Vizinhos preocupam indústria

Enfraquecimento de negócios com sul-americanos preocupa setor industrial

A situação econômica de países vizinhos e grandes parceiros comerciais do Amazonas, como a Argentina e Venezuela preocupam entidades, como a Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas) e o Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), que apontam o fortalecimento do mercado brasileiro, para superar o enfraquecimento do comércio com os países sul-americanos.
Dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) apontam que de janeiro a agosto as exportações do Amazonas para a Argentina caíram 4,43%, passaram de US$ 180,5 milhões de janeiro a agosto de 2013 para US$ 172,4 milhões no mesmo período deste ano e as informações nacionais do Mdic (Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), também são pouco animadoras: em setembro a Argentina reduziu em 40% as compras no mercado brasileiro.
O ‘calote’ argentino é citado como um dos fatores que mais impactaram a indústria, porque o país é o maior comprador externo do PIM (Polo Industrial de Manaus). O presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Antonio Silva, conta que os concentrados para fabricação de bebidas produzidos em Manaus, ainda seguem na liderança, mas o súbito afastamento da Argentina e os problemas financeiros dos demais parceiros comerciais do Mercosul e outros países latino-americanos, causam preocupação.
De acordo com Silva, que também responde pelo Sindicato da Indústria de Bebidas em Geral do Amazonas, a crise é iminente. “Em junho tivemos a crise macroeconômica na Argentina que abalou todo o mercado nacional. Mas alguns negócios já estavam fechados, as vendas garantidas. Logo após foi a vez da Venezuela. É um caso um pouco diferente, apesar de muito parecido nos atrasos dos pagamentos e incertezas econômicas. Os insumos continuaram a ser enviados para evitar o fechamento da indústria venezuelana de refrigerantes. Mas aos poucos as fábricas vão deixando as remessas. E isto está sendo feito por todas e de todos os setores”, fecha Silva.
O presidente do Cieam, Wilson Périco não vê muita urgência em manter parcerias estagnadas. “A Argentina representa um grande mercado, mas não adianta insistir neste momento economicamente delicado”, disse. De acordo com Périco, o PIM deve se voltar para o mercado interno, que sempre é fortalecido nos fins de ano. “É aí que está a força do PIM, nos consumidores de produtos finais” conclui.

Brasil
Para a indústria do PIM, que pouco exporta, os números da balança comercial brasileira, apesar de danosos, não atingem tanto pelo fato das maiores exportações estarem nos manufaturados. Os últimos números nacionais apontam para um deficit na balança comercial brasileira, que ultrapassaram a casa dos US$ 900 milhões em setembro. Em comparação com o mesmo período do ano passado isso representa 10,2% de queda. Ainda sem os dados locais definidos pelo Mdic, algumas lideranças do Estado comentam o atual período, que oscila com as eleições e questões macroeconômicas e mercadológicas.
A falta de vocação do PIM como exportador, não causará para o Amazonas, o mesmo impacto que causa em outros polos fabris do país. Segundo o presidente do Cieam , Wilson Périco os principais itens da balança comercial brasileira não fazem parte do “cardápio” oferecido pelo Estado. “Os oito primeiros itens são de insumos básicos, com o aço, soja e outros. Como trabalhamos pouco com estes produtos, devemos nos preocupar mais com o mercado interno e de bens finais”, resume.

União Europeia
Quanto aos negócios com a Europa, para o presidente da Fieam, o mercado europeu é algo distante, mais que geograficamente, com poucas intenções de negócios. “Não há muita coisa sendo feita em relação à União Europeia. O bloco está fraco economicamente e espera resolver seus próprios problemas” disse Silva. Segundo dados do Mdic, as exportações brasileiras para a UE em setembro foram de -5,1%. Outros mercados estrangeiros também pontuaram negativamente. A China ficou em -3% e Oriente Médio e África em -2,9% e -12% respectivamente.

Período de incertezas
Outro ponto de concordância entre as lideranças é a questão eleitoral que causa incertezas no mercado exterior. “O próximo governo federal deve implantar e com urgência uma nova política industrial, que seja clara e definitiva. O momento é de reflexão e ansiedade. Este modelo que aí está é cansado, o que faz com que o comprador ponha o pé no freio”, afirma Silva.
Uma política industrial que reduza o risco-país é algo que alavancaria o ingresso de mais recursos estrangeiros no Brasil, explica Périco. “Há uma grande desconfiança quanto aos rumos que o país vá tomar daqui em diante e isso precisa ser definido. Para fortalecer o mercado é necessário que se defina quais produtos têm este atrativo externo e trabalhá-los. A relação entre o que vendemos e importamos é danosa. Enviamos os insumos e estes nos voltam como manufaturados, com preços altíssimos. Muito pode ser feito aqui mesmo,” finaliza.

Cultura exportadora
Com um grande apelo ecológico para o mundo, o Amazonas precisa ampliar sua visão para a cultura exportadora em todas as áreas de mercado. É o que afirma o gerente-executivo do CIN (Centro Internacional de Negócios do Amazonas), Marcelo Lima. Por meio do Centro, o Sebrae-Am (Serviço de Apoio as Micros e Pequenas Empresas do Amazonas) e a Fieam preparam o 1° Seminário de Difusão da Cultura Exportadora. Lima explicou que o evento tem como objetivo incentivar a cultura exportadora entre os empresários do Amazonas por meio das ações do PNCE (Programa Nacional da Cultura Exportadora) no Estado, que é coordenado pelo Mdic.
Inicialmente, o evento seria apenas um Workshop, mas a ideia de que o evento se tornasse algo cultural no Estado fez com que, o evento se transformasse em um seminário, disse Lima. “Se o nosso objetivo é que a cultura de exportação na região seja consolidada devemos pensar em algo que acontecerá periodicamente. A cultura de exportação precisa ser enraizada em nossa região. Apesar do nosso grande apelo ecológico, não temos explorado as grandes possibilidades de exportações em diversas áreas”, completou.
De acordo com Lima, a maioria dos empresários amazonenses ainda prefere investir somente no mercado nacional. “O foco dos empresários ainda é o mercado interno. Com essa visão acabam perdendo oportunidades incríveis em mercados externos. O Ministério da Indústria tem um programa que visa formar a cultura de exportação e nós temos o dever de incentivar isso aqui no Amazonas”, frisou.
O evento tem como parceiros, Seplan (Secretaria de Estado de Planejamento e Desenvolvimento Econômico) e Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) e tem como convidados representantes do Mdic e Correios. Pequenas e médias empresas são o público alvo do evento. O seminário será realizado no auditório Auton Furtado Júnior, na sede da Fieam, na avenida Joaquim Nabuco, no dia 30 de outubro, das 14h às 17h30.

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