Volta da Quarta Frota faz país repensar estratégia,diz Mangabeira Unger

O ministro Mangabeira Unger (Secretaria de Assuntos Estratégicos) disse na quarta-feira que a reativação da Quarta Frota americana em águas latino-americanas amplia a importância de o Brasil reforçar seu “escudo de defesa”. Ele ressaltou que ainda não há indícios de que a Quarta Frota seja uma ameaça à soberania nacional, mas lembrou que o país deve repensar sua estratégia nacional de defesa contra agressões e intimidações.

Escudo de defesa

“Estamos acompanhando esse fato com muito interesse. Não há nenhum indício de ameaça ao Brasil, mas esse fato e muitos outros só reforçam a importância de o Brasil contar com seu escudo de defesa. Lembro que uma das razões principais para a formulação de uma estratégia nacional de defesa é contar com um escudo. Não apenas contra as agressões, mas também contra as intimidações. Se o Brasil quiser desbravar um caminho próprio no mundo, precisa não estar sujeito a qualquer intimidação”, afirmou Mangabeira durante o seminário “Instituições para inovação”, no Rio.
Para o ministro Mangabeira, o ponto principal da pauta é dar capacidade à Marinha de negar acesso ao Brasil a “forças inimigas”. “Esse é o objetivo prioritário”, frisou.

Aparelhamento militar

Mangabeira explicou que, em termos práticos, isso se resumiria, entre outros pontos, no desenvolvimento de força submarina, com unidades convencionais e de propulsão nuclear, e no aumento de capacidade de monitoramento da terra e do mar a partir do espaço. Ele acrescentou que o maior aparelhamento das Forças Armadas é um derivado disso.
“O tema é a reorganização e reorientação das Forças Armadas para que possam executar suas responsabilidades em circunstância de paz ou de guerra e o equipamento é um derivado disso. Surge como parte de discussão maior. Nunca tivemos, no Brasil, uma grande discussão nacional e civil a respeito da defesa. E estamos tentando ter”, observou.
Mangabeira disse que, no mundo atual, “os meigos precisam andar armados”, e que a formulação da estratégia nacional de defesa está em estágio avançado. Ele não descartou pleitear maior controle sobre o mar no Atlântico Sul, mas frisou que o objetivo imediato é ter capacidade de negação do mar a outras forças.
O ministro comentou também as discussões sobre possíveis mudanças no marco regulatório de petróleo e gás. Sem manifestar opinião pessoal, Mangabeira afirmou que ampliar o controle estatal não garante a manutenção dos interesses estratégicos.
“Assegurar a primazia de nossos interesses estratégicos não exigem, necessariamente, a nacionalização, o controle estatal. Há muitas maneiras de se fazer isso. E nós precisamos resolver essa questão sem preconceitos ideológicos”.

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