Manaquiri (formiga de cabeça pequena: marah = animal roedor + kiri = cabeça pequena), é um município amazonense atualmente com mais de 30 mil habitantes localizado às margens de lago homônimo, abastecido pelas águas do Solimões.

Entrou para a história, em 1849, quando o cientista britânico Alfred Russel Wallace lá ficou por dois meses pesquisando peixes, insetos, aves e mamíferos. Naquela época Manaquiri era apenas uma fazenda pertencente ao português Antônio José Brandão.

Pois agora novamente o local estará sob a luz dos holofotes com o lançamento do livro ‘Meninos do Manaquiri’, do economista Osiris Silva, que será lançado dia 21, quinta-feira, no Centro Cultural Óscar Ramos.

Osiris é um dos mais profícuos escritores sobre a economia do Amazonas e da Amazônia com largo conhecimento para tal, pois é consultor de empresas, foi secretário Municipal de Economia e Finanças da prefeitura de Manaus, secretário da Indústria, Comércio e Turismo, e secretário da Fazenda do Amazonas. Sobre o tema Osiris já tem quatro livros lançados e mais um saindo do forno pela Edua (Editora da Ufam), ‘Da economia da borracha à Zona Franca de Manaus – uma análise comparativa’.

“Dos quatro livros, destacaria ‘Visão histórica’ e ‘Economia do Amazonas’, pelos quais o leitor pode viajar por nossa história e entender um pouco sobre a evolução da economia em nosso Estado”, disse.

Mas, de vez em quando, Osiris gosta de variar um pouco, sair de temas tão sérios e técnicos, e escrever romances nos quais conta histórias verídicas de sua vida. Foi assim em ‘Gymnasianos’, de 2011, reeditado ano passado, onde relembra fatos acontecidos quando adolescente estudante do Colégio Estadual, atual D. Pedro II, entre 1957 e 1965.

Agora, em ‘Meninos do Manaquiri’, ele volta ainda mais no tempo, meados da década de 1950, quando, de férias, ia para a fazenda do tio João Fonseca, na época, o maior construtor naval do Amazonas.

Um fio de bigode

“O livro é o resgate de um momento feliz vivido por um grupo de meninos”, falou.

‘Meninos do Manaquiri’, com boa dose humor, ironia, saudades e amor, narra uma viagem sentimental a um passado distante em que jovens adolescentes começam a descobrir-se e a suas circunstâncias fora do controle materno. No deambular por lugares a princípio não tão familiares, mas que, a cada viagem tornavam-se mais íntimos, os ‘Meninos do Manaquiri’ foram aprendendo a dar pleno valor aos perfumes da mata, aos cantos dos pássaros e ao mugido do gado no curral, ao despertar da floresta e aos encantos de rios e lagos que para eles eram prenhes de mistérios e mundos paralelos a descobrir.

“Foi um momento de aprendizado, de respeitar os mais velhos e as outras pessoas, do valor da honestidade, de uma pessoa ajudar a outra, da verdadeira amizade entre amigos, de construir uma consciência ecológica de respeito à natureza”, lembrou.

Era um tempo em que a honestidade de um homem estava acima de tudo. Que um fio de bigode valia mais do que qualquer contrato assinado.

“Quando meu tio João Fonseca pegava a encomenda de um barco, para construir, ele vinha a Manaus se abastecer de todo o material que precisaria: ferramentas, peças, mantimentos, e a dívida ficava. Só depois de terminado o barco, entregue para o dono e recebido o pagamento, é que ele voltava a Manaus e pagava a todos que ele devia. Esse tipo de comportamento, de um ser humano acreditar no outro, infelizmente está acabando. Isso, e muito mais, ficou marcado na minha mente de menino”, revelou.

Trechos do livro

Os moradores do Manaquiri: gente simples, ligada à terra, aos mistérios da floresta, a crenças religiosas, ao trabalho duro e a princípios inarredáveis de respeito e lealdade entre compadres, vizinhos, parceiros em ajuris para produção de farinha, no corte de madeira na mata para a construção das embarcações do Estaleiro São Bento, na pesca para a manutenção alimentar da família no dia a dia, na construção da Igreja do Andiroba.

A viagem ao Manaquiri, a casa da tia Lili, o Estaleiro, as pescarias noturnas com zagaia e poronga, espinhéis colocados na ponta sul da Ilha para ‘pegar’ aruanã ou tambaqui, as pescarias de caniço e canoas lentas que desafiavam as correntes quase ao sabor do vento, silenciosas para não fazer ‘banzeiros’ que pudessem afugentar os peixes ou os pássaros a serem caçados; as idas e vindas à vila do Andiroba aos domingos ou nas noites de quermesse dos arraiais da santa, configuram situações que encantaram e atraíram para sempre os ‘Meninos do Manaquiri’.

A maioria de nós jamais voltou a repetir as aventuras ali vividas. Restaram lembranças e saudades de um tempo em que estávamos vivos, plenos de vigor e capacidade de descobrir um mundo novo, personagens diferenciadas do dia a dia de nossos colégios, dos campos de pelada, das linhas com cerol usadas para empinar papagaios, as pipas que fazíamos elevar-se aos céus em busca de confrontos com os ‘inimigos’ que ameaçavam a integridade de nossos territórios e que, por isso mesmo, tinham de ser combatidos e ‘cortados’ para deixar o espaço livre de competidores.

Debalde, como Manuel Bandeira, ainda busco por aqueles tempos.

Serviço

O que: Lançamento do livro ‘Meninos do Manaquiri’, de Osiris Silva

Onde: Centro Cultural Óscar Ramos

Rua Bernardo Ramos, 69/77

Quando: Dia 21, quinta-feira, às 19h

Informações: 9 9995-1215

 

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