‘Viajando’ no trânsito de Manaus

Com o grande número de veículos na área urbana e poucas alternativas de vias públicas, os amazonenses cada vez mais amargam congestionamentos quilométricos no trajeto de ida e vinda entre a casa e o trabalho. Quanto maior for a distância, as probabilidades de ir se limitam ao carro ou transportes públicos e até de rotas das fábricas, opções que enfrentam um trânsito caótico em Manaus, principalmente na hora de alto fluxo de veículos, como conta Maria Neile Pereira, que mora no bairro Santa Etelvina e há cinco anos trabalha em uma empresa na av. Tefé, no bairro Japiim.
Ela tem 59 anos e sempre utilizou o transporte público, pegando em média dois ônibus por dia para o deslocamento entre a casa e o trabalho. “Acordo às 4h30 e em meia hora estou no ponto de ônibus, em média pego duas conduções e gasto na ida ao trabalho mais de uma hora. Já na volta esse tempo dobra, porque saio às 17h, mas se tem acidente chego a demorar até 4h para chegar em casa”, comenta. No fim do dia, ela pegou quatro coletivos públicos.
Segundo Maria, por passar quase 20 horas semanais presa no congestionamento não consegue fazer as atividades físicas por recomendação médica e desistiu de concluir os estudos. “Meu médico orientou a hidroginástica, mas não consigo fazer por conta do trânsito; chego muito cansada. Antes eu estudava, mas parei também por falta de tempo, se não demorasse tanto para chegar em casa eu teria continuado”, afirma. Ela comenta que se estressa mais no trânsito do que no trabalho. Há dois anos Maria e o filho compraram um carro, mas deixam na garagem de casa por conta do alto preço da gasolina.

Rotina de quem usa o carro

A administradora Silvana Fernandes, de 35 anos, usa carro para fazer o seu percurso diário. Ela mora no Conjunto Águas Claras, próximo ao bairro da Cidade Nova e trabalha há 14 anos na Fucapi, no Distrito Industrial. Em dias considerados tranquilos, gasta em média meia hora no deslocamento, mas caso atrase esse tempo dobra. “Eu costumo sair de casa às 6h45 para deixar minha filha na creche e em seguida pego os próximos trechos até o trabalho. Se caso atrasar vou chegar lá pelas 8h, porque a minha rota é problemática devido o complexo Gilberto Mestrinho, onde há um encontro de outras áreas da cidade e qualquer eventualidade trava tudo”, explica.
Após mais um dia, Silvana encerra o expediente às 14h e segue para pegar os filhos. “Nesse horário não costumo pegar trânsito e chego bem rápido no primeiro destino, mas quando meu filho sai às 17h, as avenidas já estão bem movimentadas e com a implantação da faixa azul nas principais vias da cidade, o trânsito piorou ainda mais”, disse a administradora acrescentando que, procura resolver e agilizar algumas situações dentro do próprio veículo. Segundo ela, nesse tempo presa no congestionamento poderia praticar alguma atividade física ao ar livre ou até mesmo estudar.

Rotas do Distrito Industrial

Muitas fábricas do PIM (Polo Industrial de Manaus) implantaram as rotas de transporte como forma de poupar tempo e dinheiro. Entre os muitos funcionários que utilizam a opção de deslocamento, está Felipe Silva, de 28 anos, que atua como ajudante de produção em uma empresa na av. Buriti. Ele mora no bairro São Raimundo e gasta uma hora e meia para chegar até o seu destino. “Eu sou o primeiro a pegar a rota que passa às 4h da madrugada e segue pelos bairros próximos pegando outros funcionários. Em média demoro uma hora e meia para chegar até a empresa”, conta.
Em contrapartida, na saída do trabalho ele leva pouco mais de 30 minutos para chegar em casa sem congestionamento. Felipe sai às 16h15, mas se atrasar e sair 45 depois, certamente pegaria a hora do rush e esse tempo se triplicaria.
“Ainda mais próximo à Bola Suframa, que praticamente todo o fluxo de veículos que saem do Distrito sem alternativa de viadutos ou vias escoam por lá”, explica. Segundo ele, no tempo perdido no trânsito caótico de Manaus poderia está descansando e reclama, principalmente, da má situação das ruas.

Desgaste físico X tempo perdido

3 Uma pesquisa revela que a duração, a distância e os meios utilizados em percursos rotineiros podem prejudicar o lado psicológico e até levar ao desenvolvimento da Síndrome de Burnout, um distúrbio psíquico caracterizado por sentimentos depressivos, provoca cansaço emocional, falta de energia e desgaste físico;

3 De acordo com dados do Abramet (Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego), entre 13 e 17% dos motoristas brasileiros têm algum distúrbio comportamental no trânsito, e o estresse é um fator que acaba desencadeando esses problemas;

3 O tempo perdido pelos brasileiros no deslocamento para o trabalho nas regiões metropolitanas devido às más condições de mobilidade urbana gera um custo adicional de R$ 62,1 bilhões por ano à economia, cerca de oito vezes o que o país investe anualmente na área;

3 Com o tempo perdido toda semana no trajeto casa-trabalho-casa, dona Maria poderia aprender inglês em um ano. Diversos cursos intensivos para executivos prometem fluência na língua de William Shakespeare com um treinamento de até 20 horas semanais.

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