Venda de veículos no Amazonas despenca em abril

As incertezas econômicas inerentes à segunda onda pesaram sobre as vendas de veículos automotores do Amazonas, que desaceleram em abril, em desempenho abaixo da média nacional. No total, foram comercializadas 4.548 unidades, no mês passado, com queda de 14,78% sobre março de 2021 (5.337) e incremento de 175,64% sobre abril de 2020 (1.650), quando pandemia atravessava sua primeira onda, em nível local. Em quatro meses, as vendas subiram 7,25%, com 14.789 (2021) contra 13.789 (2020). 

Os dados regionais foram disponibilizados pelo portal da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), nesta quarta (5). As informações foram amparadas pelos emplacamentos do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores), base de dados que leva em conta todos os tipos e veículos, incluindo automóveis convencionais, comerciais leves, caminhões, ônibus e motocicletas.

Ao contrário do ocorrido no mês passado, o desempenho do Estado veio aquém do apresentado pela média do mercado brasileiro, no mesmo período. De acordo com a base de dados da Fenabrave, as vendas nacionais cresceram exponenciais 221,29% na comparação de abril de 2021 (288.098) com o mesmo mês do ano passado (89.668). Em relação aos resultados globais de março deste ano (269.927), houve elevação de 6,73%. O acumulado do ano, por sua vez, passou para o campo positivo (+15,39%), de 930.841 (2020) para 1.074.143 (2021) veículos.

Diferente também do ocorrido no levantamento anterior, quando cinco das sete categorias listadas pela Fenabrave avançaram na variação mensal, apenas três conseguiram fechar no azul, em abril. Os melhores resultados vieram de ônibus (alta de 97,73%, com 87 unidades vendidas), seguidos de longe por motos (+6,31% e 1.971) e implementos rodoviários (+5,97% e 71). Na outra ponta, caminhões (-42,75% e 75), comerciais leves (-41,86% e 468), automóveis de passeio (-23,32% e 1.822) e “outros” (-10% e 54) – que incluem tratores e máquinas agrícolas – amargaram quedas.

Carros de passeio seguiram como a categoria mais vendida, em abril. Mas, a despeito da desaceleração mensal, conseguiram recuperar a primeira posição em termo de participação no bolo de vendas do Estado, no confronto dos acumulados de 2020 (40,35%) e de 2021 (42,55%). Motocicletas, que haviam elevado sua fatia no mês passado, seguiram na segunda posição e engataram marcha a ré, na mesma comparação – 35,97% (2021) contra 40,35% (2020).

Em depoimentos anteriores, o Sincodiv-AM (Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Estado do Amazonas) reforçou à reportagem do Jornal do Commercio que os números locais devem ser levados sempre sob a perspectiva do transit time (tempo de trânsito) entre faturamento e emplacamento, um hiato de tempo que pode durar 30 dias, em virtude da logística de translado do veículo entre a fábrica e o Estado.

Escassez e juros

Sócio e diretor administrativo da Daniel Veículos, Yuri Barbosa, informa que as vendas seguem em alta em sua loja, que teve um primeiro trimestre “excelente”, com expansão de 20% no faturamento em relação a igual intervalo do ano passado. No entendimento do empresário, os resultados só não foram melhores pela escassez do produto novo no pátio das concessionárias, já que o consumidor “tem procurado bastante”. Com isso, a tendência é de um “aumento substancial de vendas”, especialmente em relação ao ano passado.

“Tem modelos com 400 pessoas na fila de espera. Muitos não aguentam esperar seis ou oito meses e acabam comprando seminovo. Acredito que, enquanto as fábricas continuarem a trabalhar em horário reduzido, a demanda continuará maior que a oferta para todos os modelos. Os comerciais leves tiveram um maior aumento, pois o aumento deles foi bastante alto, e existem pouquíssimos modelos novos de carro popular abaixo de R$ 60 mil”, estimou.

Yuri Barbosa informa que a alta da taxa Selic ainda não chegou aos financiamentos de sua loja, nem impactou o setor automotivo. “A tendência é que, no decorrer do ano, os juros subam mais e os carros, que são impactados pela alta do dólar e do aço, também. Mas, temos visto um efeito diferente na tabela Fipe: ao invés de depreciar mês a mês, ela tem subido bastante para quase todos os modelos, desde o início de janeiro. Então, quem tem acesso ao crédito ou dispõe de recursos, acaba comprando logo, com medo de subir ou faltar produto no futuro”, esclareceu.

“Pior momento”

Em texto divulgado pela assessoria de imprensa da Fenabrave, o presidente da entidade, Alarico Assumpção Júnior, destaca que o saldo positivo global na variação mensal das vendas em todo o território nacional se deve ao desempenho de vendas de motocicletas (+52,03%). Segundo o dirigente, o segmento sofria represamento de demanda, que pôde ser atendido com o aumento da produção, gerando “uma certa distorção”, fato que ainda não ocorre nas demais linhas de veículos.

“A maior parte dos segmentos ainda sofre queda nas vendas, pela escassez na oferta de produtos, provocada pela falta de componentes e insumos na indústria e, também, em função dos períodos de fechamento dos showrooms das concessionárias, durante os feriados estendidos, em São Paulo, e demais decretos de restrição do comércio, em outros Estados”, frisou, ressaltando que, desconsiderarmos os resultados de motos, o setor teria sofrido queda de 6,86%.

Sobre o crescimento exponencial de dois dígitos na variação anual, Alarico Assumpção Júnior observa que a base de comparação foi depreciada pelas restrições da primeira onda, no “pior momento da pandemia”. “Naquela oportunidade, muitas concessionárias estavam com seus showrooms fechados, por decretos estaduais e municipais, e as redes de concessionárias estavam se adaptando às vendas não presenciais, que hoje ocorrem com mais normalidade”, explicou.

Com base nos resultados do quadrimestre (+15,39%), o presidente da Fenabrave prefere não rever as projeções iniciais para o ano – que se aproximam do número (+16%). “Acreditamos que, se a produção de veículos for regularizada e houver avanço na vacinação contra a covid-19, a economia também irá reagir melhor e, com ela, os índices de confiança, empregos, renda e, consequentemente, os resultados do nosso setor”, encerrou.

Foto/Destaque: Divulgação

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