Vendas com NF-e mostram evolução na região Norte

As vendas com NF-e (nota fiscal eletrônica) das empresas da região Norte avançaram pelo quarto mês consecutivo, em setembro, embora o desempenho tenha ficado abaixo da média nacional. A média diária de vendas foi de R$ 2,02 bilhões registrando novo pico de volume comercializado e alta de 5,76% em relação a agosto de 2020 (R$ 1,91 bilhão). Na comparação com o mesmo período do ano passado (R$ 1,51 bilhão), a média diária de vendas apresentou aumento de 33,1%. 

No Brasil, a média diária de vendas de setembro atingiu R$ 29,5 bilhões, renovando o maior patamar registrado entre os meses de 2020. O resultado é 10,7% maior que o de agosto de 2020 (R$ 26,8 bilhões) e 20% superior ao de setembro de 2019 (R$ 24,6 bilhões). Os dados estão no boletim mensal da Receita Federal sobre nota fiscal eletrônica e foram divulgados nesta terça (3).

O levantamento surgiu como forma de orientar a concessão de crédito por bancos públicos às atividades mais afetadas pela crise da covid-19. A Receita informa que o movimento agregado das notas fiscais eletrônicas capta, principalmente, as vendas entre empresas de médio e grande porte, bem como as vendas não presenciais de empresas para pessoas físicas. 

Na análise do fisco federal, “o ritmo de vendas com a NF-e apresenta-se em crescente evolução” nos Estados nortistas. O levantamento aponta ainda que, em todo o país, “a contração de abril foi seguida de sucessivos aumentos” e as vendas semanais mostram recuperação progressiva. “As últimas semanas mostram vendas superiores a R$ 200 bilhões, bem acima dos valores registrados nas primeiras semanas do ano”, assinalou a Receita. O mês culminou com um pico de vendas de R$ 212 bilhões, na semana final.

O órgão federal não disponibilizou dados segmentados para as regiões. Os números do comércio demonstram que o setor contabilizou os melhores resultados de setembro, em âmbito nacional. A média diária de vendas foi de R$ 11 bilhões, uma expansão de 10,7% em relação ao mês anterior (R$ 10 bilhões) e de 24% sobre 2019 (R$ 8,9 bilhões). Parte do movimento se deve ao atacado, que registrou R$ 7,8 bilhões na média diária de vendas e altas de 11,4% em relação ao mês anterior (R$ 7 bilhões) e de 23,9% sobre 12 meses atrás (R$ 6,3 bilhões).

A indústria também apresentou seu melhor desempenho anual, no mês passado. A média diária de vendas foi de R$ 15,6 bilhões, 16% a mais do que o apresentado no mesmo mês de 2019 (R$ 13,4 bilhões) e 10% superior a agosto deste ano (R$ 14,2 bilhões). Conforme a Receita, as indústrias de transformação e extrativa tiveram performances dentro da média, mas o segmento de eletricidade e gás (R$ 650 milhões) voltou a ser ponto fora da curva, com decréscimos de 2,3% em relação ao mês anterior (R$ 670 milhões) e de 18,7% ante a marca de 12 meses atrás (R$ 800 milhões).

Internet e produtos

O comércio eletrônico (R$ 780 milhões), segmento que vem alcançando incrementos mês a mês, desde a eclosão da pandemia e a implantação das políticas de isolamento social, foi outro que apresentou sua melhor performance anual em setembro. A elevação foi de 57,2% sobre setembro de 2019 (R$ 440 milhões) e de 1,6% ante agosto de 2020 (R$ 680 milhões).

Em termos de segmentos de produtos, os melhores resultados vieram de combustíveis e lubrificantes (R$ 104 bilhões), farmacêuticos (R$ 85,8 bilhões), veículos e suas peças (R$ 110,9 bilhões), além de materiais de construção (R$ 66,2 bilhões), que apresentam vendas anuais crescentes desde maio de 2020. Já as vendas de produtos de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (R$ 195,5 bilhões) subiram 124,25% em um ano e estão, na média, 105% maiores desde março de 2020, em relação ao mesmo período de 2019.

Oportunidades e incertezas

No entendimento do presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Estado do Amazonas), Francisco de Assis Mourão Júnior, os números da Receita mostram uma economia aquecida pelo incentivo ao consumo, com bons resultados para a ZFM. O dado negativo do segmento de energia se dá, segundo o economista, pela inadimplência permitida pelas legislações da pandemia. Da mesma forma, o distanciamento social favoreceu o comércio eletrônico, o que gerou muitas oportunidades. 

“Acredito que a tendência de médio e longo prazo e a eliminação ou redução sensível dos pontos de venda presenciais, com o foco sendo voltado para a logística de vendas. A economia está aquecida, mas ainda há incertezas. O auxílio emergencial já foi cortado pela metade e acaba em dezembro. E os casos de covid estão aumentando. Acredito que devemos ter uma retomada para valer só no segundo semestre de 2021, desde que tenha vacina. Mas, vamos ver como vai ser o movimento de novembro e dezembro, aí teremos uma ideia de como será o começo do ano que vem”, encerrou. 

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