Vilões do desmatamento avançam

Madeireiras clandestinas e a criação de gado são hoje os principais motivos de desmatamento da maior floresta tropical do mundo, segundo informações do Ministério do Meio Ambiente. “É preciso que os produtores rurais façam uso do manejo e melhoramento de pastagem para uma produção sustentável”, afirmou Francisco Oliveira, diretor do Departamento de Políticas para o Combate ao Desmatamento.
De acordo com ele, já foi comprovado através de estudos enquanto o produtor tem meia cabeça de gado por hectare, sendo que com até quatro cabeças ele produziria a mesma coisa. “Ele acaba expandindo a área sem necessidade, enquanto produziria da mesma forma com um espaço menor”, comenta Oliveira.
Entre janeiro e março de 2012, satélites detectaram a perda de 389 km² da cobertura florestal, número que é 188% maior se comparado ao mesmo período de 2011 (135 km²). Porém, o diretor explica que os dados não representam um crescimento no desmate, já que, a redução da quantidade de nuvens durante o período sobre o bioma amazônico facilitou a fiscalização feita por sensoriamento remoto. “No trimestre do ano passado a quantidade de nuvens era maior o que prejudicou a visualização do desmatamento naquele período”, disse.
O diretor informa que dos 6.238 km2 desmatados, no período de agosto de 2010 a julho de 2011, rastreados pelo satélite Deter (Sistema de Detecção em Tempo Real) do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), cerca de 50% era no Pará, ao longo da Transamazônica e na BR-163. Em segundo lugar, aparecia o Matogrosso, com 18% e, em terceiro, o Estado de Rondônia, com 14%, com maior concentração em Porto Velho e Machadinho D´Oeste. “E o Amazonas aparecia em quarto lugar, com os municípios de Lábrea e na Boca do Acre, com maiores incidências de desmate”, informou Francisco.
Já de agosto de 2011 até março deste ano, os dados apontados mudaram consideravelmente. Para se ter uma ideia, 637km2 de floresta foram desmatados em Mato Grosso, fazendo com que apareça em primeiro lugar do ranking com maior devastação dos últimos meses. Se comparado com o mesmo período do último rastreamento do Inpe, houve um aumento de 96% na devastação da cobertura vegetal no Estado, quando foram desmatados 326 quilômetros quadrados.

Lista negra dos que mais desmatam

Oliveira conta que onde ocorre grande parte desses desmatamentos, os municípios passam a serem monitorados mais de perto e por conta disso acabam entrando para a lista criada pelo Ministério do Meio Ambiente. Para sair dela ele vai precisar reunir mais de 80% das propriedades com registro no Cadastro Ambiental Rural, além de reduzir o desmatamento a menos de 40 quilômetros quadrados no ano.
Ou seja, na prática, é como se a cidade inteira estivesse com o “nome sujo” na praça, sendo proibida a autorização para qualquer novo desmatamento, mesmo nos casos em que a legislação ambiental permite. Além disso, os produtores desses municípios ficam sujeitos às restrições de crédito agrícola.
O diretor fala que o Cadastro Ambiental Rural serve para conhecer o dono de cada pedaço de terra e com isso mais fácil de monitorar. “Isso é importante porque não tem como fiscalizarmos toda a Amazônia ao mesmo tempo, é cerca de 750 municípios, por isso focamos onde o desmatamento está acontecendo, onde a incidência é maior, dessa forma temos condições de intervir ainda no início”, declarou Francisco.

Efeitos decorrentes do desflorestamento

A erosão e a compactação do solo e a exaustão dos nutrientes estão entre os impactos mais óbvios do desmatamento, segundo Philip Fearnside, pesquisador do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia). Ele destaca que a produtividade agrícola cai na medida em que a qualidade do solo piora, embora um patamar mais baixo de produtividade possa ser mantido por sistemas tais como a alternância de cultivo.
A adição contínua de cal, adubo e nutrientes pode conter a degradação, mas as limitações de recursos físicos e econômicos tornam o uso desses produtos inefetivo para grandes áreas longe dos mercados urbanos. “O desmatamento acaba com as opções de manejo florestal sustentável tanto para os recursos madeireiros quanto para os farmacológicos e os genéticos”, salientou o pesquisador.
A perda da biodiversidade é outro efeito devastador do desmatamento. Para Philip o impacto é muito maior em áreas com pouca floresta remanescente e altos níveis de endemismo, como a Mata Atlântica. “Se o desmatamento da Amazônia continuar até próximo de sua completa destruição, os mesmos níveis de risco à biodiversidade serão aplicados à essa região”, disse.
E há ainda, as emissões de gases de efeito estufa maior causador do aquecimento global. De acordo com Fearnside o Brasil precisa mover-se rapidamente para assumir a liderança no esforço para travar o aquecimento. “É um dos países que têm mais a perder com esse efeito, detentor da opção menos dolorosa para reduzir significativamente as suas emissões – reduzindo o desmatamento”, concluiu.
O pesquisador conta que o aquecimento global deve alterar o equilíbrio entre formação e oxidação de matéria orgânica, levando muito do carbono armazenado a escapar. Isso é muito grave, porque há um grande estoque de carbono no solo da Amazônia. “Isto pode contribuir para um possível efeito estufa incontrolável”, explicou.

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