Há males que vêm para o bem, é o que estão pensando os produtores e comerciantes de vinhos em todo o mundo. O consumo da bebida cresceu 18,4%, no Brasil, em 2020, segundo a OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho). O país passou de 360 milhões para 430 milhões de litros entre 2019 e 2020. A tendência está em alta no país e no mundo devido ao isolamento social. Ainda assim, o brasileiro consome somente 2% da fatia mundial de vinhos. A maioria das compras está sendo feita por e-commerce, mais seguras e práticas. O Jornal do Commercio ouviu a CEO da loja de vinhos Bacozon, Dayane Casal, para saber se a tendência mundial se repete em Manaus, mas ela, que se define como uma apaixonada por vinhos, falou muito mais.

Jornal do Commercio: Em Manaus houve aumento no consumo de vinhos no ano passado em relação a 2019? 

Dayane Casal: Sem dúvida houve um forte aumento no consumo de vinhos e, sobretudo, nos vinhos nacionais, que participaram com um número expressivo para esse dado em 2020. Talvez um dos motivos, que tenha contribuído para isso, seja o câmbio elevado. Outro aspecto para avaliar foi que no período da quarentena de 2020 houve um registro no pico de consumo. Nesse primeiro trimestre de 2021 os dados mostram que o consumo em nível nacional de vinhos continua aquecido registrando um aumento de 3% comparado aos meses do primeiro trimestre de 2020. Surgem algumas dúvidas pelos especialistas no setor vinícola nacional de que um enorme desafio será acompanhar o aumento da demanda ocorrido em 2020, já que há vários aspectos importantes e diferentes agora em 2021 como cenários econômicos, socioeconômicos e até psicológicos. 

JC: Com esse aumento do consumo, também as pessoas estão se acostumando e aprendendo a degustar um bom vinho? 

DC: Sim, é uma bela oportunidade de aumentar o leque de provas e poder melhorar as suas percepções sobre essa magnífica bebida de Baco. Falar de um bom vinho tecnicamente é avaliar aspectos intrínsecos a uma boa acidez, excelente estrutura e bom equilíbrio de tanicidade, no caso dos tintos. Já nos espumantes, podemos dizer que um bom espumante tem sempre perlages finas e persistentes, deslizam na taça em forma de cordão e até formam uma coroa, tem uma boa acidez e faz um mousse na boca.

JC: É verdade que os polifenóis existentes no vinho podem ser poderosos aliados no combate às doenças neurodegenerativas? 

DC: Li recentemente uma pesquisa denominada ‘Wine Polyphenols and Neurodegenerative Diseases’ na qual os dados indicam que os polifenóis presentes no vinho podem ter potencial neuroprotetor em retardar o início de doenças neurodegenerativas. Sem dúvida isso é fantástico, pois eu já havia lido em outros estudos a ação desses compostos em ativar o cérebro para melhorar a produtividade e até a criatividade.

JC: O que são os cristais de bitartarato de potássio? Em quais vinhos eles podem ser encontrados e por que são importantes para a saúde? 

DC: São substâncias que podem estar presentes em sucos de uva, com qualidade premium, e em também alguns vinhos. O potássio está presente de forma natural como um micronutriente nos sucos de uva integrais ou em vinhos e são bem importantes para a nossa saúde. Quando submetidos a baixas temperaturas, eles diminuem a solubilidade, fazendo com que, por saturação e atração química, sejam formados cristais de bitartarato de potássio, que precipitam e se acumulam no fundo das garrafas de suco de uva, assim como de alguns vinhos. Então quando você encontrar essas maravilhas no seu suco de uva ou vinho, não se assuste, pois são compostos que confirmam que o produto é bom.

JC: Então o vinho, mais do que as outras bebidas, se tomado moderadamente, é um poderoso ‘remédio’? 

DC: Sim, um verdadeiro alimento nutracêutico. Na Europa, faz parte das refeições e aqui no Brasil as pessoas têm começado a se informar sobre os inúmeros benefícios dele para nossa saúde e consequentemente o estão introduzindo nas suas rotinas, mas vale lembrar sempre da frase célebre pronunciada pelo médico e físico suíço-alemão Paracelso, no século 16: “a diferença entre o remédio e o veneno é a dose”, portanto o consumo deve ser moderado e frequente.

JC: Nesse tempo de muitas chuvas, em Manaus, quais horários e quais vinhos você indica para o manauara? 

DC: Diferente de países de clima temperado, que possuem as quatro estações e que com isso há uma determinada inclinação para o consumo de certos vinhos, em tais estações, aqui na Amazônia não poderíamos seguir isso já que o clima quente é o ano todo, mesmo em época de chuvas. Portanto, recomendo aos amazônidas, muito mais do que se basear no clima em si, que se deva criar um norte através da harmonização (comida e vinho) e também com seu estado de espírito. Gosto de consumir minha dose diária de resveratrol na minha principal refeição do dia, que geralmente é o almoço. Nela faço a harmonização da melhor escolha do vinho com o alimento que irei ingerir. 

JC: Atualmente a Bacozon tem vinhos de quantos países em sua adega? Particularmente você tem preferência pelo vinho de algum, ou alguns, desses países? 

DC: A Bacozon é uma empresa recente que tem alguns pilares de trabalhos com a escolha dos rótulos que introduz no portfólio, portanto, temos orgulho de ter um variado leque de vinhos de diferentes lugares do mundo para ofertar aos amazônidas, e também ao Brasil. Hoje possuímos rótulos da Geórgia, Macedônia do Norte, Eslovênia, Alemanha, Itália, França, Espanha, Portugal, Chile e Brasil. Sou suspeita para falar de preferência, pois a minha verdadeira preferência é por vinho de qualidade.

Foto/Destaque: Divulgação

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