Varejo abre 2010 em marcha lenta

A tão esperada expectativa de crescimento para este ano ainda não aconteceu no comércio varejista de Manaus, que há menos de uma semana para terminar janeiro, está com as vendas fracas em alguns segmentos. Diante do atual cenário, os empresários apontam que o crescimento não deverá ultrapassar a marca de 2% em relação a janeiro de 2008, período marcado pelo rescaldo da crise financeira global. A projeção leva em conta as promoções que, dependendo do produto, podem chegar a 35%.
O diretor-presidente da rede de lojas Belmiro’s, Belmiro Vianez Filho, avaliou que o varejo ainda não sinalizou resultados positivos, principalmente nos segmentos de confecções, eletroeletrônicos e eletroportáteis. “Mesmo que as vendas tenham incrementado no último trimestre do ano passado, os lojistas ainda não recuperaram as perdas acumuladas ao longo do ano, por conta da crise mundial”, garantiu.
Segundo o empresário, as tradicionais liquidações, que acontecem nos meses de janeiro e fevereiro, com descontos especiais, principalmente de produtos como roupas e calçados, oferecem descontos de até 35%, enquanto os abatimentos em eletrodomésticos variam de 15% a 20%. São alternativas, apontou o empresário, criadas pelos lojistas para segurar as vendas do bimestre e desovar os estoques do ano anterior. “Em alguns casos houve bastante sobra de mercadorias que estão sendo desovadas na base da promoção”, admitiu.
Belmiro disse que a partir de março é comum as lojas começarem a repor os estoques com mercadorias novas. Inclusive trazem novidades que o mercado oferece, seja no mundo da moda (roupas e calçados), seja na informática, entre outras.

Redução do IPI

Segundo Belmiro, 2009 foi bom para os segmentos que comercializam automóveis, pneus e peças, que cresceram entre 8% e 9%. A redução do IPI (Imposto sobre produtos Industrializados) foi a tábua de salvação dada pelo governo federal para segurar as vendas do setor.
Dados nacionais apontam que o comércio varejista ampliado – que inclui veículos e motos, partes e peças e material de construção – registrou aumento de 0,6% nas vendas em novembro, na comparação com outubro. As vendas de veículos e motos, partes e peças aumentaram 0,5% em novembro ante o mês anterior. Já o segmento de material de construção registrou expansão de 2,7% ante outubro.
Por enquanto, a boa performance de vendas do comércio está direcionada a volta às aulas, como livrarias, papelarias e calçados escolares. Segundo Belmiro, tradicionalmente esses setores têm boa margem de vendas nos meses de janeiro e fevereiro, com o retorno das aulas na rede pública, municipal e privada.

Empregos temporários estão por um fio, diz ACA

A ACA (Associação Comercial do Amazonas) também está preocupada com o movimento de janeiro, que está aquém do projetado. Por conta disso, a entidade não sabe até quando as lojas vão poder segurar os empregos temporários gerados para para atender a demanda de fim de ano.
O presidente Gaitano Antonnacio disse que as vendas estão setorizadas. De um lado focadas no segmento de livrarias e papelarias, o que é natural para o período; do outro nas lojas que vendem artigos carnavalescos, já que a festa do Momo acontece na primeira quinzena de fevereiro. “Nos demais setores do comércio, as vendas estão travadas, principalmente em eletroeletrônicos e eletrodomésticos”, apontou.
O dirigente chama a atenção para o segmento de entretenimento e diversão, principalmente nos shopping centers da cidade, envolvendo cinemas, centro de diversões eletrônicas, bate papo em lanchonetes e outros que estão em alta no período. Antonnacio aponta que o turismo regional cresce neste período das férias, quando uma gama de pessoas do interior amazonense vem para Manaus, o que ajuda a incrementar a economia da cidade.
No entanto, o presidente da ACA lamenta que as autoridades ainda não tenham se dado conta desse filão, o que poderia criar maior facilidade de acesso entre a capital e o interior. “O governo poderia incentivar as empresas de aviação regional a reduzirem o valor das passagens”, enfatizou.
O dirigente ressaltou ainda a necessidade de investir em mais lanchas para fazer a travessia de Manaus para Careiro-Castanho e Careiro da Várzea e vice-versa, cujo trânsito é intenso diariamente. “Isso mostra que o interior está chegando em Manaus com força”, concluiu.

Férias contribuem para esvaziar lojas da cidade

Vale destacar a visão dos proprietários de livrarias e papelarias de que o acesso da população de baixa renda ao crédito e o incentivo do governo federal à educação têm contribuído para estimular o crescimento da demanda nesses segmentos, que crescem mais neste período do ano.
Por outro lado, o empresário lembrou que como o turismo receptivo ainda não emplacou no Estado, muitas pessoas saem da capital amazonense – o que aconteceu neste janeiro – para outras regiões do país, principalmente o Nordeste, e até para o exterior, decorrente do dólar ter iniciado o ano em baixa. “Quando há crise, as pessoas ficam na cidade e acabam comprando, quando ocorre o contrário elas viajam, o que afeta o comércio varejista que vende menos”, explicou.
A Copa do Mundo, que acontece em junho, gera uma expectativa de vendas grande, mas nem todos os segmentos comerciais gozam desse privilégio. Na opinião de Belmiro, os maiores beneficiados serão o segmento de TVs de LCD (display de cristal líquido) e de plasma – por conta do apelo televisivo -, e o de material esportivo, principalmente camisas da seleção brasileira. “Em Manaus temos perto de 200 lojas que atuam com produtos voltados para o esporte”, assegurou.

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