microconjuntos eletrônicos (US$ 159.17 milhões), partes e peças para televisores e decodificadores (mais de US$ 132 milhões), platina (US$ 78.38 milhões), celulares (US$ 59.77 milhões) e polímeros de etileno (US$ 43.71 milhões). Assim como ocorrido no mês anterior, apenas os celulares apresentaram números piores do que os de fevereiro de 2020. 

A China (US$ 424.80 milhões) voltou a liderar a lista de países fornecedores para o Amazonas, no mês passado, com alta de 48,47% frente fevereiro de 2020 (US$ 286.12 milhões). Os Estados Unidos (US$ 97.18 milhões) ficaram em segundo lugar, sendo seguidos por Coreia do Sul (US$ 60.12 milhões), Taiwan (US$ 53.72 milhões) e Vietnã (US$ 49.11 milhões), entre outros. Repetindo a dinâmica de janeiro, apenas Taiwan conseguiu avançar na variação anual.

Do lado das exportações, o ranking foi encabeçado por preparações alimentícias/concentrados (US$ 13.27 milhões), com retração de 33,11% sobre o desempenho de janeiro de 2020 (R$ 19.84 milhões). Óleo de soja (R$ 11.31 milhões) despontou na segunda posição, sendo seguido por motocicletas (R$ 9.39 milhões), ferro ligas (R$ 6.62 milhões) e açúcares de cana (US$ 3.87 milhões) –com elevações para todos os itens, na base anual. 

A lista incluiu também outros manufaturados do PIM, como aparelhos de TV (US$ 2.84 milhões), que ficaram na sétima posição, graças à demanda de países como Argentina (US$ 1.53 milhão), Colômbia (US$ 654.480), Chile (US$ 437.990) e Uruguai (US$ 218.970). Barbeadores (quase US$ 2 milhões) compareceram na oitava colocação do ranking de exportações amazonenses, sendo destinados à Argentina (US$ 983.658), Colômbia (US$ 346.138) e Equador (US$ 326.521), entre outros países.

A Venezuela (US$ 24.97 milhões) renovou a liderança entre os destinos das vendas externas amazonenses, com expansão de 42,93% sobre fevereiro de 2020 (US$ 17.47 milhões). A Argentina (US$ 6.71 milhões) seguiu na segunda colocação, sendo acompanhada por Estados Unidos (US$ 6.37 milhões), Bolívia (US$ 5.52 milhões) e Colômbia (US$ 5.31 milhões) –sendo apenas este último país reduziu o volume de compras na comparação com o segundo mês de 2020.

Câmbio e vacinação

O gerente executivo do CIN (Centro Internacional de Negócios) da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Marcelo Lima, lembra que a variação mensal da passagem de janeiro para fevereiro costuma sofrer os impactos sazonais de uma base ainda impactada pelas negociações do fim do ano, assim como pelo menor número de dias no mês do Carnaval. Mas, o especialista ressalta que a pandemia e a escalada do dólar tornaram o período atípico, impactando nos resultados.

“Este ano, excepcionalmente, não tivemos o Carnaval e entendo que as negociações transcorreram normalmente, embora em um mês de 28 dias. Não teve aquela parada. Seria até de se esperar até uma pequena queda nas importações, o que não aconteceu. Comparando 2021, com o mesmo período do ano passado vemos uma variação positiva, mas temos de observar que as negociações são feitas em dólar e que a variação cambial foi bem significativa. Provavelmente, o pessoal comprou até um pouco menos, mas com moeda americana lá em cima. Além disso, a base de comparação do ano passado também registrou muitas oscilações, em virtude da pandemia”, ponderou. 

No que se refere ao ranking de destinos das exportações do Amazonas, o gerente executivo do CIN/Fieam observa que a Venezuela segue na liderança entre os principais compradores de produtos oriundos do Amazonas, graças à aquisição substancial de gêneros alimentícios e itens de higiene pessoal e saúde, graças a um acordo do país vizinho com atacadistas com sede em Manaus, que já dura mais de um ano. O especialista em comércio exterior reforça, entretanto, que nenhum dos produtos em questão é manufaturado no Estado.

“A Argentina retomou o segundo lugar, enquanto Colômbia e Bolívia continuam comprando muito da Zona Franca. Creio que os Estados Unidos estão em um patamar porque, além da pandemia, a mudança no governo norte-americano deve ter influenciado. Não sei quais serão as tratativas futuras do governo americano com o governo brasileiro no que diz respeito às relações internacionais. Espero que elas se desenvolvam em um ritmo acelerado, pois somos um potencial exportador para os Estados Unidos. Mas, creio que a tendência de nossas negociações internacionais é de crescimento gradativo, mediante a consolidação da política de vacinação, especialmente na América do Sul e nos Estados Unidos”, concluiu.

Foto/Destaque: Divulgação

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