Vinho em momentos de isolamento

Desde o dia 22, e por toda a primeira semana de junho, é celebrada a Semana do Vinho, período escolhido pela Wine Revolution, formada por um grupo de empreendedores (e apreciadores de vinhos), de São Paulo, para refletir sobre a valorização da bebida produzida no Brasil. Para festejar o acontecimento o professor do Senac na área de bebidas, Agilson Gavioli; e a arquiteta Mirian Gurgel lançaram o livro ‘Vinho com design’, sobre cujo conteúdo Agilson falou ao JC.

“Até o início da Era Moderna o vinho foi uma bebida restrita aos senhores feudais, os proprietários de terras, e comercializado entre essa classe dominante em barricas. Somente a partir da Revolução Industrial, que permitiu o envase da bebida em garrafas produzidas industrialmente, é que o comércio se expandiu e, desta maneira, permitiu que o consumo fosse disseminado a uma maior parte da população, inicialmente aos mais ricos e depois lentamente para as demais pessoas, por isso até hoje tem esse status de glamour e de bebida nobre”, esclareceu.

Pouca gente sabe, mas foi só a partir da década de 1970 que a bebida saiu da Europa e ganhou o mundo.

“Em 1976 aconteceu uma degustação em Paris, promovida por um inglês, Steven Spurrier. Esse comerciante tinha uma loja de vinhos e mostrou que a bebida produzida fora do continente europeu tinha qualidades iguais, ou até superiores. Dessa maneira mostrou ao mundo as possibilidades dos vinhos de outras regiões do planeta, tais como os americanos e australianos. Assim ajudou no desenvolvimento vitivinícola do chamado Novo Mundo Vinícola”, lembrou.

O melhor vinho

Em ‘Vinho com design’, Agilson e Mirian confirmam que a produção de vinhos no Brasil deu um grande salto de qualidade nos últimos 40 anos.

“Para uma bebida milenar, somos ainda muito jovens e a nossa produção melhora ano após ano. Tivemos a proibição imperial de produzir vinhos com a chegada da Família Real Portuguesa, em 1808, o que atrasou nossa industrialização”, lamentou.

Somente com a chegada dos imigrantes no final do século 19 é que houve a retomada da produção, inicialmente para consumo próprio e familiar com uvas americanas, os chamados vinhos de mesa ou colonial. A partir da década de 1970, com a chegada de algumas multinacionais, começou a produção dos vinhos finos, feitos com as uvas vitiviníferas, próprias para produzir vinhos de qualidade.

O Brasil produz pouco se comparado aos países tradicionais e essa produção não seria suficiente para suprir o mercado que ainda é pequeno. Novas áreas de produção estão sendo prospectadas e trazendo bons resultados, como as do Vale do São Francisco, no Nordeste, do Cerrado e planalto central, próximo a Pirenópolis. Também tem na Serra da Mantiqueira, entre Minas e São Paulo, Bahia, Santa Catarina e a Campanha, no limite sul do Brasil divisa com o Uruguai.

“Para este momento de isolamento social o melhor vinho é aquele que te faz feliz, seja ele barato ou caro, tinto, branco ou rosé. Espumante ou não. O importante é aproveitar este momento de isolamento e fazer de cada garrafa aberta um momento de aprendizado, buscar informações sobre a região de produção daquela garrafa, das uvas que originaram o vinho e do estilo dele”, ensinou.

“Faça do vinho não apenas a bebida que acompanha as refeições, mas um alimento tanto da alma quanto do corpo, estudando e, assim, percebendo todas as suas qualidades, observando seus pequenos defeitos para escolher aqueles que melhor te satisfaçam. Este isolamento pode ser o momento de reflexão para ir buscar esse conhecimento tão logo possamos retomar a normalidade”, afirmou.

Fonte: Evaldo Ferreira

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