21 de abril de 2021

Varejo luta contra o desabastecimento no Dia dos Pais

Após completar dois meses de portas reabertas e aquecimento nas vendas, o comércio varejista de Manaus já se preparava para registrar seu primeiro crescimento em uma data comemorativa neste ano. A pedra no caminho é o desabastecimento, que já ocorre em alguns segmentos e produtos diversos, em decorrência da desarticulação das cadeias produtivas pela pandemia, do recrudescimento de casos e mortes no Centro-Sul, e dos efeitos da crise da covid-19 na logística para a região.    

Mas, as entidades do setor não se entendem sobre o foco desabastecimento e se dividem sobre seus reais efeitos nas vendas para o Dia dos Pais. Alguns apontam que a escassez de produtos se dá em artigos típicos para a data comemorativa e pode atingir em cheio as metas do setor. Outros avaliam que o problema é difuso, atinge mais produtos que não estão no foco do calendário, e já sinaliza uma resolução no curto prazo. Todos concordam, no entanto, que a logística problemática da região e fatores de mercado ligados a ela agravam o problema.  

O presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Amazonas), Ezra Azury, é uma das lideranças que aponta o atual problema de desabastecimento como um fator que pode comprometer as metas do setor para o Dia dos Pais. Segundo o dirigente, a escassez de produtos já se dá em alguns modelos de confecções e calcados, segmento que concentra as maiores intenções de compra para o período.

“O desabastecimento é uma realidade. Já tem alguns dias que estão faltando alguns itens. Em muitos lugares, as empresas estão fechadas e com pouca mão de obra, e muitos grandes centros consumidores não abriram 100%. Ou seja, Brasil precisa muito de São Paulo, até para o consumo. Como as fábricas não tem tantas vendas, estão produzindo menos e o pouco que têm não dá conta para o resto do Brasil. A ideia é que as pessoas não deixem para comprar na última hora, para não ficar sem o produto”, avisou.

Oferta de praça

O presidente em exercício da Fecomércio-AM (Federação do Comércio de Bens e Serviços do Estado do Amazonas), Aderson Frota, lembra que o abastecimento do varejo de Manaus se dá por fornecedores do Nordeste e Sudeste e que a pandemia reduziu as escalas de voos e de navios, assim como seu volume de cargas, no período.

“É um desdobramento que já era esperado. Primeiro, a indústria fechou por falta de insumos e corte da demanda do comércio, que estava fechado. Agora, o varejo sofre com essa quebra na produção. E há também a falta de oferta de praça: o contêiner fica retido até conseguir encher e vir para cá. A distância, burocracia e falta de concorrência na navegação de cabotagem nos prejudica”, lamentou. 

O presidente da Fecomercio-AM não descarta a possibilidade de eventuais tropeços de vendas para o varejo no Dia dos Pais, dado que o desabastecimento ocorre em vários produtos da área de presentes, calçados e tecidos, e não poupa nem mesmo artigos essenciais de higiene.  

Celular e frete

O presidente da CDL-Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus), Ralph Assayag, concorda que o varejo apresenta problemas de abastecimento em alguns de seus segmentos e que são situações decorrentes do fechamento de empresas em Estados como São Paulo e Minas Gerais, mas salienta que a tendência é de retorno o curto prazo e que o entrave não deve comprometer as vendas globais do Dia dos Pais, em que pesem influências pontuais.

“Por exemplo, os fornos que fazem o porcelanato e a parte de cerâmica pararam e está afetando agora. Então, isso demora um pouco até chegar a Manaus. Fábricas de condicionadores de ar e de embalagens, entre outras, também ficaram paradas. Acredito que em 45 dias, esses processos se ajustam. Mas não vejo problemas para o Dia dos Pais. A não ser que tenha alguma coisa pela mudança de modelos de celular, porque o smartphone deve crescer bastante neste ano”, amenizou.

Assayag avalia que os segmentos devem estar com seu abastecimento normalizado dentro de pouco tempo. Ele lembra que, durante os dias mais difíceis da pandemia, havia um problema do encarecimento do frete pelo menor escoamento de produtos do PIM para dar maior retorno às transportadoras. Mas, segundo o dirigente essa é outra dificuldade que ficou para trás. “O Distrito começou a entregar e São Paulo já está ajustando. Em breve, tudo vai estar resolvido”, completou.

Aquecimento e escassez

Já o presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Jorge Lima, concorda que o desabastecimento é uma realidade que atinge diversos segmentos atendidos pelo comércio de Manaus, especialmente por problemas logísticos. “Temos cinco navios atendendo a região e três deles estão parados, pela menor oferta da crise e mesmo pela pandemia. Alguns lojistas já se queixaram conosco que o estoque baixou muito e não está dando para atender o aquecimento nas vendas”, comentou.   

O dirigente, contudo, não vê maiores problemas para o setor no Dia dos Pais e avalia que o problema se dá mais em artigos que não são típicos para a data. “Estão faltando alguns eletrodomésticos, como ventiladores, e produtos adquiridos pelas classes de consumo mais baixas. Mas, de acordo com pesquisas para a procura no Dia dos Pais, os itens mais procurados pelo consumidor são roupas, calçados e perfumes, que não sofrem desabastecimento”, encerrou. 

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