Varejo pessimista com vendas

Enquanto aguardam o efeito das medidas para solucionar a crise de acesso ao crédito no setor de duas rodas, concessionárias de motocicletas do Amazonas estão pessimistas com as vendas de dezembro e preocupadas com o próximo ano.
De acordo com números da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), seria necessário que as revendedoras locais emplacassem mais de 4 mil motos nos últimos 15 dias deste mês para alcançar os números de unidades comercializadas em 2011.
A meta está longe de ser cumprida, de acordo com a gerente de vendas da Braga Motos, Sarah Fonseca. “Hoje, por exemplo, de dez pedidos de financiamento, somente uma ficha foi aprovada aqui na loja”, conta. Segundo ela, de cada oito motos emplacadas na concessionária, em média, seis são por meio de venda à vista e apenas duas por financiamento bancário.
“Não é falta de clientes, mas mesmo com o décimo terceiro salário eles não conseguem passar pelo crivo dos bancos. Às vezes, recebemos clientes que podem dar uma entrada de até R$ 500 e o banco não aceita menos de R$ 1.500. Nem as parcelas de R$ 144 que oferecemos é o suficiente”, continua.
Na avaliação da gerente, “a primeira quinzena não foi tão boa quanto o ano passado e para os últimos 15 dias deste mês aguardamos uma pequena melhora de 10% nas vendas, mas não temos nenhuma expectativa de igualar o desempenho com o do ano passado”, lamentou.
A preocupação se estende ao próximo ano. “O crédito segue restrito e a inadimplência em níveis altos. Os estoques estão ‘entupidos’ e já teríamos que fazer os pedidos para o início de 2013, mas estamos muito apreensivos de não vender”, afirmou.
Já o gerente de vendas da TV Lar Motos, Luiz Santos, diz que a primeira quinzena de dezembro melhorou muito em relação a novembro, mas a estimativa para o final do mês não é das melhores. “Isso porque na segunda quinzena, a atenção do consumidor está voltada para as festas de final de ano e férias. Então se não conseguimos acelerar as vendas até o momento, não acreditamos em uma guinada agora”, resumiu.
Ele conta que trabalha com dois modelos principais de motos de baixa cilindrada, que variam entre R$ 4.500 a R$ 7.000, e que a loja oferece entrada a partir de R$ 199,00. “Já estamos facilitando a esse ponto porque precisamos esvaziar os estoques de qualquer maneira”.

Números

De acordo com a Fenabrave, na primeira quinzena e dezembro, 1.262 motocicletas foram vendidas no Amazonas, menos da metade das 3.099 unidades comercializadas em dezembro do ano passado.
No acumulado de 2011, 24.823 motos fora vendidas. Este ano, com menos de 15 dias para o final de dezembro, 20.710 unidades foram emplacadas, faltando 4.113 para que o número de emplacamentos seja pelo menos igual.
No entanto, de acordo com a previsão da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) até o final deste ano, apenas mais 1.890 unidades seram comercializadas, o que totaliza 22.6 mil motos vendidas no Amazonas esse ano, 12% a menos em relação aos números da entidade para o ano passado.

Em 2013

Segundo o economista e vice-presidente da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, o segmento perdeu a melhor época do ano para vender. “A expectativa deles era de que a abertura do crédito fosse proporcionar um mês aquecido, mas dezembro não é um mês propício para esse produto”, destacou.
Frota esclarece que 2012 não foi um ano de linhas de crédito atraentes. “Fora a inadimplência alta, com a queda frequente da taxa Selic, a rentabilidade dos bancos caiu bastante, já que as entidades ‘lucram’ ,além da rotatividade, com os juros inseridos nas operações. Diante dessa situação eles ficaram mais exigentes, afinal não poderiam arriscar vender, lucra menos e não receber o pagamento, uma vez que é muito mais difícil para o banco retomar uma moto do que um automóvel”, explicitou.
Ele avalia que a partir de março a situação das revendedoras deva melhorar. “Além de todos os problemas que a crise de financiamento nos trouxe, o período após as festas que inclui férias, início das aulas e Carnaval já remete a uma queda natural das vendas para esse setor. Mas, a tendência -já que os bancos públicos, mesmo tímidos iniciaram a concessão de financiamentos estimulados por medidas do governo federal e com os bancos privados seguindo o mesmo caminho –, é de retomada das vendas no próximo ano, a partir do início do segundo trimestre”.

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