Verdadeiro interesse no banimento do amianto

Não é fácil expor em poucas linhas uma idéia que combate noções errôneas que, de tão repetidas, se tornaram uma “verdade” que ninguém mais questiona. Se todo mundo disser que açúcar faz mal à saúde, qual é o maluco que vai enfrentar a ditadura da mídia e a maioria dos chamados “especialistas” para dar uma opinião a favor daquele produto da culinária, mesmo que baseada em estudos científicos de seriedade comprovada? É o que ocorre, no Brasil, com o amianto crisotila, que diariamente é condenado publicamente.
O amianto crisotila é uma matéria-prima usada para produzir telhas residenciais a preços acessíveis à maior ­parcela da população, aquela que faz das tripas coração para conseguir fazer um puxadinho nos fundos da casa, onde abrigará mais um membro da família.
Mas, quais os reais interesses daqueles que defendem o banimento total do uso do amianto crisotila? Vamos aos fatos. No Brasil, toda a cadeia produtiva do amianto crisotila –desde a mineradora, transportadoras, indústrias de telhas e caixas d’água, comerciantes de material de ­construção distribuídos por todo o território nacional– desde a década de 1980, faz uso controlado da fibra de amianto crisotila e não é porque os patrões são bonzinhos e sim por pressões.
Só mesmo quem visita os postos de trabalho da mineração e da indústria que usa o amianto crisotila se dá conta do esforço feito nos últimos vinte anos para evitar que haja, ali, qualquer fibra de amianto suspensa no ar, em quantidade superior ao estabelecido em acordo nacional com os trabalhadores. Exames médicos específicos anuais a que os trabalhadores brasileiros, admitidos a partir da década de 1980, da cadeia do amianto crisotila são ­submetidos, não aponta nenhum caso de doença causada pelo mineral.
O problema é que alguns segmentos da sociedade que não representam os trabalhadores do amianto crisotila, em conluio com uma pode­rosíssima firma francesa, pertencente a um dos maiores grupos mundiais de fabricantes de vidro que usaram o amianto no Brasil por mais de 50 anos, agora, como não interessa mais economicamente, estão tentando enfiar goela a baixo dos brasileiros as fibras de polipropileno na produção de telhas, em substituição às fibras de amianto crisotila. Para isso, propagandeiam que o amianto mata, quando, na verdade, o amianto que de fato oferece sérios riscos à saúde é o do tipo anfibólio (este sim já banido em todo o mundo) e não o crisotila, que tem seu uso autorizado tanto pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como pela OIT (Organização In­ternacional do Trabalho).
O curioso é que se faz uma cortina de fumaça bem espessa para esconder o perigo potencial das fibras de polipropileno (PP), uma matéria-prima nova e ainda não suficientemente estudada, obtida a partir do petróleo. Especialistas da OMS comunicaram oficialmente, após um encontro de trabalho, no ano de 2005, que a fibra de PP é respirável e tem longo tempo de permanência no pulmão antes de ser expelida, tendo, portanto, potencial cancerígeno. Por isso, a CNTA (Comissão Nacional dos Trabalhadores do Ami­anto) conclama as autoridades sanitárias brasileiras e os trabalhadores das fábricas que usam fibras de polipropileno na produção de telhas de fibrocimento, a não baixarem a guarda. É preciso vigilância constante, medições permanentes dos índices de fibras no ar nos locais de trabalho nessas empresas, a fim de evitar surpresas desagradáveis no futuro. Em suma, é preciso adotar nessas fábricas que usam fibras “alternativas” sintéticas, como estabelece a convenção 162 da OIT e a lei federal 9.055/95, o uso controlado dessas matérias-primas, a exemplo do que já é feito com o crisotila há quase 30 anos no Brasil. Chega de querer esconder o sol com a peneira! A saúde dos trabalhadores das empresas que usam fibras alternativas não pode ser colocada em risco.

Adilson C. Santana é Presidente da FITAC (Federação Internacional dos Trabalhadores do Amianto Crisotila), vice-presidente da CNTA e diretor do Sindicato dos min

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