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Vendas em dólar somaram US$ 12.71 bilhões e cresceram 12,01% frente ao ano passado

O faturamento do PIM conseguiu confirmar o primeiro quadrimestre em alta. As vendas em dólar somaram US$ 112.71 bilhões e cresceram 12,01% frente ao mesmo período do ano passado (R$ 11.34 bilhões). Na conversão em reais, a elevação foi de 10,46%, passando de R$ 57,81 bilhões (2023) para R$ 63,86 bilhões (2024). O desempenho bateu a inflação do IPCA acumulada em 12 meses (+3,93%), em um ambiente já de revalorização da moeda americana (+3,41%, conforme o Banco Central). É o que revelam os Indicadores de Desempenho do Polo Industrial de Manaus, divulgados pela Suframa, nesta sexta (21).

O desempenho mensal mostrou desaceleração. Mesmo com a vantagem de dois dias úteis a mais, o faturamento do PIM em abril (US$ 3.14 bilhões e R$ 16,23 bilhões) foi menor do que o de março (US$ 3.32 bilhões e R$ 16,61 bilhões), tanto em dólar (-5,42%), quanto em real (-2,29%). O confronto com o mesmo período de 2023 (US$ 2.71 bilhões e R$ 13,57 bilhões), contudo, ainda manteve expansões de dois dígitos, em ambas as moedas (+15,87% e +22,40%). Os dados da Suframa confirmaram também um novo incremento na mão de obra do PIM, que fechou com média mensal de 116.450 trabalhadores, entre efetivos, temporários e terceirizados – o melhor número desde 2014.

O aumento de vendas contabilizado no quadrimestre, no entanto, foi uma realidade para, novamente, apenas 15 dos 26 subsetores listados pela Suframa, na medida em dólares. As melhores performances proporcionais vieram dos polos mecânico (US$ 1.07 bilhão), naval (US$ 55.71 milhões), e de couros e similares (US$ 3.28 milhões), que aumentaram suas vendas em 101,48%, 67,29%, e 45,32%, respectivamente. Os piores tombos ficaram dos segmentos de vestuário e calçados (-60,34% e US$ 1.73 milhão), madeireiro (-38,23% e US$ 3.43 milhões) e têxtil (-37,24% e US$ 16.11 milhões).

Somando quase metade das vendas do PIM, os polos de bens de informática e de eletroeletrônicos continuaram em ascensão, mas já sinalizam perda de fôlego. O primeiro subiu apenas 0,31% (US$ 2.97 bilhões) no acumulado, mantendo a maior parcela de faturamento do Polo (23,38%). O segundo teve share de 17,38% e acréscimo de 4,43% (US$ 2.21 bilhões). Mais aquecido, o polo de duas rodas escalou 24,26% (US$ 2.44 bilhões) e manteve a segunda posição do Polo, com fatia 19,23%. O ranking de participações da indústria incentivada se completa com os subsetores de “outros produtos” (14,59% das vendas), químico (10%), termoplástico (8,53%) e metalúrgico (6,89%).

Produtos e empregos

Os aumentos mais expressivos de produção vieram dos receptores de sinal de televisão, com 2.284.338 unidades fabricadas no acumulado e uma decolagem de 106,58%. Outros resultados positivos vieram de condicionadores de ar do tipo janela ou de parede (+197,86% e 152.957); condicionadores de ar split system (+84,41% e 1.875.633); aparelhos de áudio não portáteis (+43,52% e 298.803); monitores LCD para uso em informática (+20,62% e 954.869); fornos microondas (+59,09% e 1.802.247); motocicletas, motonetas e ciclomotos (+17,84% e 625.294); TVs LCD e OLED (+4,31% e 4.462.591) e microcomputadores portáteis (+34,78% e 197.189).

O nível de empregos do PIM também melhorou. A média obtida em abril foi de 116.450 pessoas, entre trabalhadores efetivos, temporários e terceirizados. Em que pese o número ter vindo abaixo do mês anterior (117.885), ainda superou em 4,13% o patamar de igual período do ano passado (111.831). Foi o melhor dado para os meses de abril desde o recorde de 2014 (122.277). No acumulado dos quatro primeiros meses de 2024, a mão de obra já registrou média de 116.966 trabalhadores, 3,37% a mais que em 2023 (113.150) e também o maior número desde 2014 (122.177).

Os melhores índices de crescimento de empregos vieram dos subsetores de “material de limpeza de velas” (+30% e 52 vagas), de couros e similares (+27,40% e 93) e naval (+19,03% e 1.426). Na outra ponta, os polos de brinquedos (-91,34% e 48), madeireiro (-28,24% e 582) e de “diversos” (-23,36% e 82) puxaram os cortes. Levando em conta apenas a movimentação de obra efetiva, o saldo de vagas total do PIM fechou o quadrimestre com 2.616 vagas a mais, confirmando o predomínio das admissões (+13.498) sobre as demissões (-10.882). Foi a melhor marca desde 2022 (3.278).

Foco na vazante

No texto da assessoria de imprensa da Suframa, o titular da autarquia, Bosco Saraiva, comemorou. “Os números refletem aquilo que já prevíamos no início do ano, quando falávamos na tendência de redução da taxa básica de juros por parte do Copom, além da estabilização dos níveis dos rios, no período. São fatores que contribuíram positivamente com a normalização da produção no PIM e, consequentemente, com o crescimento no faturamento, em relação ao mesmo intervalo de 2023”, declarou, sem falar de perspectivas para os próximos meses. 

Para o presidente da Fieam e vice-presidente executivo da CNI, Antonio Silva, os números atendem as expectativas iniciais do setor. “A meu ver, o PIM continuará com tendência branda de crescimento. É possível perceber a consolidação de segmentos tradicionais, impulsionados pelo momento de relativa estabilidade. Ainda que eventuais instabilidades políticas e econômicas possam acarretar em oscilações, entendo que a tendência deverá ser mantida. Nossas atenções se voltam agora para a estiagem, que deve ser tratada de forma célere pelo poder público, a fim de evitar maiores prejuízos” frisou.

O presidente da Aficam, Roberto Moreno, avalia que os Indicadores da Suframa mostram o resultado do planejamento das empresas para atender suas carteiras de pedidos, minimizando eventuais impactos de uma nova seca severa. “Não somente isso. Somente se produz, uma vez que o mercado se mostra receptivo aos nossos produtos, demonstrando nossa importância e, consequente, contribuição para a economia do país, ratificando os esforços de nossas autoridades nas atuais discussões na regulamentação da reforma Tributária no Congresso”, enfatizou.

Já o consultor do Cieam, André Costa, diz que os números apresentam um descompasso crescente da produção com o faturamento da indústria incentivada. “A produção extraordinária que houve em janeiro, foi sendo faturada aos poucos ao longo desses primeiros quatro meses. E está havendo também uma contradição com o relato do IBGE, que enfatiza a produção física, e que mostra quedas mensais em março e abril”, explicou

Na análise de André Costa, a perspectiva do ano ainda é positiva, mas o quadro é preocupante, mas acende um “sinal de alerta”. “Se a produção está sendo antecipada devido à seca, não está conseguindo evitar uma queda na produção geral. É bem possível que as condições macroeconômicas, somadas às condições logísticas locais, já estejam afetando a atratividade dos projetos do PIM. Um tira-teima será o nível de empregos que, se cair, será um indicativo de que as empresas não estão aguentando o alargamento operacional pelo aumento da estocagem. Caso contrário, pode ser apenas que as indústrias estejam readequando o planejamento para continuar a produzir”, arrematou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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