7 de março de 2021

Zara fechará lojas no Brasil

A Zara, rede espanhola de moda fast fashion, deve encerrar a operação de pelo menos seis lojas. Fontes ligadas ao mercado relataram ao InfoMoney que os novos fechamentos farão o total de lojas brasileiras da Zara cair para 49.

Segundo o Valor Econômico, unidades já foram fechadas no Continente Shopping (São José, SC) e no Garten Shopping (Joinville, SC). No final de janeiro, deixarão de operar as lojas no Shopping Bosque dos Ipês (Campo Grande, MS), no Passeio das Águas Shopping (Goiânia, GO), no Uberlândia Shopping (MG) e no Golden Square Shopping (São Bernardo do Campo, SP).

As administradoras Almeida Júnior, Ancar e Aliansce Sonae confirmaram os fechamentos de lojas no Brasil ao Valor Econômico. Ainda de acordo com o jornal, a Zara já havia informado aos shoppings que esperava mais fechamentos em 2021.

Transformação digital, acelerada pela pandemia

A Zara chegou ao Brasil em 1999, com um plano ambicioso de alcançar 100 lojas. Segundo as fontes de mercado ouvidas pelo InfoMoney, a Zara realiza há sete anos um redirecionamento global de esforços para canais digitais. As lojas maiores incorporaram computadores para realizar a compra pelo e-commerce, por exemplo. Já as lojas menores estão sendo encerradas, tendo seu fluxo incorporado tanto pelas unidades maiores quanto pelo e-commerce Zara.com. Segundo as fontes, foi o caso das lojas brasileiras.

A digitalização idealizada há sete anos foi acelerada pela queda de resultados da marca espanhola durante a pandemia do novo coronavírus. De acordo com um estudo da consultoria McKinsey, a indústria da moda teria sofrido uma queda de 93% em seu lucro ao longo de 2020, ante uma alta de 4% em 2019.

O último balanço divulgado pela Inditex, referente ao terceiro trimestre de 2019, menciona que os resultados foram afetados pela crise na saúde. No período, 5% das lojas do grupo permaneceram fechadas e outras 88% tinham restrições no horário de funcionamento. O resultado líquido ficou em 866 milhões de euros, queda de 29% na comparação entre o terceiro trimestre de 2019 com o mesmo período de 2020.

Além da redução de fluxo nos centros de compras, outro agravante é que a Zara depende de importações, que são expostas à variação cambial. Com a moeda brasileira desvalorizada, os custos maiores se refletem nas roupas. A logística internacional também encarece os custos de distribuição e diminui a margem da Zara por aqui.

De acordo com o “índice Zara”, indicador criado pelo banco BTG para comparar o custo do vestuário para o consumidor em 50 diferentes países, ao levar em conta a paridade do poder de compra, os preços praticados por aqui foram 132% mais caros do que nos EUA em 2020. Só ficamos atrás de África do Sul, Rússia, Índia, Turquia, Tailândia e Vietnã.

Tendências: digitalização e sustentabilidade

Para minimizar o impacto da pandemia de Covid-19, a Inditex menciona em seu último balanço que trabalhou em otimizar estoque, logística e despesas de operação. Outra estratégia do grupo foi fortalecer a frente de vendas online, que cresceu 76% no terceiro trimestre de 2020.

Pablo Isla, CEO da Inditex, apresentou em junho do mesmo ano o plano para o grupo de moda até 2022, uma atualização dos esforços que começaram há sete anos. A estratégia envolve investimento de 2,7 bilhões de euros em transformação digital e sustentabilidade. As vendas online devem representar um quarto do total em três anos. Também até 2022, 1.200 lojas da Inditex devem ser fechadas, segundo o jornal britânico The Guardian.

Além do movimento de digitalização da moda durante a pandemia, a Zara também se encaixa na revisão do movimento fast fashion –coleções produzidas para consumo por impulso, assim como no fast food, e troca recorrente. A Forever 21, fast fashion para jovens, também anunciou neste mês o fechamento de todas as suas 11 lojas nos shoppings da rede Multiplan. O encerramento das operações já começou e vai terminar em fevereiro.

O foco das grandes marcas de moda está agora em manter a agilidade esperada pelos consumidores, mas combinada à sustentabilidade. Segundo a McKinsey, a “quarentena do consumo” acelerou mudanças de comportamento nos consumidores. Elas incluem a antipatia a modelos de negócio que geram desperdício –e o favorecimento das empresas que focam em digitalização, vendas sob demanda e design não limitado às estações do ano.

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