8 de maio de 2021

Vitor Gadelha consegue cobrir 48 km do Bisa, no Rio de Janeiro

Nunca um amazonense nadou tanto, em tão pouco tempo, como fez o ultramaratonista Vitor Gadelha, 23, no último dia 21, no Rio de Janeiro. Ele quase circundou a Ilha Grande em 17h, num percurso de 48 km, competindo na primeira edição do BISA (Big Island Swimming Association). Somente outro atleta conseguiu repetir o feito de Vitor. Na tarde de quarta-feira, 27, o jovem voltou a Manaus, onde pretende se manter em isolamento por causa da pandemia.

Vitor Gadelha nadou percurso de 48 km, competindo na primeira edição do BISA

“Por enquanto não tenho nenhum novo objetivo em mente. Quero primeiro descansar um pouco dos 48 km, que me exigiram bastante, além disso, como voltei de viagem nessa situação em que se encontra Manaus, ficarei alguns dias em isolamento e ainda não sei quando voltarei aos treinos”, disse.

A marca histórica conquistada por Vitor ainda repercute na mídia especializada em maratonas aquáticas pelo Brasil. No Rio, ele participou da gravação de um documentário sobre maratonas aquáticas, além de ter sido destaque em veículos especializados da modalidade, como é o caso do Swim Channel.

A marca histórica conquistada por Vitor ainda repercute na mídia especializada 

“Não esperava que a prova tivesse toda essa repercussão. Gente que eu nem conhecia entrou em contato me parabenizando pela prova. Fico muito feliz em disseminar o nome do Amazonas, e também ajudar a divulgar o esporte maratona aquática em todo o Brasil. É um orgulho muito grande poder fazer isso”, falou.

Para concluir os 48 km do BISA, Vitor precisou nadar 17h, ininterruptamente, em águas oceânicas.

“Durante as ultramaratonas (provas acima de 15 km), nós não temos pausas para descanso. Temos apenas algumas pausas rápidas para fazer alimentação, ou hidratação, que levam em média de 20 a 30 segundos. No meu desafio, fiz cada hidratação a cada 30 minutos. Não esperava que daria 17h01min de prova, mas estava bem concentrado o tempo todo e isso me ajudou bastante”, revelou.

O perigo das águas-vivas

A dinâmica de uma ultramaratona é peculiar. Por ser um desafio individual, não há outros atletas participando no evento no mesmo dia e horário. A organização pede que o atleta inscrito para o desafio tenha disponibilidade de uma semana antes que aconteça a prova.

O Bisa foi lançado em agosto passado, por Renato Ribeiro, treinador de maratona e ultramaratona aquática, e pretende se estabelecer como um dos maiores eventos de ultramaratona do mundo. As diversas provas aconteceram na Ilha Grande, área com 113 praias, declarada Patrimônio Natural e Cultural da Humanidade, pela Unesco, devido à sua riqueza natural.

“No meu caso, o nado de 48 km (que equivale a meia volta na Ilha Grande, pelo alto-mar) poderia ocorrer em qualquer dia entre os dias 20 e 26 de janeiro. No dia anterior à largada (que ocorreu dia 20), a organização fez uma ligação informando que seria naquela noite. No horário acertado, eu e minha equipe fomos para o local combinado. A largada do meu desafio foi às 00h13. Devido às condições climáticas e o percurso levar bastante tempo para ser concluído, tudo ocorreu de madrugada”, lembrou.

Não bastasse estar nadando de madrugada, na escuridão da noite, em águas frias, o atleta ainda teve que enfrentar um perigo constante nas águas marinhas, as águas-vivas, belo, porém, perigoso animal que solta uma toxina. Em contato com a pele essa toxina pode provocar irritação semelhante a uma queimadura e, em pessoas alérgicas, pode levar à morte.

“A organização do Bisa prezou muito pela segurança dos atletas, mas logo que amanheceu passei por muitas águas-vivas. Não é algo que pudesse me impedir de completar o percurso, mas chegaram a me queimar. Nesse caso não tem muito o que fazer. Perdi a concentração por um tempo devido a isso, mas o pessoal da organização, junto com meu pai e meu treinador que estavam no barco, conversaram comigo, me acalmaram e foi quando voltei ao ritmo de prova”, lembrou.

Esperança para as pessoas

Em 29 de dezembro passado, Vitor Gadelha foi matéria no Jornal do Commercio. Na ocasião ele batalhava para conseguir apoio financeiro a fim de bancar sua participação no Bisa. O rapaz vendia 48 camisas personalizadas, correspondente a cada um dos 48 km que pretendia nadar, e cada apoiador teria seu nome gravado na camisa.

“Consegui vender todas as 48 camisas, além disso ainda tive o apoio da Samel e do Manaus FC, clube do qual sou atleta. Estes entraram como patrocinadores do desafio. Isso ajudou bastante nos custos da viagem e da inscrição, que são muito elevados. Não vou citar nomes, porque são muitos, mas todos que me apoiaram são grandes amigos. Sem essa ajuda deles, o desafio seria bem mais difícil”, afirmou.

Ao final da prova, Vitor ganhou um certificado de conclusão do percurso e um troféu, que podem ajudá-lo a conseguir novos patrocinadores e mesmo servir de passaporte para futuros desafios onde seja necessário um currículo com provas desse tipo.

“Estamos passando por um momento muito difícil, muito duro. Espero, de alguma forma, estar levando esperança para as pessoas por meio do esporte. Acredito que é a nossa missão. Meu sonho é trazer cada vez mais gente para praticar e perder o medo de nadar em águas abertas”, finalizou.

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