Vendas com NF-e em alta no Amazonas

Após chegarem ao maior valor do ano em outubro, e reduzirem o ritmo em novembro, as vendas com NF-e (nota fiscal eletrônica) das empresas da região Norte seguiram na contramão da média nacional e voltaram a crescer em dezembro. Dezembro (R$ 60,6 bilhões) avançou 3,06% sobre novembro (R$ 58,8 bilhões) e ficou 31,74% acima do mesmo mês do ano anterior (R$ 46 bilhões). No acumulado de 2020 (R$ 641,78 bilhões), houve alta de 17,23% sobre 2019 (R$ 547,44 bilhões) –o maior índice de crescimento do Brasil.

Em âmbito nacional, as vendas com NFe totalizaram R$ 904,2 bilhões, em dezembro. O resultado superou em 20,53% o número apresentado no mesmo mês de 2019 (R$ 750,2 bilhões) e ficou 1,41% além do registrado em novembro do mesmo ano (R$ 891,6 bilhões). A média brasileira conseguiu encerrar o ano no azul e saltou de R$ 8,86 trilhões (2019) para R$ 9,48 trilhões (2020), uma diferença de 6,99%. Os dados estão no mais recente boletim da Receita Federal sobre nota fiscal eletrônica, divulgado nesta quarta (3).

O levantamento surgiu como forma de orientar a concessão de crédito por bancos públicos às atividades mais afetadas pela crise da covid-19. A Receita informa que o movimento agregado das notas fiscais eletrônicas capta, principalmente, as vendas entre empresas de médio e grande porte, bem como as vendas não presenciais de empresas para pessoas físicas. 

Na análise do fisco federal, apesar da crise, após o fundo do poço registrado em abril (R$ 39,5 bilhões), os Estados nortistas apresentaram evolução de maio a dezembro, atingindo o auge de vendas em outubro (R$ 63,7 bilhões). “Nos dois últimos meses, as vendas ficaram acima dos valores registrados em 2019, encerrando o ano de 2020 com crescimento nas vendas registradas com NF-e. Destaque para o último trimestre de 2020, que foi 25,5% superior ao mesmo período de 2019”, salientou a Receita, no texto do boletim.

Setores e produtos

O órgão federal não disponibilizou dados das atividades econômicas desdobrados por regiões. Em todo o país, a indústria foi o setor que mais faturou em NFe, em dezembro (R$ 473,9 bilhões), ao crescer 20,46% na variação anual e encolher 0,79% na mensal –contra R$ 393,4 bilhões e R$ 477,7 bilhões, respectivamente.  Com 3,34% de acréscimo entre os acumulados de 2019 (R$ 4,78 trilhões) e 2020 (R$ 4,94 trilhões), a manufatura amargou a menor taxa de expansão do país.

Segundo em faturamento por NFe, comércio/serviços registrou R$ 343,2 bilhões em vendas em dezembro, 2,51% a mais do que em novembro (R$ 334,8 bilhões) e 20,34% acima do número de dezembro de 2019 (R$ 285,2 bilhões). De janeiro a dezembro de 2020, o setor terciário acumulou R$ 3,58 trilhões em volume comercializado, superando em 8,48% o registro do mesmo período de 2019 (R$ 3,30 trilhões).

Minoritário no bolo, o comércio eletrônico foi o que colecionou os melhores números de ritmo de expansão, no ano passado. Subiu nada menos do que 42,77% entre dezembro de 2019 (R$ 16,6 bilhões) e o mesmo mês de 2020 (R$ 23,7 bilhões) –embora tenha ficado 3,66% abaixo do patamar de novembro de 2020 (R$ 24,6 bilhões). Em 12 meses, o e-commerce totalizou R$ 231,91 bilhões em vendas por NFe e avançou 41,24% na comparação com igual intervalo de 2019 (R$ 164,20 bilhões). 

No corte por segmentos de produtos, o melhor resultado veio de materiais de construção (R$ 67 bilhões, em dezembro), que avançaram 44,39% no confronto com dezembro de 2019 (R$ 46,4 bilhões), embora tenham recuado 6,16% ante novembro de 2020 (R$ 71,4 bilhões). No ano, as vendas com NFe saltaram de R$ 609,93 bilhões (2019) para R$ 678,18 bilhões (2020) e subiram 11,19%. Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (R$ 89,2 bilhões) avançaram 3,48% na variação mensal e 20,05% na anual, além de crescerem 10,40% nos 12 meses (R$ 919,85) de 2020.  

Na outra ponta, combustíveis e lubrificantes (R$ 115,1 bilhões) tiveram a pior performance em vendas com NFe, ao encolher 3,60% diante do mesmo período de 2019 e 6,06% no comparativo dos 12 meses de 2020 (R$ 1,24 trilhões) –embora tenham aumentado 4,17% em relação ao mês anterior. Veículos, motos, partes e peças (R$ 117,1 bilhões) até conseguiram avançar 1,65% e 16,98%, nas respectivas variações mensal e anual, mas tombaram 5,93% no acumulado (R$ 1,11 trilhões).

E-commerce e PIM

O conselheiro do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Estado do Amazonas), Francisco de Assis Mourão Júnior, chama a atenção para o desempenho crescente e descolado da região Norte, em relação à média nacional. No entendimento do economista, os juros baixos e a inflação minimamente controlada ajudaram a dar um contrapeso aos impactos da pandemia, assim como o auxílio emergencial e demais medidas anticíclicas federais.

“Há também o destaque do e-commerce em tempos de distanciamento social e o fato de que o PIM continuou produzindo. Mesmo nesse panorama, a economia se manteve aquecida nessa nova vertente digital. Isso demonstra que, apesar das dificuldades impostas pela pandemia, a economia da região Norte –e em particular do Amazonas e do Polo Industrial de Manaus –teve uma resposta muito rápida e positiva nessas condições. Mas, por outro lado, agora não temos mais essas medidas. Vamos ver como vai ficar a situação sem essa interferência do governo na economia”, arrematou.   

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