10 de abril de 2021

Em todo o mundo, pois isso não é nenhum privilégio negativo de Manaus, vê-se aflorar o desenfreado crescimento do que muitos já se acostumaram chamar de “cultura marginal”, enquanto outros, como eu, ainda consideram o respeito e a boa utilização do patrimônio público, como conquistas invioláveis e de extrema importância para a consolidação de uma sociedade mais justa e humana.
Para as manifestações que não poupam as propriedades públicas; que não respeitam os bens alheios; que não expressam algo consistente e que possam contribuir na construção de reais benefícios para a sociedade, não encontro outro adjetivo senão o velho e surrado vandalismo.
Chega a ser horrendo deparar com certos prédios, monumentos e outros bens públicos emporcalhados com essa “cultura marginal”, “manifestação hip hop”, ou qualquer coisa que a valha.
O nível de educação, de cultura e de escolaridade de uma população pode ser facilmente mensurado diante de uma incidência muito elevada de ações dessa natureza. Por outro lado, denota também o descaso, ou na melhor das hipóteses, a ineficácia ou baixa eficiência alcançada, diante das medidas constituídas pelos órgãos da administração pública, envolvidos na ação.
Se essa ação marginal causa asco, repulsa e indignação pelo fato dela estar exposta e, facilmente detectada pelos olhos, imaginem o grau de ojeriza que ela conseguiria reunir em cada pichação exposta num viaduto, numa praça ou prédio público fosse também exposto o valor financeiro que o Estado ou o Município gasta para restaurar o referido bem. É dinheiro público jogado fora.
Para se ter uma idéia do puro vandalismo, a recente e bonita urbanização que foi realizada no Vieiralves é vítima constante de coladores de cartazes nos portais e nos novos postes de iluminação pública.
Apesar de haver toda uma legislação inerente a essas ações grotescas, o que se vê na prática são muitas pessoas, empresas e até igrejas tirando proveito dos logradouros públicos, dos abrigos nos pontos de ônibus e das passarelas. Em clara contradição, escolas e promotores de cursos e eventos culturais divulgam seus serviços, através de cartazes e panfletos colados em locais proibidos por lei.
Além do público, o patrimônio particular não está isento dessas ações. Na calada da noite, muros e fachadas sofrem ataques explícitos, prejuízos que seus proprietários devem, irremediavelmente, arcar.
Outro aspecto a ser considerado é o fato de que ninguém gosta de visitar cidades depredadas, com placas de trânsito arrancadas ou pichadas, luminárias que servem de mira para tiro ao alvo ou placas com nomes de ruas arrancadas. E isso reflete diretamente na indústria do turismo, que aquece a economia e deixa milhares de dólares nas cidades que sabem receber os turistas, que ao retornarem para os seus locais de origem fazem comentários elogiosos ao local visitado, promovendo naturalmente a vinda de mais visitantes. Se os turistas não retornam todos perdem: hotéis, taxistas, restaurantes, promotores de eventos, passeios e excursões. E por tabela o governo e a sociedade perdem.
Algo, maior que a coragem que os pichadores reúnem para escalar uma altura de 30 metros deve ser feito para, efetivamente, extirpar esse problema que grassa por todos os lugares. Recentemente, as pichações foram tema de doutorado em Filosofia, na USP. A sala de aula é um importante caminho para se trabalhar o combate a essas manifestações, pois é lá, ou ao menos era lá que deveria estar a totalidade dos que estão envolvidos com essas ações danosas, tanto aos olhos, quanto aos bolsos dos contribuintes.
Erradicar as pichações e depredações, que violam e depreciam o salutar papel exercido dentro de um órgão público é um franco exercício de cidadania, pois os recursos públicos são limitados, enquanto que as necessidades públicas são ilimitadas. Conscientizar os jovens da importância de preservar e respeitar os bens públicos e particulares é um compromisso com a formação dos verdadeiros cidadãos e contribuintes.

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