Varejo supera atacado no Amazonas

Em dez anos, o varejo superou o atacado, no Amazonas. O segmento foi turbinado pela virada da receita bruta, que passou de R$ 6,9 bilhões (2009) para R$ 18,4 bilhões (2018). A margem de comercialização do varejo, por outro lado, subiu 11,7 pontos percentuais em igual período. A despeito da crise de 2015/2016, o comércio amazonense avançou nas receitas (+95,8%), margem de comercialização (+49,9%), pessoal ocupado (+17,8%) e salários (+126,1%). 

Os dados estão na PAC (Pesquisa Anual do Comércio), divulgada nesta sexta (26). A sondagem investigou os principais resultados das empresas comerciais amazonenses em 2018, dividindo suas atividades em três segmentos: comércio de veículos, peças e motocicletas; comércio por atacado; e comércio varejista. No entendimento do IBGE-AM, a atividade comercial exerce “relevante função” de intermediação na economia entre provedores e consumidores de bens, facilitando as transações econômicas. 

O comércio do Amazona registrou, em 2018, R$ 39,8 bilhões de receita bruta de revenda e de comissões sobre vendas, e a margem de comercialização foi de R$ 8,9 bilhões. Ao mesmo tempo, o setor ocupou em torno de 86,5 mil pessoas, pagando R$ 1,9 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações. Os valores foram gerados por 9.171 unidades locais, no total.

Em relação a 2009, a receita bruta cresceu 95,8% e a margem de comercialização, 40,9%. O incremento nos empregos, contudo, foi mais tímido. Naquele ano, o número de pessoal ocupado totalizava 73,4 mil pessoas e acabou passando para 86,4 mil em 2018, uma diferença de 17,8%. No mesmo período, os salários, passaram de 849,9 milhões para 1.9 bilhão (+126,1%), e o número de unidade locais passou de 8.151 para 9.171 (+12,5%).

Em relação à estrutura da atividade no Amazonas, o IBGE informa que as 7.267 unidades locais do varejo obtiveram R$ 18,4 bilhões em receita bruta de revenda e de comissões sobre vendas, em 2018. As 1.306 empresas do atacado faturaram R$ 17,7 bilhões, enquanto as 598 do comércio de veículos, peças e motocicletas totalizaram R$ 3,7 bilhões. Em uma década, a primeira viu sua participação no setor aumentar – 34,1% para 46,3% – em detrimento da segunda – que encolheu de 53,3% para 44,5%. O varejo especializado para veículos também caiu – de 12,6% para 9,2%.

O mesmo pode ser dito da margem de comercialização – que corresponde à diferença entre a receita líquida de revenda e os custos das mercadorias revendidas. Ela foi de R$ 5,2 bilhões para o varejo, representando 58,9% do total de R$ 8,9 bilhões, enquanto o comércio atacadista não passou de 33,43%. De 2009 a 2018, o varejo elevou sua margem em 11,7 pontos percentuais, sendo o único segmento do comércio amazonense que aumentou sua representatividade – de 47,3% (2009) para 59% (2018).

O varejo foi responsável por empregar 61.506 pessoas pagando R$ 1,2 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações. Já o comércio atacadista contava com 18.408 trabalhadores e totalizava R$ 525,7 milhões em remunerações. O subsetor de veículos, peças e motocicletas (6.578 e R$ 181,5 milhões) ficou em último lugar. Todos aumentaram seus contingentes, mas só o varejo aumentou a participação – de 67,7% (2009) para 71,1% (2018).

Crise e crescimento

Para o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, a pesquisa mostra que o comércio amazonense, apesar de todas as crises, tem tido bom desempenho nos últimos anos, com destaque para o segmento varejista do Estado, que tomou o primeiro lugar do setor e termos de lojas, empregados e resultados.

“A receita bruta de vendas vem crescendo a cada ano. O varejo cresceu dez anos seguidos. O atacado cresceu nove anos em dez, enquanto veículos e peças teve sete anos positivos. A margem de comercialização, de onde as empresas irão retirar o seu lucro, somente em 2017 declinou, voltando a subir em seguida. São 9 anos de crescimento. O varejo passou a ser a maior atividade e agora possui maior receita, maior margem, mais salários, mais mãos-de-obra e maior quantidade de unidades comerciais”, afiançou.

‘Atacarejos’ e bairros

O presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Jorge Souza Lima, considera que diversos fatores contribuíram para o crescimento ininterrupto do comércio local, incluindo a expansão da atividade econômica nos bairros mais distantes de Manaus e a diversificação dos próprios atacadistas, que passaram a atender também o consumidor diretamente.

“O comércio de bairro avançou muito nesse tempo e surgiram muitos mercadinhos para atender o consumidor que não quer ou não pode se deslocar até o Centro ou até o shopppings. Hoje, você passa pelas ruas das zonas Leste e Norte e vê muita atividade comercial, com sucesso de vendas. Ao mesmo tempo, surgiram os ‘atacarejos’ no mercado e hoje não há tanta distinção assim, com muitas lojas atuando nos dois segmentos. E teve a crise também, que talvez tenha contribuído alguma coisa”, arrematou.

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