Vendas com notas fiscais cai na região Norte

Após o aquecimento registrado no último trimestre de 2020, a média diária das vendas com NF-e (nota fiscal eletrônica) das empresas da região Norte desacelerou no primeiro bimestre de 2021. O desempenho seguiu, contudo, em paralelo com a média nacional. Para os Estados nortistas, fevereiro (R$ 1,99 bilhão) foi 14,8% melhor que janeiro (R$ 1,73 bilhão), além de ficar 30,3% acima do patamar do mesmo mês do ano anterior (R$ 1,52 bilhão). 

Em âmbito nacional, a média de vendas saltou de R$ 27,13 bilhões para R$ 31,23 bilhões, apresentando uma diferença de 15,11%. Em relação à marca de fevereiro do ano passado (R$ 24,17 bilhões), o desempenho indicou expansão de 29,21%. Os dados estão na sétima e mais recente edição do boletim da Receita Federal sobre vendas com nota fiscal eletrônica.

No total, o valor comercializado por esse meio em todo o país ultrapassou os R$ 870 bilhões, no segundo mês do ano. O resultado superou em 24,28% o mesmo mês de 2020 (R$ 700 bilhões) e ficou 3,57% acima de janeiro deste ano (R$ 840 bilhões). Em síntese, o primeiro bimestre (R$ 1,72 trilhão) foi 22,3% melhor do que o mesmo acumulado do ano passado (R$ 1,40 trilhão).  

“Todas as regiões brasileiras apresentaram ótima performance nas vendas com a NF-e, em relação ao mesmo período do ano anterior. Todas [ficaram] com incrementos maiores que 21%, com destaque para a região Centro-Oeste, que teve crescimento de +31,8%. No geral, as vendas com indicam bom desempenho no mês”, assinalou a Receita Federal, no texto de conclusão da pesquisa.

O levantamento periódico da Receita foi criado como forma de orientar a concessão de crédito por bancos públicos às atividades mais afetadas pela crise da covid-19. O fisco federal informa que o movimento agregado das notas fiscais eletrônicas capta, principalmente, as vendas entre empresas de médio e grande porte, bem como as vendas não presenciais de pessoas jurídicas para pessoas físicas. Os setores econômicos mais representados foram o comércio e a indústria, que responderam por 89,7% das emissões de notas fiscais eletrônicas em todo o Brasil, neste ano.

Setores e produtos

Assim como ocorrido nos levantamentos anteriores, o órgão federal não disponibilizou dados das atividades econômicas desdobrados por regiões. Em todo o país, a indústria foi o setor com o maior faturamento diário do segundo mês deste ano (R$ 16,60 bilhões), com altas de 15,9%, na variação mensal, e de 31,3%, na anual – contra R$ 14,50 bilhões e R$ 12,80 bilhões, respectivamente. A atividade totalizou R$ 470,50 bilhões em volume comercializado, em fevereiro de 2021.

Segundo em faturamento por NF-e, o comércio brasileiro registrou média diária de R$ 11,24 bilhões em vendas, alcançando elevações de 13,65% sobre janeiro (R$ 9,89 bilhões) e de 26,29% no confronto com fevereiro 2020 (R$ 8,90 bilhões). O faturamento total no segundo mês do ano foi de R$ 314,73 bilhões, segundo o levantamento da Receita Federal.

Minoritário no bolo, o comércio eletrônico colecionou a melhor variação anual. Subiu 10,1% entre o primeiro (R$ 650 milhões) e o segundo mês deste ano (R$ 720 milhões), além de ficar nada menos do que 58,8% acima do patamar do mesmo período de 2020 (R$ 450 milhões). O e-commerce totalizou R$ 20,03 bilhões em faturamento, em fevereiro de 2021. 

Em termos de produtos, o melhor desempenho da média diária na variação anual veio de materiais de construção (R$ 78,20 bilhões). Estas avançaram 4,6% no confronto com janeiro (R$ 74,5 bilhões) e 52,6% ante a marca de 12 meses atrás (R$ 51,24 bilhões). As vendas acumularam R$ 152,96 bilhões, ao longo do mês. 

Produtos alimentícios, bebidas e fumo responderam pela maior parte das vendas no mês (R$ 413,48 bilhões), além de ter também a melhor performance da variação mensal. Entre janeiro (R$ 198,14 bilhões) e fevereiro (R$ 215,34 bilhões), o incremento foi de 8,7%. Em relação ao mesmo mês do ano passado (R$ 176,40 bilhões), a elevação foi de 22,1% 

Em contrapartida, o segmento de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (que registrou vendas de R$ 89,2 bilhões ao longo do mês) foi o único da lista da Receita a ter um dado negativo: a virada de janeiro (R$ 79,01 bilhões) para fevereiro (R$ 77,60 bilhões) mostrou desaceleração de 1,8%. A comparação com fevereiro de 2020 (R$ 63,20 bilhões), contudo, ainda foi positiva em 22,8%.  

Veículos, motos, partes e peças (R$ 202,95 bilhões no mês) avançaram 5,4% e 16,7% nas respectivas variações mensal – de R$ 98,79 bilhões (janeiro) para R$ 10,16 bilhões (fevereiro) – e anual – R$ 104,16 bilhões (2021) contra R$ 89,28 bilhões (2020). Dona dos piores resultados nas sondagens anteriores, a atividade de combustíveis e lubrificantes não foi alvo de análise da Receita, nesta edição.

Fora da curva

O cruzamento dos dados agregados da Receita para o país e para a região Norte, com os números desagregados do IBGE para a indústria e o comércio do Amazonas, no mesmo período, indica que o Estado seguiu como um ponto fora da curva, no período analisado. A produção industrial, por exemplo, ficou negativa em todas as comparações, ao encolher 0,9% entre janeiro e fevereiro, 9,9% na variação anual e 9,8% no comparativo do trimestre.

Em depoimentos anteriores, o presidente da Fieam, Antonio Silva, assinalou que o resultado já era esperado tendo representado a fase mais crítica da pandemia no Amazonas e o impacto das medidas restritivas no setor. Superada essa fase, o dirigente ainda expressa preocupação em face da resiliência da segunda onda no restante do país e seus efeitos nas vendas da indústria local. 

No varejo, houve alta de 14,2% de janeiro para fevereiro – depois do mergulho anterior de 31%. As vendas caíram 16,9% em 12 meses antes e acumularam 21,5% negativos no bimestre. Em depoimento ao Jornal do Commercio, o presidente da FCDL-AM, Ezra Azury, lembrou que o setor estava limitado ao delivery, drive-thru e horários reduzidos e enfatizou que, a despeito das flexibilizações, o aumento das vendas dependem do avanço do processo de vacinação.

Sobre o desempenho do comércio eletrônico, o conselheiro do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Estado do Amazonas), Francisco de Assis Mourão Junior, observou que a atividade vem crescendo em tempos de distanciamento social, além de ajudar o PIM a continuar produzindo, a despeito das dificuldades pontuais impostas pelas restrições da segunda onda e a escassez de insumos para produção.   

Foto/Destaque: Divulgação

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email