Vendas com NFe na região Norte continuam crescendo

As vendas com NF-e (nota fiscal eletrônica) das empresas da região Norte cresceram pelo sexto mês seguido, em maio. E, assim como ocorrido em meses anteriores, o desempenho foi superior ao da média nacional. Os números foram sustentados pela indústria e pelos segmentos comerciais de material de construção e de artigos farmacêuticos e perfumaria. As informações estão na 10ª e mais recente edição do boletim da Receita Federal sobre vendas com nota fiscal eletrônica, disponibilizada nesta semana. O estudo levou em conta números deflacionados pelo IPCA.

Para os Estados nortistas, maio (R$ 80,55 bilhões) foi 16,20% melhor que abril (R$ 69,32 bilhões), além de ficar 82,23% acima do patamar de 12 maio de 2020 (R$ 44,20 bilhões). Embora a base anual tenha sido depreciada pela primeira onda e pelas medidas de isolamento, a comparação com o mesmo mês de 2019 (R$ 46,20 bilhões) também indicou alta (+74,35%). A receita não informou os dados acumulados das regiões. A média diária de vendas com NF-e na região Norte (R$ 2,60 bilhões) avançou na variação mensal (+13,7%) e nos confrontos com 2020 (+69,7%) e 2019 (+68,9%).

Em âmbito nacional, o valor comercializado por NF-e totalizou R$ 1,06 trilhão, no quinto mês do ano. O resultado superou em 6% abril de 2021 (R$ 1 trilhão) e ficou 39% e 34,9%, respectivamente, acima das marcas de maio de 2020 (R$ 690 bilhões) e de 2019 (R$ 830 bilhões). O acumulado dos cinco meses (R$ 4,87 trilhões) também foi maior do que os contabilizados em iguais intervalos de 2020 (R$ 3,50 trilhões) e de 2019 (R$ 3,61 trilhões). A média diária em todo o país acelerou 2% na variação mensal e somou R$ 34,04 bilhões, sendo 52,70% superior a 2020 e 27,30% mais elevado do que 2019.

“Todas as regiões brasileiras apresentaram crescimento de vendas em relação ao mesmo período do ano anterior. Em relação ao mês anterior, apenas a região Centro-Oeste registrou retração de -4,8% nas vendas com a NF-e. As demais regiões mostraram resultados positivos, sendo Norte (+13,7%), Nordeste (+1,5%), Sudeste (+3,5%) e Sul (+0,6%)”, assinalou a Receita Federal, no texto de conclusão da pesquisa.

O levantamento periódico da Receita foi criado originalmente como forma de orientar a concessão de crédito por bancos públicos às atividades mais afetadas pela crise da covid-19. O fisco federal informa que o movimento agregado das notas fiscais eletrônicas capta, principalmente, as vendas entre empresas de médio e grande porte, bem como as vendas não presenciais de pessoas jurídicas para pessoas físicas. Os setores econômicos mais representados foram o comércio e a indústria, que responderam por 89,3% das emissões de notas fiscais eletrônicas em todo o Brasil, neste ano.

Setores e produtos

Assim como ocorrido nos levantamentos anteriores, o órgão federal não disponibilizou dados das atividades econômicas desdobrados por regiões. Em todo o país, a indústria foi o setor com o maior faturamento diário, no quinto mês deste ano (R$ 18,05 bilhões), com altas de 2,85%, na variação mensal, e de 59%, na anual – contra R$ 17,55 bilhões e R$ 11,35 bilhões, respectivamente. A atividade totalizou R$ 559,52 bilhões em volume comercializado, em maio de 2021. No acumulado, passou de R$ 1,81 trilhão (2020) para R$ 2,58 trilhões (2021), batendo igualmente 2019 (R$ 2 bilhões).

Segundo em faturamento por NF-e, o comércio brasileiro registrou média diária de R$ 12,34 bilhões em vendas, alcançando elevações de 1,15% sobre abril de 2021 (R$ 12,20 bilhões) e de 43,20% no confronto com maio do ano passado (R$ 8,61 bilhões). O faturamento total da atividade no segundo mês deste ano foi de R$ 382,51 bilhões – com R$ 272,95 bilhões para o atacado e R$ 109,57 bilhões para o varejo –, segundo a Receita Federal. Em cinco meses (R$ 1,78 trilhão), houve crescimento de 33,3% sobre 2020 e de 34,2%, ante 2019.

Minoritário no bolo, o comércio eletrônico subiu 3,03% entre o quarto (R$ 23,75 bilhões) e o quinto mês deste ano (R$ 24,47 bilhões) na média diária de vendas, além de ficar 30,30% acima do patamar do mesmo período de 2020 (R$ 18,78 bilhões). O e-commerce totalizou R$ 114,81 bilhões em faturamento, de janeiro a maio de 2021, tendo avançado 46,80% e 78,20% com os respectivos acumulados de 2020 e de 2019. 

Em termos de produtos, o melhor desempenho da média diária na variação anual veio de materiais de construção (R$ 96,67 bilhões), que alcançaram elevação de 8,40% no confronto com abril de 2021 (R$ 89,18 bilhões) e de 98,74% ante a marca de 12 meses atrás (R$ 48,64 bilhões). As vendas acumularam R$ 434,27 bilhões, ao longo do ano. 

Tendo faturado R$ 422,23 bilhões no acumulado, o segmento de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos ficou na segunda posição, em termos de média diária de vendas. A virada de abril (R$ 70,37 bilhões) para maio (R$ 84,86 bilhões) mostrou aceleração de 7,2%. A comparação com o mesmo mês de 2020 e de 2019 apontou incrementos expansões respectivas de 20,60% e de 23,19%.  

Na sequência, em termos de variações mensais, vieram as divisões de veículos, motos, partes e peças (+4,2%) e de produtos alimentícios, bebidas e fumo (+2,1%). A primeira totalizou R$ 123,54 bilhões em maio e R$ 572,53 bilhões, com incremento de 92,7% sobre o mesmo mês de 2020. Com os maiores números absolutos no mês (R$ 281,67 bilhões) e no ano (R$ 1,27 trilhão), a segunda experimentou crescimento de 64,43% no confronto com maio de 2020.

Auxilio e exportações

Na análise do conselheiro do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Estado do Amazonas) e professor universitário, Francisco de Assis Mourão Junior, o crescimento observado pela Receita Federal nas vendas com NF-e mostra um aquecimento acima da média para a economia da região Norte. No entendimento do economista, o desempenho foi puxado pelo Polo Industrial de Manaus, além de segmentos exportadores dos Estados vizinhos, e a tendência é que o cenário se mantenha assim, no curto prazo. 

“Isso também gera consumo e receita para as empresas. Podemos dizer que a economia também se beneficiou dos efeitos do auxílio emergencial, que começava a ser liberado novamente naquele mês. No caso de setores exportadores, principalmente no Pará e no Tocantins, houve também o impacto da variação do dólar, que também gera vendas no comércio domestico. As perspectivas para os próximos meses são positivas, porque o benefício foi renovado por mais três meses e o dólar voltou a subir, favorecendo as vendas externas”, finalizou.  

Foto/Destaque: Divulgação

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