Vazante dos rios Solimões e Javari já afetam o Amazonas

O processo de vazante dos rios Solimões e Bacia do rio Javari, já acarretam em isolamento dos  municípios de Benjamin Constant e Atalaia do Norte. Devido ao assoreamento da área, as embarcações que transportam mercadorias e passageiros não estão conseguindo atracar. O baixo nível do rio já reflete na distribuição de produtos aos municípios, levando ao  encarecimento das mercadorias e o risco à navegação. 

O diretor do Sindarma (Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial no Estado do Amazonas), Dodó Carvalho, informa que o tempo de viagem dobra aumentando o prazo para que as embarcações cumpram o tempo previsto.

De acordo com Denis Paiva, prefeito de Atalaia do Norte, a situação do município com a estiagem  é crítica. Os barcos não conseguem chegar ao nosso município o que tem refletido nos custos dos produtos. Além da dificuldade de adquirir insumos para poder abastecer o mercado local e fazer os produtos chegarem à mesa das familias”. 

As embarcações que trazem cargas e passageiros para esses municípios estão descarregando no porto de Tabatinga e precisam de no mínimo 3 metros para seguir com segurança para os municípios, sendo que o nível dos rios está marcando 1 metro e meio. 

Os comerciantes destes municípios estão tendo que fretar pequenas embarcações para transportar as mercadorias de Tabatinga até essas localidades. É o caso do comerciante Edvaldo Cruz, do município de Benjamin Constant. Ele relata que a dificuldade logística tem afetado os custos. “Não podemos deixar a mercadoria abandonada. Estamos pagando mais caro tanto em relação ao transporte porque obrigatoriamente tem gastos extras, quanto no valor dos produtos, devido o difícil acesso ao municipio”. 

Em entrevista ao Jornal do Amazonas, um funcionário do comércio do município de Atalaia do Norte, confirma a situação e diz que tem todo um custo do diesel e da gasolina, o que faz a mercadoria encarecer por conta dessa logística e gasto a mais para irem até Tabatinga buscar as mercadorias. 

A situação influencia diretamente no custo da navegação. “Esse custo naturalmente deve ser repassado no valor da mercadoria”, diz o  diretor do Sindarma. Conforme ele, há três  agravantes neste período, além da seca. O custo da viagem que aumenta, a redução da capacidade de carga nas embarcações e o preço do combustível tem trazido um grande prejuízo para o segmento de navegação. 

“Nós trabalhamos ano passado com o preço médio do diesel de R$ 2,60. Este ano, em torno de R$ 4. Não tem como não repassar isso. O produto mais caro na mesa do ribeirinho com certeza vai  ser em razão dos três fatores”. 

Em Benjamin Constant, o porto do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes foi interditado. Por causa da seca do rio Javari a balsa do Terminal Hidroviário está encalhada o que tem causado transtorno aos donos de embarcações que precisam atracar no porto do município. 

De acordo com o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) a estação portuária de Benjamin Constant está temporariamente fora de operação por causa do assoreamento causado pela cheia deste ano e disse ainda que já está trabalhando para que o terminal volte a operar o mais breve possível. 

Carvalho diz que dos 45 portos que foram construídos no Estado, não tem 40% funcionando, o resto está inoperante. Segundo ele,  a União fez um aporte nessa estrutura portuária de R$1,5 milhão e a população não está usufruindo.”Para esses portos de Atalaia e Benjamin serem operativos precisam obedecer o regime de água da nossa região. Esses locais  são aparelhos de desenvolvimento dos municípios. As prefeituras não podem se omitir de cuidar desses locais. Ficou sob administração do Dnit e o órgão “não tem braço”, para alcançar esses municípios dando manutencão”. 

Nível 

O Serviço Geológico do Brasil (CPRM),  não dispõe das estações nestas localidades,  mas conforme monitoramento, o rio Solimões mantém o processo de vazante de algumas semanas, apresentando cotas dentro da normalidade para o período, destaque para Tabatinga que apresentou uma curva de descida mais acentuada resultando em uma cota próxima do limite inferior de maior permanência.

O pesquisador do CPRM, André Martinelli, complementa que a região monitorada é em Tabatinga que abrange essas áreas. “O que ocorre em Tabatinga traduz bem nestas localidades adjacentes. O nível do rio em Tabatinga e  nessas outras cidades está no limite inferior do que se espera para época, tendendo para uma vazante extrema. Realmente a cota em Tabatinga está muito próxima do mínimo histórico registrado. Cerca de apenas 2 metros”, pontua.

Foto/Destaque: Divulgação

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