13 de abril de 2021

Volume de vagas deve sofrer redução de 15%

A evolução do emprego durante o primeiro bimestre na indústria local se ressentiu da queda acumulada de 17,90% nos investimentos fabris no período e caiu dos 106,72 mil postos observados, em 2008, para atuais 95,25 mil trabalhadores

A evolução do emprego durante o primeiro bimestre na indústria local se ressentiu da queda acumulada de 17,90% nos investimentos fabris no período e caiu dos 106,72 mil postos observados, em 2008, para atuais 95,25 mil trabalhadores, entre efetivos, temporários e terceirizados.
Os números divulgados nos indicadores industriais da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), entretanto, não contabilizam a defasagem de 40 dias, o que pode elevar a queda no número de contratações para algo entre 10% a 15% a mais em relação ao ano passado, segundo especialistas e empresários.
O presidente da Aficam (Associação das Indústrias e Empresas de Serviços do Amazonas), Cristóvão Marques Pinto, afirmou que o desaquecimento do setor componentista, que acumula perdas de 850 postos de trabalho no trimestre e que reduziu em 22% o quadro funcional em março, terá impacto direto na queda do volume de contratações durante o semestre. Com base nesse fato, Marques Pinto estima que o polo industrial fechará março com déficit de até 15% no volume de empregos em relação a igual período do ano passado. “As incertezas quanto aos desdobramentos do cenário externo, devido à crise financeira, levaram a essa redução da confiança do empresariado durante o trimestre e o setor de componentes se tornou o mais vulnerável na economia industrial”, explicou.
Marques Pinto disse ainda que o país, apesar de não estar imune, é uma das poucas instituições internacionais que ainda apresenta um quadro favorável para enfrentar a crise, sem maiores danos. O empresário fez questão de frisar que, no Amazonas, existe certa passividade diante dos efeitos da crise na indústria, o que torna a região momentaneamente instável para receber novos investimentos. “As empresas não podem produzir sem ter para quem vender e passam a reduzir sua capacidade produtiva de acordo com a demanda do mercado. Não se percebe uma política mais incisiva destinada à indústria local, por isso o enxugamento da máquina industrial é inevitável”, considerou.

Desvantagem tributária

Na análise do economista Álvaro Smont, as empresas nacionais estão deslocadas em relação à concorrência porque estão em desvantagem na área tributária. O especialista pontuou a necessidade do aumento do crédito ao setor industrial, sobretudo aos pequenos e médios empresários. “Num momento em que o país precisa manter os empregos, é preciso oferecer condições isonômicas para as empresas manterem a evolução da mão-de-obra. De que adianta oferecer vantagens somente a alguns setores, protelando outros?”, questionou.
Igualmente o empresário Rodrigo Welp, atuante no setor de duas rodas, explicou a involução da mão-de-obra no polo industrial como resultado da baixa confiança do investidor em relação a possível aumento na demanda por produtos finais neste semestre. O empresário concordou ainda que a involução da mão-de-obra atingirá entre 10% e 15% sobre os atuais números divulgados pela Suframa, podendo recuar a partir do segundo semestre. “Mais de 90% das nossas vendas, por exemplo, depende de financiamento bancário. Se os bancos negam o crédito, caem as vendas. Caindo as vendas, reduz-se a produção e a compra de insumos. Sem produção, o desemprego dispara nas linhas de montagem”, concluiu.
Mas o presidente do Si­naees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Ele­trônicos e Similares de Manaus), Wilson Périco, não concordou com a avaliação dos especialistas, dizendo que não há como comparar a realidade pré-crise do ano passado com a atual conjuntura. “São realidades muito particulares. Não dão espaço para comparações entre si. Sei que o emprego, a partir dos novos acordos firmados, deverá voltar à estabilidade ainda este semestre”, garantiu.
A opinião de Périco encontra eco nos números divulgados no início da semana pelo Sindicato dos Metalúrgicos, que apontou decréscimo de 24,09% no desemprego de março. Segundo o levantamento sindical, foram demitidos neste terceiro mês 1.449 operários contra os 1.909 destituídos em fevereiro. “Nesses cinco meses, perdemos mais empregos do que geramos, sem dúvida. Mas abril é um mês de recuperação para a indústria. Se continuar assim, pode-se dizer que não teremos um semestre tão ruim quanto o alarmado”, concluiu.

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