Volta ao trabalho depende do MPOG

Após mais de 40 dias de greve, com a retenção de mercadorias que não eram liberadas e geraram prejuízos para indústria e comércio, os servidores da autarquia preparam

um mutirão para a volta aos trabalhos. No entanto, o retorno ainda depende da assinatura do MPOG (Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão), que irá oficializar

o acordo.
O vice-presidente do Sindframa (Sindicato dos Servidores da Suframa), Anderson Belchior, explica que a ideia do mutirão é que os servidores consigam processar as

mercadorias no dobro da velocidade normal. “Faremos um mutirão em que pretendemos processar dois dias em um para resolver o problema do impacto provocado pela greve e

normalizar a situação”, conta.
Segundo Anderson, a situação das mercadorias deve ser normalizada em duas semanas. “Após a volta, pretendemos normalizar a situação em 15 dias, mas não deve passar

disso. Só estamos esperando a confirmação do acordo pelo Ministério do Planejamento. No dia seguinte, voltamos ao trabalho. Até agora não chegou nada”, ressalta.
Atualmente há o equivalente a 1.800 carretas pendentes com 36 mil toneladas de cargas que deveriam estar abastecendo o comércio e indústria de Manaus. A informação é

do Setcam (Sindicato das Empresas de Agenciamento, Logística e Transportes, Aéreos e Rodoviários de Cargas do Estado do Amazonas). Segundo o Secretário Executivo do

Setcam, Augusto Araújo Neto, no pico da greve chegou a ter mais de 2.700 carretas paradas. “Esperamos a volta dos trabalhos para desafogar as transportadoras, mas já

sentimos uma melhora nesta semana e houve essa diminuição nas mercadorias paradas”, comenta.
Em valores, o Setcam estima cerca de R$ 210 milhões em mercadorias paradas até o dia de ontem, sendo 78 milhões de mercadorias que vieram de transporte aéreo. Na

opinião de Augusto Neto a normalização levará mais de 60 dias. “Temos o problema com a Fucapi e o fim do contrato com os terceirizados. Foram 20 pessoas que saíram só

da Coordenadoria de Despacho. Aprecio a boa vontade dos servidores, que estão lá dentro e devem saber o que falam, mas não acredito em menos de 60 dias”, lamenta.

Indústria
Já os empresários de Manaus ainda não conseguem mensurar os prejuízos provocados pela paralisação. Na semana passada o Cieam (Centro das Indústrias do Estado do

Amazonas) chegou a estimar que os prejuízos poderiam chegar a R$ 300 milhões, no entanto, o número é apenas especulativo.
O 2º vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Américo Esteves, assume que o atraso da mercadoria provocou grandes prejuízos, mas não

acredita que cheguem a valores tão altos. “O prejuízo houve e não foi pequeno, mas não creio que chegue a um valor tão alto. Houve muita especulação e isso deixou os

empresários apreensivos. No meu setor, de alimentos, houve escassez de farinha de trigo em função da liberação e gerou um reajuste e uma especulação enorme, com a

greve se resolvendo não creio que chegará em valores tão expressivos”, conta
O presidente do Sinmen (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus), Athaydes Félix, conta que as grandes empresas trabalham com

um planejamento de seis meses. Por isso, apesar do incômodo gerado, tinham um suporte para segurar o prejuízo no período. “Houve um desconforto, dará trabalho para

readequar o planejamento. Uma apreensão. Mas não acho que seja algo tão drástico. O acúmulo de liberação de vias que dará muito trabalho. Algumas empresas poderão ter

algum tipo de problema. Mas o reflexo no faturamento será pequeno”, opina.

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