Volta da inflação são rumores, dizem especialistas

A temida volta da inflação, por conta da crise financeira internacional, é descartada, num primeiro momento, pelo representante do Cofecon-AM (Conselho Federal de Economia no Amazonas), Martin Azevedo. O economista Juacy Botelho também considera prematuro os boatos em torno do assunto, levando em conta que a crise dos Estados Unidos é ocasionada pela falta de crédito e prazo de pagamento.
A decisão do Banco Central tomada na última segunda-feira, de colocar mais R$ 100 bilhões na economia brasileira por meio de novas mudanças nas regras do recolhimento compulsório feito pelos bancos, é vista pelos dois especialistas como medidas de ‘proteção’ no intuito de disponibilizar crédito no mercado, que caminha para uma calmaria.
Segundo Martin Azevedo, a crise está afetando os negócios com bens duráveis, a exemplo de carros e apartamentos, que são financiados a médio e longo prazo. Quanto os produtos de primeira necessidade, como a cesta básica, o conselheiro disse que são obtidos com a renda do trabalhador que não caiu e nem tem previsão para que isso aconteça. “Ninguém financia cesta básica, o máximo que acontece é o consumidor comprar fiado, no cartão de crédito, para pagar no fim do mês quando recebe”, mencionou, ressaltando que, além disso, “quando se sente ameaçado com perda de renda, o consumidor normalmente reduz as compras ou troca por itens mais baratos”, completou.

Resultado positivo

De acordo com Martin Azevedo, em plena crise, os lojistas de todo o Brasil tiveram uma boa performance de vendas no Dia das Crianças, no último dia 12, isso porque, em sua maioria, foram comprados produtos que têm participação pequena na composição do índice de inflação.
O presidente do CDL-Manaus, Izra Azury Benzion, endossou o comentário de Azevedo sobre os negócios na data, ao comentar que pelo que conseguiu apurar ontem, extraoficialmente, os lojistas conseguiram atingir a meta de crescer 11,5% projetada para a data, quando comparada a igual período do ano passado. “O consumidor está criterioso, mas não deixou de presentear suas crianças por se tratar de produtos com valores acessíveis”, comentou.
Na opinião de Martin Azevedo, a crise pode afetar a economia mais adiante se esses setores começarem a perder mercado e houver redução de produção, ocasionando desemprego.
“A falta de emprego reduz renda, impedindo o trabalhador de adquirir os produtos básicos”, disse.
Joacy Botelho disse que várias previsões foram feitas nos últimos dias por comentaristas econômicos, entre as quais a de que a inflação vai atingir 6% no próximo ano, de que vão nacionalizar os bancos, etc. No entanto, o economista disse que tudo não passa de especulação, o que gera uma onda de insegurança à população. “Defendo que o melhor é esperar para ver o que acontece nos próximos cinco dias, afinal, o mercado está se acalmando”, ponderou o economista.
Em linhas gerais, Botelho disse que o grande problema da crise pode ser traduzido como falta de dinheiro. Ele disse que 25% das empresas brasileiras são financiadas com dinheiro do exterior e lá não tem dinheiro .
Noticiários econômicos do Banco Central dão conta de que, nas últimas semanas, o banco fez outras três alterações no compulsório que representaram, juntas, a liberação de outros R$ 60 bilhões na economia. Em agosto, o BC havia recolhido cerca de R$ 260 bilhões em todas as modalidades de compulsório. Vale destacar que o compulsório é a parcela do dinheiro depositado pelos clientes que os bancos precisam recolher junto ao BC, cujo mecanismo ajuda a autoridade monetária a controlar a quantidade de dinheiro que circula na economia.

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