Venda de veículos no Amazonas apresentam reação em maio

As vendas de veículos automotores no Amazonas esboçaram uma reação, na passagem de abril (1.650 unidades) para maio (2.183), com alta de 32,30%, após despencarem em todas as comparações no mês anterior. Os números, contudo, seguem bem abaixo dos contabilizados no ano passado, com recuos de 55,61% e relação a maio de 2019 (4.918) e de 23,20% no comparativo dos acumulados dos cinco meses do ano – 15.972 (2020) contra 20.796 (2019).

Os números regionais foram disponibilizados pela Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) nesta quarta. Foram embasados nos emplacamentos do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores), base de dados que leva em conta todos os tipos e veículos, incluindo automóveis convencionais, comerciais leves, caminhões, ônibus e motocicletas.

Os números do Estado vieram em sintonia com os do mercado brasileiro e os efeitos da crise da covid-19, em um segundo mês de concessionarias de portas fechadas. As vendas nacionais somaram 100.425 mil unidades, alta de 11,97% em relação a abril, que registrou 89.687 licenciamentos. Na comparação com maio de 2019 (358.438), o resultado foi 71,98% inferior. O tombo apresentado no acumulado de janeiro a maio (1.031.321) foi de 35,64% frente o mesmo período do ano passado (1.602.524).

Praticamente todas as sete categorias listadas pela Fenabrave registraram aumento de vendas nas concessionárias do Amazonas, na passagem de abril para maio. As maiores altas vieram de caminhões (+219,23%) e “outros” (+120%), com 83 e 11 veículos comercializados, respectivamente. Foi seguido por comerciais leves (+93,61% e 515), automóveis de passeio (+38,40% e 829), implementos rodoviários (+20% e 24) e motocicletas (+0,28% e 714). O único registro de queda veio dos ônibus (-68,18% e 7). 

Carros convencionais seguiram como a categoria mais vendida. Mas, assim como ocorrido em meses anteriores, reduziram sua fatia no bolo. Desta vez, a redução foi de 47,27% para 40,03%, no confronto com os números de maio do ano passado. Motocicletas comparecem na segunda posição e, apesar do crescimento mais baixo, seguiu na direção contrária, ao elevar sua participação no bolo de 37,52% para 39,31%, na mesma comparação.

Transit time

O presidente do Sincodiv-AM (Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Estado do Amazonas), João dos Santos Braga Neto, observa que os números locais do setor devem ser levados sob a perspectiva de uma pequena defasagem nos números. Isso ocorre em razão do transit time (tempo de trânsito) entre o faturamento da venda e o emplacamento do veículo, que só ocorre no momento de sua chegada ao Estado, 30 dias depois. 

O dirigente lembrou que, embora as concessionárias tenham voltado a atender presencialmente apenas nesta segunda (1º), após passar 70 dias de portas fechadas, as vendas do setor seguiram acontecendo, pelo modo online. E, conforme o Sincodiv-AM, sinalizam ocorrer em ritmo adequado ao “novo normal” que se desenha pela pandemia, pelo menos no curto prazo. 

“Achamos que o pior já passou. Agora, que estamos abertos 100%, o que precisamos é de confiança e estabilidade política para podermos voltar a crescer. Nossa expectativa é que as empresas consigam fechar junho com um movimento equivalente a 60% da média do que seria registrado neste mês, sem a pandemia. Mas, esperamos que o mercado cresça gradativamente, a partir daí”, ponderou. 

Usados e seminovos

Os números foram positivos não apenas para o segmento de carros zero, como também para o de usados e seminovos, favorecendo estabelecimentos que trabalham com duas ou mais dessas frentes. Sócio e diretor administrativo da Daniel Veículos, Yuri Barbosa, avalia que o medo inicial decorrente da pandemia acabou cedendo à tentação proporcionada pelos juros mais baixos nas prestações.

“O fato de o governo decretar fechamento dos espaços físicos das revendas e concessionárias fez muitos clientes ficaram receosos de adquirir carro novo. Para alguns, foi por precaução com as finanças, para outros, por não querer se expor ao vírus. Mas, maio teve uma melhora relevante em relação a abril. Com o corte da Selic para 3%, muitos quiseram aproveitar os juros baixíssimos hoje praticados e voltaram a comprar”, ressaltou.

Sem projeções

Em entrevista concedida ao site Automotive Business, e disponibilizada no site da Fenabrave, o presidente da entidade, Alarico Assumpção Júnior, avaliou que a “pequena recuperação” das vendas em maio só foi possível por causa das negociações on-line, do maior número de concessionárias abertas e retomada de licenciamentos em alguns Detrans, já que a maioria das lojas e centros de emplacamentos foi fechada em abril como medida de prevenção à covid-19. 

Para o dirigente, os emplacamentos e vendas só vão atingir nível mais elevado quando as concessionárias e Detrans de todo o país retomarem plenamente todas as atividades. “Se o Estado e a capital paulista estivessem operando normalmente, os resultados seriam mais expressivos, já que São Paulo representava, antes da crise, mais de 26% das vendas de veículos e passou a representar apenas 0,9% em abril e 1,6%, em maio”, assinalou.

Enquanto a reabertura das concessionárias não acontece plenamente e crescem as incertezas sobre a economia, a Fenabrave informa que não irá fazer projeções de vendas para o ano. O presidente da entidade diz que vai aguardar o fechamento do primeiro semestre para reavaliar o cenário. “O que sabemos é que o ritmo será mais lento no início e neste momento não temos como prever os reais impactos. Assim como o PIB, devemos ter um resultado inferior ao de 2019”, encerrou. 

Fonte: Marco Dassori

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