Vozes da Educação de Manaus – Parte 2

Dando continuidade à série “Vozes da Educação de Manaus”, hoje transcrevemos aqui uma entrevista, feita pelo sistema de troca de mensagens (WhatsApp), com o professor Dr. Amarildo Menezes Gonzaga, como segue.

“Sou um professor que ama o que faz. Nasci em Parintins, na década de 60. Venho de uma família de imigrantes nordestinos que, após terem passado por dificuldades nos seringais, desceram o Rio Solimões e fixaram residência na minha cidade natal. Sempre estudei em escola pública, superando muitas dificuldades financeiras e sociais, até chegar a realizar os meus sonhos.

Iniciei no magistério nos anos 80, ensinando crianças em um barracão de chão batido, nos fundos da minha casa. Ao terminar o magistério, prestei concurso público e ingressei no Estado no ano de 1985.

Do início da minha carreira até o presente momento, percebo muitas mudanças. Apesar de muitos avanços, tenho a impressão de que a escola não tem conseguido acompanhar. Muitos desafios precisamos enfrentar.

Escolhi ser professor porque é uma das formas mais brilhantes de ajudar as pessoas a descobrirem o mundo que está ao seu redor, a partir do exercício da leitura do mundo e da leitura da palavra. Nada paga encontrar com ex-alunos realizados em todos os aspectos. Tenho 36 anos de magistério e se tivesse que escolher ser professor, escolheria novamente.

Já me banhei em vários rios durante minha vida acadêmica. Max, Gramsci, Hegel, Sartre e Paulo Freire, por algum tempo me orientaram. Depois de alguém tempo, conheci Capra, Maturana, Morin e demais teóricos me ajudaram a mergulhar no rio do paradigma emergente. Nele, venho sustentando minhas crenças.

Do mais pitoresco ocorrido na minha profissão, posso considerar a realização de um sonho. Sou professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (IFAM) há 27 anos. Iniciei ali atuando no ensino técnico. E meu sonho sempre foi fazer doutorado para idealizar a graduação e a pós-graduação na instituição. 

Nos anos 2.000, coordenamos a criação e implantação do primeiro curso de graduação, o Tecnólogo em Produção Publicitária. E uma década depois, coordenamos a criação e implantação do projeto de mestrado em Ensino Tecnológico, e atualmente o de Doutorado em Ensino Tecnológico

O que alimenta o espírito de um professor é a leitura. Sendo assim, com a sua ausência, não há como transformar vidas de outras pessoas, e tampouco incentivá-las a alimentarem seus espíritos.

Estou em fase de desapego da profissão. Já se foram 36 anos de magistério. Pelas conquistas obtidas, e por ter atuado em todos os anos e níveis de ensino, estou abrindo meus braços para que a poesia venha e adentre em mim. Daí vamos ver o que virá.

A minha mensagem é a seguinte: viva intensamente o momento, na crença que só levaremos o vivido. Somente assim, quando olhares para trás, não sentirás vontade de voltar”.

Foto/Destaque: Divulgação

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