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Varejo do Amazonas em alta

O Amazonas registrou uma alta de 6,1% no comércio varejista em junho deste ano, em  relação ao comparativo anual, segundo o último índice Stone, que mensura o desempenho de três segmentos de vendas no Brasil. É a 18ª edição do estudo, divulgada nesta quarta-feira (10).

Durante o período, no recorte regional, outros Estados também registraram balanço positivo – Maranhão (9,1%), Rio Grande do Sul (7%), Roraima (5,2%), Pará (2,2%), Sergipe (2%), Acre (0,8%), Mato Grosso (0,5%), Mato Grosso do Sul (0,1%) e Pernambuco (0,1%).

Na Região Norte, o Estado, com maior volume de vendas em Manaus (capital), foi o maior destaque, superando Roraima, Pará e Acre, como indicam os dados, sinalizando que o mercado está em franca ascensão, apesar da crise em 2023, quando os varejistas enfrentaram uma das maiores crises por conta da forte estiagem, atingindo pelo menos 680 mil pessoas, causando, inclusive, a paralisação de fábricas do modelo ZFM por falta de insumos.

A Stone pesquisa três setores de mercado – farmacêuticos, médicos, ortopédicos, perfumarias e cosméticos. E ainda hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, como também livros, jornais, revistas, papelarias, móveis e eletrodomésticos, tecidos, vestuários, calçados e material de construção.

O levantamento se baseia na metodologia proposta pelo time de Consumer Finance do Federal Reserve Board (FED), que idealizou um modelo de indicador econômico similar nos Estados Unidos, segundo a empresa. São consideradas as operações via cartões, voucher e Pix dentro do grupo StoneCo.

“O comércio varejista do Amazonas apresentou uma alta consistente ao longo de todos os meses do semestre, encerrando com um aumento acumulado de 4,9% em comparação com o primeiro semestre de 2023. Esse crescimento reflete a resiliência e a adaptabilidade do setor varejista na região”, diz Matheus Calvelli, pesquisador econômico da Stone.

Segundo ele, embora a organização não realize projeções específicas para o varejo no Amazonas ou outros Estados, o grupo compartilha algumas tendências gerais observadas no setor. “Há sinais de resiliência e crescimento, impulsionado por fatores como a recuperação econômica pós-pandemia e o aumento da confiança do consumidor. Esses fatores podem indicar um cenário positivo para o varejo local no curto e médio prazo”, acrescentou ele.

Matheus Carvelli também projeta boas expectativas para o Amazonas, enquanto empresários do varejo local manifestam grande preocupação com a possibilidade de uma vazante atípica em 2024, até mais severa que a de 2023.

“A tendência de alta observada até agora sugere um cenário promissor para o restante do ano, impulsionado pela recuperação econômica e pelo aumento da confiança do consumidor”, ressalta.

Em todo o País, o Índice Stone indica um crescimento de 0,3% no primeiro semestre de 2024, com fechamento estável, comparando com o mesmo período de 2023. Na análise mensal, foi registrada, porém, uma queda de 0,1% no volume de vendas nos segmentos pesquisados.

“Com os dados deste mês, o cenário de incertezas pontuado no último relatório parece se resolver, mostrando que o primeiro semestre de 2024 se encerrou com uma tendência de estabilidade e leve alta quando se compara com os primeiros seis meses de 2023”, explica Matheus Calvelli, também cientista econômico.

Os 14 Estados que registraram resultados negativos no comparativo anual destacam-se Rondônia (-13%), Alagoas (-9,9%), Piauí (-5,%),Santa Catarina (-3,8%), Ceará (-3%), Amapá (-11,6%), Paraíba (-1,6%), Bahia (-1%), Paraná (-0,8%) e Espírito Santo (-0,8). No entanto, Rio Grande do Norte, Minas Gerais e o Distrito Federal permaneceram estáveis (0%), aponta a pesquisa.

Desempenhos dos setores

De acordo com a Stone, entre os três segmentos analisados, três deles registraram alta mensal. Os setores de livros, jornais, revistas e papelarias lideraram com um crescimento de 1,7%, seguidos por tecidos, vestuários e calçados (0,6%) e material de construção (0,5%).  

Porém, os outros três varejistas analisados apresentaram queda, liderados por artigos farmacêuticos (recuo de 1,0%), seguidos por móveis e eletrodomésticos (0,6%) e hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,5%).

Apesar das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, causando grandes tragédias, o Estado registrou alta significativa no volume de vendas. Matheus Carvelli explica. “De forma generalizada, houve uma forte alta na primeira quinzena de junho em vários setores, com o restante do mês seguindo em linha com a média histórica. Portanto, o varejo naquela região está se estabilizando”, frisou.

Questionado sobre a alta nas vendas de livros em um país onde se lê pouco, com altos custos para o consumidor final, o cientista político avalia o crescimento no setor em relação ao período analisado.

“O setor de livros e papelarias, apesar de ter apresentado uma alta mensal em junho, está em uma tendência de queda a longo prazo, refletindo um mercado em retração. A alta pontual pode ser explicada por um ciclo letivo mais favorável, influenciando temporariamente os resultados positivos do segmento”, disse.

Marcelo Peres

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