Vendas de veículos no Amazonas continuam em alta

As vendas de veículos automotores no Amazonas registraram seu quarto mês consecutivo de alta mensal, na passagem de julho (4.853 unidades) para agosto (5.099). O incremento foi de 5,07%, embora nem todas as categorias tenham conseguido avançar e o Estado tenha ficado abaixo da média nacional. O desempenho ficou devendo na comparação com agosto do ano passado (-1,92%) e segue negativo no acumulado (-18,09%), que passou de 35.407 (2019) para 29.002 veículos (2020).

Os números regionais foram disponibilizados pela Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) nesta quarta (2). As informações foram amparadas pelos emplacamentos do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores), base de dados que leva em conta todos os tipos e veículos, incluindo automóveis convencionais, comerciais leves, caminhões, ônibus e motocicletas.

Os números do Estado vieram em sintonia com os do mercado brasileiro. As vendas nacionais subiram 7,36% na comparação de agosto (299.644) com julho deste ano (279.105). Em relação ao mesmo registro do mês de 2019 (347.061), a retração foi de 13,66%. Os 1.804.355 veículos emplacados no Amazonas entre janeiro e agosto representaram queda de 31,01% sobre o dado apresentado no mesmo período de 2019 (2.615.446).

Das sete categorias listadas pela Fenabrave, apenas quatro registraram aumento de vendas no Amazonas, entre julho e agosto. A maior alta proporcional veio do segmento de implementos rodoviários (+58,14% e 136 unidades), seguido de longe por motocicletas (+6,23% e 2.235), automóveis (+4,90% e 2.119) e ônibus (+4,35% e 24). Em contrapartida, outros veículos (-7,14% e 26), comerciais leves (-5,95% e 490) e caminhões  (-2,82% e 69) amargaram quedas. No acumulado, apenas implementos rodoviários e “outros veículos se seguraram no azul, com acréscimos respectivos de 60,75% e de 6,67%.

Em todo o país, os emplacamentos de motocicletas (96.007) avançaram 8,30% em relação ao mesmo mês de 2019 (85.171), tendo retraído 25,03% entre janeiro e agosto (531.465 unidades). Automoveis (142.045) e comerciais leves (31.498) sofreram recuos nas respectivas vendas nacionais na comparação anual (-27,49% e -9,46%). No acumulado (913.896 e 185.965), a performance foi ainda pior (-37,30% e -26,83%, na ordem).

Descompasso no estoque

Depois de derrubar a demanda em seu período mais agudo, a crise da covid-19 ainda impõe efeitos negativos a um mercado reaquecido, tanto para veículos novos, quanto para seminovos. O sócio e diretor administrativo da Daniel Veículos, Yuri Barbosa, conta que há um descompasso entre a “demanda muito grande” e a falta de estoque nas concessionárias, já que muitas fábricas pararam de produzir durante a quarentena. E, segundo o empresário, a situação é mais grave em Manaus, dada sua “posição desprivilegiada” em relação às fábricas.

“Os carros que só retornaram à produção neste último mês ainda nem chegaram por aqui. Somado a isto, temos taxa de juros muito reduzida, o que motiva mais ainda o consumidor a recorrer, especialmente, ao seminovo. Tivemos vendas 25% melhores do que em agosto de 2019, mas já vimos uma redução em relação a julho, que foi nosso mês com mais vendas do ano. Nossa expectativa é que esse desempenho em setembro e outubro, com uma possível baixa em novembro, quando os estoques se normalizarem”, ponderou. 

Transit time

Procurado para falar sobre o desempenho local do segmento, o presidente do Sincodiv-AM (Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Estado do Amazonas), João dos Santos Braga Neto, não retornou aos telefonemas e mensagens do Jornal do Commercio até o encerramento desta reportagem.

Em depoimento anterior, o dirigente já havia assinalado que tendência do mercado é de lenta recuperação rumo a um “novo normal”. Ressaltou também que os números locais do setor devem ser levados sempre sob a perspectiva do transit time (tempo de trânsito) entre o faturamento e o emplacamento locais, um hiato de tempo que pode durar 30 dias, em virtude da logística de translado do veículo entre a fábrica e os pontos de venda do Amazonas. 

“Novo normal”

Em matéria publicada pela Agência Brasil, o presidente da entidade, Alarico Assumpção Júnior, atribui a alta nas vendas de motos a uma demanda reprimida dos meses em que as montadoras paralisaram a produção –e que se faz notar na falta de alguns modelos no mercado. “Com a retomada de parte da produção, pelas montadoras, os volumes de emplacamentos vêm crescendo. Contudo, ainda permanecem problemas de produção, pela falta de peças e componentes”, ressaltou.

Sobre os resultados globais de agosto, o dirigente reafirma que o mercado vem retomando patamares mais elevados de volume e se ajustando ao ‘novo normal’ que se desenha em meio à crise da covid-19. De acordo com Assumpção Júnior, a própria pandemia contribuiu para levar o consumidor brasileiro a aplicar sua poupança na aquisição do veículo próprio, em busca de  segurança. “A manutenção da taxa Selic em níveis baixos, assim como a pandemia, têm estimulado a compra de carros para o transporte individual das pessoas. Além disso, os financiamentos ficaram mais acessíveis”, finalizou.

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