Venda de veículos no Amazonas bate média nacional, aponta Fenabrave

As vendas de veículos automotores do Amazonas aceleraram e consolidaram crescimento, em maio, batendo a média nacional. Mas, ainda mostram números negativos nos segmentos de automóveis. No total, foram comercializadas 4.837 unidades, no mês passado, o que equivale a uma elevação de 5,11% sobre maio de 2021 (4.602) e incremento de 57,15% sobre junho de 2020 (3.078) –mês em que as concessionárias locais começavam a reabrir, no rastro do refluxo da primeira onda. No semestre, as vendas somaram elevação de 27,18%, com 24.228 (2021) contra 19.050 (2020). 

Os dados regionais foram disponibilizados pelo portal da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), nesta segunda (5). As informações foram amparadas pelos emplacamentos do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores), base de dados que leva em conta todos os tipos e veículos, incluindo automóveis convencionais, comerciais leves, caminhões, ônibus e motocicletas.

Diferente do ocorrido no mês passado, o desempenho do Estado veio melhor do que o apresentado pela média do mercado brasileiro, no mesmo período. De acordo com a base de dados da Fenabrave, as vendas nacionais tiveram uma performance de dois dígitos (+59,31%), na comparação de junho de 2021 (309.560) com o mesmo mês do ano passado (194.307) –também impactadas pelo efeito primeira onda. Em relação aos resultados globais de maio deste ano (319.244), entretanto, houve retração de 3,03%. O acumulado do ano ainda chegou a 38,95% com 1.702.887 (2021) contra 1.225.542 (2020) veículos.

Quatro das sete categorias listadas pela Fenabrave avançaram na variação mensal. O melhor resultado proporcional veio dos ônibus, que tiveram alta de 41,38%, com 82 unidades vendidas. Na sequência estão as motocicletas (+10,37% e 2.395), comerciais leves (+7,83% e 620) e “outros” (+7,69% e 70) – que incluem tratores e máquinas agrícolas. As quedas foram puxadas por implementos rodoviários (-28,57% e 60), caminhões (-10,91% e 98) e automóveis (-1,82% e 1.512).

Carros convencionais seguiram como a categoria mais vendida, em junho. Em paralelo com a desaceleração mensal, reduziam sua participação no bolo de vendas do Estado, no confronto dos acumulados de 2020 (40,39%) e de 2021 (38,57%). Motocicletas seguiram na segunda posição e voltaram a engatar marcha a ré, na mesma comparação – 40,80% (2021) contra 38,52% (2020). 

Em matérias anteriores como a reportagem do Jornal do Commercio, o Sincodiv-AM (Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Estado do Amazonas) reforçou que os números locais devem ser levados sempre sob a perspectiva do transit time (tempo de trânsito) entre faturamento e emplacamento, um hiato de tempo que pode durar 30 dias, em virtude da logística de translado do veículo entre a fábrica e o Estado.

Espera e score

Sócio diretor da Kodó Veiculos, Diogo Augusto Maia da Silva, avalia que o cenário do mercado local não sofreu mudanças significativas em relação ao mês anterior, com a demanda ainda aquecida, mas ainda represada pelo estrangulamento da oferta. De acordo com o empresário, no Amazonas, as dificuldades das montadoras conseguirem partes e peças para produzir e vender seus produtos às concessionárias soma-se ao transit time para tirar o produto da praça. As restrições bancárias e a alta dos juros também aparecem como fatores que dificultam as vendas.

“Continua faltando carro nos pátios das empresas, principalmente os modelos populares e utilitários. As fábricas estão fechadas e está todo mundo desabastecido para vendas. Com isso, o mercado de usados também fica aquecido. Não faltam clientes, mas tem pouca gente interessada em entrar em lista de espera. Principalmente no caso dos clientes que entregam o carro no negócio. No caso dos financiamentos, o score continua fazendo a diferença e, muitas vezes, o banco segura, porque o cadastro é ruim. Infelizmente, não vejo melhora desse cenário, ainda neste ano”, lamentou. 

Sem estoque

Em comunicado à imprensa, a Fenabrave assinalou que, apesar da “ligeira retração” mensal de junho, o mercado brasileiro de veículos consolidou sua trajetória de recuperação no primeiro semestre de 2021, com expansão de dois dígitos nas vendas de todos os segmentos automotivos, na comparação com o mesmo período do ano anterior. “A alta já era esperada, pois tivemos uma paralisação quase completa da economia. em abril de 2020. Mas, de qualquer forma, o mercado mostrou boa adaptação à pandemia”, ponderou o presidente da entidade, Alarico Assumpção Júnior.

No entendimento do dirigente, a recuperação poderia ser melhor, caso a produção de veículos estivesse normalizada, uma vez que a indústria continua enfrentando dificuldades na obtenção de peças e componentes eletrônicos, a fim de manter o ritmo de produção que atenda à atual demanda. “Isso fica bem claro no segmento de automóveis, por exemplo. As concessionárias estão, praticamente, sem estoque de alguns modelos e as entregas estão represadas, o que acaba comprometendo a recuperação dos segmentos afetados”, explicou.

Diante do cenário, a Fenabrave revisou suas projeções iniciais, de emplacamentos para 2021. Em janeiro, a alta anual esperada era de 16,6%, mas foi corrigida para 13,6%. “Automóveis e comerciais leves continuam muito afetados pela baixa disponibilidade de produtos. Em função da importância de ambos, em termos de volume, para o setor automotivo, o número global foi reduzido, mas outros segmentos, como caminhões, ônibus e implementos rodoviários, tiveram suas estimativas ajustadas para cima”, concluiu.

Foto/Destaque: Divulgação

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