A Vila Mamão é uma das mais tradicionais comunidades do bairro de São Francisco, na zona Sul de Manaus. Ela tem suas origens na década de 1940, quando a região pertencia ao bairro da Cachoeirinha (São Francisco seria fundado pouco mais de uma década depois).

Entre 1948 e 1949 a Vila Mamão esteve no centro de uma acirrada disputa com o Estado. O Governo pretendia dar fim à comunidade para erguer no local o Sanatório de Tuberculosos. As terras onde a Vila estava eram da Prefeitura. Os Deputados Estaduais, em diálogo com a mesma, conseguiram transferir o patrimônio para o Governo do Estado. Foram oferecidas indenizações aos moradores, à época cerca de 400, mas boa parte deles recusou a proposta. Como “solução”, uma parte das casas foi demolida para a construção do Sanatório, sendo seus moradores realocados em outros pontos do bairro (Jornal do Commercio, edições de 28/04/1948 a 20/09/1949). O Sanatório, batizado Adriano Jorge, futuro hospital homônimo, foi inaugurado em 30 de junho de 1953.

Entre 1950 e 1954, período em que o político Coronel Alexandre Montoril (1893-1975) organizou o bairro de São Francisco, a Vila Mamão passou a fazer parte deste.

Analisando notas sobre o local publicadas no Jornal do Commercio, percebe-se que uma parte de seus moradores era composta por imigrantes nordestinos, sobretudo cearenses, pernambucanos e alagoanos. A outra era formada por amazonenses oriundos de cidades do interior. Essas pessoas tinham como ocupação trabalhos braçais, atuando como marceneiros, carpinteiros, pedreiros, sapateiros e faxineiros. As casas onde viviam eram simples, conforme anúncios de venda publicados no periódico: “Vende-se 4 casas de madeira na Vila Mamão, ns. 1571, 140, 225 e 28, bairro São Francisco. Tratar com o proprietário na Rua Dr. Almínio, 45” (Jornal do Commercio, 22/05/1957).

Ao longo de sua História a Vila Mamão ficou conhecida por conta das confusões envolvendo os frequentadores de seus bares e “inferninhos”. Nestes últimos eram encontradas as “mariposas”, nome popular dado às prostitutas. O lugar chegou a ganhar o apelido “Boca do Lixo”. Todos os dias os moradores das redondezas e os funcionários do Sanatório faziam denúncias contra essa situação. O Jornal do Commercio descreveu da seguinte forma o cotidiano da Vila Mamão em 1972:

“Quase todos os dias fatos desagradáveis ali ocorrem. Brigas, cadeiradas, tiroteio e tantos outros distúrbios, como o que ocorreu sexta-feira última, quando um cidadão foi baleado por um desordeiro, dos muitos que para ali convergem com o intuito de provocarem arruaças” (Jornal do Commercio, 23/04/1972).

Os points das confusões eram os bares “Chacrinha”, de Manoel Waldemir, e o “São Francisco”, de Francisco Gomes da Silva e Adalberto de Lima Barbosa. Nesse mesmo ano a Secretaria de Segurança Pública, além de retirar as prostitutas do local, baixou uma portaria estabelecendo o funcionamento dos bares até as 18 horas. Tais medidas geraram descontentamento entre os proprietários, que processaram o órgão de segurança pública (Jornal do Commercio, 19/10/1972 e 14/11/1972).

Nos anos 1980 tornou-se um reduto eleitoral do Governador Gilberto Mestrinho e de seu sucessor, Amazonino Armando Mendes. A moradora mais empenhada na defesa desses dois políticos era Lucimar Carijó, conhecida como “Lucimar Mamão”, que organizava charangas para defendê-los e atacar os opositores (Jornal do Commercio, 22/09/1986). É nesse período que surge o Vila Mamão Futebol Clube e o já desaparecido bloco de Carnaval Mocidade Independente da Vila Mamão. No Governo de Amazonino Mendes foi construída a quadra poliesportiva da comunidade, reconstruída e reinaugurada em 1994 no Governo de Gilberto Mestrinho (Jornal do Commercio, 03/03/1994).

Por último, sobre as manifestações folclóricas da Vila Mamão, pode-se citar os bumbás Gitano, fundado em março de 1979 (PESSOA, Simão. A Vingança do Contrário. Blog do Simão Pessoa, 2010), e o Guerreiro.

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