Vazante no rio Madeira traz prejuízo ao setor de navegação

Em razão dos registros do baixo nível das águas e da cota do rio Madeira em Porto Velho, com 2,86 metros, um metro abaixo em relação ao mesmo período do ano passado, a  navegação já estima um impacto significativo para o setor. A estiagem na região amazônica afeta duramente o transporte fluvial.

“A gente estima que nós teremos este ano muita dificuldade de navegação no trecho compreendido entre Humaitá – Porto Velho e começa a ser o trecho mais crítico”, informa Dodó Carvalho, conselheiro do Sindarma e diretor de hidrovias da Fenavega. 

Os sinais da seca obrigaram a Capitania restringir a navegação noturna, o que naturalmente traz reflexos no aumento do tempo de viagem, por exemplo, quem realizava viagens  em três dias entre os trechos de Porto Velho – Manaus, passa realizar a viagem em cinco dias, além disso, há ainda uma redução na capacidade de cargas transportadas das embarcações. Dependendo do tipo de carga e do tipo de embarcação essa restrição em média entre 10% a 30%. 

“Esses três próximos meses são períodos críticos. Existe o aumento nos riscos da navegação porque uma embarcação se deparar com um banco de areia descendo o rio é um impacto muito grande pode realmente ocasionar um naufrágio”.

Ainda sobre os impactos, Carvalho menciona os prejuízos também refletem no valor dos fretes em torno de 15% ou nas despesas das empresas em razão da baixa produtividade. Como demora mais o tempo de viagem acaba que a rotatividade é menor e com capacidade de carga menor.  “Uma balsa de mil toneladas, vai navegar 750 a 800 toneladas e isso realmente repercute no custo da viagem então nós temos um adicional de custo na ordem de 15% até 20% dependendo do comboio. Há também o aumento nos valores de  determinadas mercadorias. “Quem não tiver estoque de mercadorias vai sofrer escassez do produto”.

Para Dodó Carvalho, a situação deve ser minimizada com o novo procedimento de dragagem navegação anunciado pelo governo federal por intermédio do Dnit  (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), do Ministério da Infraestrutura, que este ano retomaram os serviços no rio Madeira para trabalhar a dragagem em pontos específicos considerados mais críticos que começam em Porto Velho até o município de Manicoré.

“Esse trecho detém 22 pontos que precisam ser dragados e o governo está com uma intensidade grande de draga nos rios para estes pontos específicos. Quando o fizerem, ele vai canalizar a água e consequentemente nós vamos ter uma navegação melhor. Nós estamos esperançosos que este ano a gente vá conseguir ter uma navegação mais segura porque essas passagens estarão dragadas”.

Por dentro

De acordo com informações repassadas pelo CPRM (Serviço Geológico do Brasil), a cota do Rio Madeira chegou a 12.26 metros no último dia 7, na estação de Humaitá. Conforme a engenheira do CPRM Luna Gripp, a cota máxima atingida neste ano foi de 23,6m em 7 de março. O nível do rio já desceu mais de 10 metros. 

Saiba mais

A estiagem também tem ocasionado redução na produção agrícola e pecuária no Amazonas. Com isso a diminuição de oferta de produtos e encarecimento. Um exemplo é o leite e o queijo. No verão a oferta de pastagens reduz e com isso há queda da produção de leite e queijo.

Entre as variáveis que são afetadas diretamente em épocas de grandes vazantes o presidente da federação cita: os prejuízos (social e econômico) nas comunidades isoladas. A logística fica comprometida e o escoamento produtivo fica reduzido.   Inviabiliza o acesso a muitos lugares pelos afluentes do rio que chegam a ficar secos.  Os moradores de várzea têm de recomeçar, reconstruir, reorganizar todo o espaço modificado, para retomar seus afazeres corriqueiros como morador da várzea.

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