7 de maio de 2021

‘Visão JCAM’ estreia com tema mineração no Amazonas

O potencial mineral do Amazonas volta a ser tema de uma ampla discussão. Seguindo essa tendência, o Jornal do Commercio inaugurou, ontem, um programa ao vivo na sua plataforma de Web TV denominado “Visão JCAM”, com uma live mensal que vai enfocar assuntos de grande interesse econômico da região com a participação de especialistas. Até o final do ano, serão realizados pelo menos mais três encontros com essas temáticas, que vão se estender ao longo de 2021.

Nesta segunda-feira (21), a pauta foi ‘Mineração, óleo e gás’. O evento reuniu o superintendente da Suframa, Algacir Polsin, o superintendente-adjunto de Planejamento e Desenvolvimento Regional da autarquia, coronel Manoel Amaral, os geólogos Jorge Garcez e Daniel Nava e o presidente da Cooperativa de Garimpeiros da Amazônia, Geomário Sena. O jornalistas Fred Novaes e Caubi Cerquinho e ainda o superintendente do JC, Adalberto Santos.

O palco do encontro foi o Empório do Dedé, no Manauara Shopping, hoje uma referência em termos de bebidas e gastronomia regional. Os jornalistas Caubi Cerquinho e Fred Novaes intermediaram as discussões entre os expertises presentes.

O objetivo das lives é apontar as potencialidades da rica biodiversidade que esconde em seu subsolo minérios capazes de viabilizar uma nova matriz econômica para fortalecer as atividades da ZFM (Zona Franca de Manaus). Desde o advento do projeto, o assunto vem sendo alvo de intensos debates no Estado. Além dos debates de alto nível durante a live, o Jornal do Commercio vai realizar uma série de reportagens com o selo “Visão JCAM” estendendo os temas abordados com um tempo limitado no programa. “A ideia é ampliar o debate com maior capilaridade de fontes que retroalimentam novas discussões”, explicou o diretor de Redação do Jornal do Commercio, Fred Novaes. 

O superintendente Algacir Polsin ressaltou que a Suframa supervisiona, hoje, 13 temáticas focadas nos recursos naturais para incrementar a economia do Amazonas. E uma delas é o turismo que, muito antes da pandemia, chegou a receber aproximadamente 6 milhões de turistas em determinadas épocas de anos. Depois disso, virão outros novos segmentos que prometem alavancar as atividades econômicas, segundo ele. E que estão sob intensa avaliação por técnicos da autarquia.

“A Suframa não quer direcionar o desenvolvimento só pela indústria eletroeletrônica, mas também permitir a viabilização de novas matrizes econômicas que virão com a exploração autossustentável dos recursos minerais, uma forma de expandir os benefícios para o interior do Estado”, ressaltou o superintendente.

O coronel Manoel Amaral salientou que a Suframa está sempre aberta para discussões e instalações de novos empreendimentos com foco no desenvolvimento dos Estados dentro de sua área de abrangência, principalmente o Amazonas. “Esses assuntos são de grande interesse da autarquia”, disse.

O geólogo Daniel Nava, que já foi secretário de Estado da Mineração, abordou questões que aponta como grandes gargalos na legislação ambiental para atrair novos investimentos nacionais e estrangeiros de empresas interessadas na exploração das riquezas do subsolo. Algo que acontece com empreendimentos como a recuperação da BR-319 cujas obras ainda estão empacadas até hoje devido a restrições ambientais.

Segundo Nava, o Amazonas perde muito dinheiro, desperdiça grandes oportunidades de geração de novos empregos e renda, por não explorar o potencial mineral, principalmente o potássio, hoje um insumo importante para as atividades do agronegócio, que responde atualmente por mais de 60% do PIB brasileiro.

“Apenas nos limitamos a exportar a matéria-prima que volta mais tarde como produto agregado. Então, por que não investir nesses dois elos da cadeia produtiva, uma atividade que promete fortalecer ainda mais a ZFM, que desde os anos 1960 vem representando a principal receita do Estado”, questionou Navas. “Vamos valorizar mais essa nova vertente econômica que se somaria às indústrias aqui instaladas”, acrescentou o geólogo.

‘’Legislação ultrapassada’

Jorge Garcez compartilhou do mesmo raciocínio de Nava. E criticou organismos nacionais e internacionais que veem a exploração mineral na Amazônia somente focada no ouro, como uma atividade altamente prejudicial ao meio ambiente.

“Existem outras formas de explorar esses recursos naturais, não só o ouro, mas também grandes jazidas de centenas de minérios, como o gás natural, que podem potencializar a economia do Amazonas, tornando-a mais competitiva no cenário nacional e internacional”, disse Garcez. “Tudo de forma autossustentável”.

Jorge Garcez defendeu mudanças na legislação que criou a ZFM nos anos 1960, Na sua visão, ela não atende mais às necessidades do projeto de desenvolvimento, está extremamente desatualizada. Ele ressaltou que muitos investidores acabam desistindo de projetos industriais por encontrar muitas restrições para empreender novos negócios na região.

“A ZFM não deve se limitar agora só à indústria. Ao contrário, é necessário expandir o desenvolvimento em direção ao interior. Daí a importância de se viabilizar uma nova matriz econômica com base na mineração, que rende muito mais do que o próprio turismo”, acrescentou o geólogo.

Em resposta, o superintende Algacir Polsin disse que a Suframa não deve só se limitar ao desenvolvimento do Amazonas. Ao contrário, seu trabalho envolve também os outros Estados da Amazônia Ocidental que fazem parte de sua área de atuação.

“É um assunto amplo, muito além do que possamos avaliar em toda essa conjuntura econômica e social. O que o Amazonas demanda não necessariamente é uma prioridade no Acre, em Roraima, Rondônia e até no Amapá”, argumentou o superintendente. “É preciso avaliar com cuidado, com muita sinergia, observando todas essas características, peculiaridades regionais”, afiançou.

Já Geomário Sena questionou entidades nacionais e internacionais que jogam a culpa no garimpo de ouro pela contaminação dos rios por mercúrio. Segundo ele, a substância que é extremamente nociva ao potencial hidrográfico vem de outras fontes – atividades de extração mineral que não o ouro e até da indústria em geral.

“Ao contrário, pesquisas constataram que o mercúrio encontrado nos rios da Amazônia não tem como origem as atividades de garimpo. A contaminação vem de outras atividades industriais”, garantiu.

Segundo Geomário Sena, o garimpo é uma atividade que gera hoje muito lucro, ao contrário do que se vê no turismo, tão defendido pelas autoridades ambientais e governamentais. E os benefícios em termos de arrecadação, geração de empregos e renda à população superam em muito o que registram outros segmentos econômicos.

Ele ressaltou que uma simples cozinheira chega a ganhar até R$ 5 mil por mês. “Qual a empresa, comércio, indústria ou outro segmento que paga um salário assim para esse trabalhador”, salientou. “O garimpo pode ser a boa contrapartida econômica que esperam  o Amazonas e toda a Amazônia”, acrescentou.

Agenda Visão JCAM

19 de outubro – Bioeconomia e a indústria 4.0

9 de novembro – Agronegócio Sustentável na Amazônia

14 de dezembro – Turismo regional com viabilidade econômica

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