Varejistas ainda tem esperança para vendas no Dia das Mães

Segunda data mais forte do varejo, o Dia das Mães está com suas apostas comprometidas pela crise da Covid-19. O setor afastou, pelo menos no curto prazo, o risco de um lockdown. Mas, ainda pairam incertezas e inseguranças decorrentes do avanço local da pandemia, em tempos de lojas com as portas fechadas, demanda depreciada e desemprego em massa.

Levantamento da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) aponta que o desarranjo econômico gerado pelo avanço do coronavírus deve gerar uma queda histórica de 59,2% no volume de vendas do comércio no Dia das Mães de 2020, em todo o país. Fontes ouvidas nos dias anteriores pelo Jornal do Commercio eram menos pessimistas, ao  apontar que o setor deveria encolher entre 30% e 50% na data.

Pesquisa da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) em todas as capitais do país revela que 68% dos brasileiros pretendem presentear na data. O número é o menor dos últimos três anos, 2017 (73%), 2018 (74%) e 2019 (78%), como reflexo da crise do Covid-19. As entidades não divulgaram números referentes ao Amazonas.

Na sondagem da CNC, segmentos tradicionais de bens semiduráveis, como vestuário e calçados, são justamente os que apresentam a maior expectativa de retração durante o Dia das Mães (-74,6%). Em seguida, vêm as lojas especializadas na venda de móveis e eletrodomésticos (-66,8%) e de artigos de informática e comunicação (-62,5%).

Já o levantamento da CNDL/SPC aponta que, dadas as regras de isolamento e de fechamento do comércio em boa parte do país, 53% dos consumidores afirmaram que vão comprar pela internet e 47% dos entrevistados informaram que fariam isso logo na primeira semana de maio. Na análise da entidade, o novo cenário desenhado pela pandemia impõe a necessidade de os comerciantes buscarem estratégias para aumentar sua presença online, por redes sociais e Whatsapp, para alavancar as vendas. Especialmente para os empresários com menos recursos à mão.

“Presentes simbólicos”

No entendimento do presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ataliba David Antônio Filho, a crise gerada pela pandemia vai levar o Dia das Mães a ser bem mais fraco do que o de anos anteriores, com o predomínio de “presentes singelos” e de maior valor simbólico para a data, como flores e cartões, no lugar de bens duráveis e semiduráveis – de maior valor agregado.

“Faltam poucos dias e não vislumbro muitas expectativas para o setor. O poder aquisitivo e o consumidor tem que eleger prioridades. Os segmentos de e-commerce, que estavam no nascedouro, foram trazidos para o protagonismo e devem ter maior papel no ‘novo normal’ do pós-pandemia, mas ainda é cedo para isso. Talvez, quando flexibilizarem o funcionamento do comércio, e a assim que a crise der uma amenizada, o consumidor dê uma compensada. Possivelmente na ‘Semana do Brasil’ ou no Dia das Crianças”, ponderou. 

Intenção e capacidade

Na mesma linha, o presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado do Amazonas), Ezra Azury, diz que uma queda já era esperada, em função dos efeitos econômicos da pandemia. Mas, o dirigente salienta que os números da CNDL não são tão animadores, uma vez que intenção de compra não se materializa necessariamente em vendas para o comércio.

“Essa queda de 59% é totalmente possível. A dificuldade é que a compra se materialize, pois há muita gente desempregada, com renda reduzida, ou que ainda não conseguiu receber auxílio do governo. E o consumido que ainda tem poder aquisitivo está, de uma forma geral, pouco acostumado a comprar online. Pelo menos não haverá um lockdown tão cedo, já que a questão foi remetida ao ritmo da Justiça. Só não acredito em uma recuperação de vendas tão cedo, pois tudo dependerá da recomposição de renda do consumidor”, argumentou.

Fechamento e insegurança

Em texto distribuído pela assessoria de imprensa da entidade, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, ressaltou que a queda no Dia das Mães deve vir reforçada em relação à Páscoa (-31,6%). “O Dia das Mães ocorrerá em meio ao fechamento de segmentos importantes para a data, como vestuário, eletrodomésticos, móveis e eletroeletrônicos. Já a Páscoa tem como característica a venda de produtos típicos em segmentos essenciais, como supermercados, que permaneceram abertos”, explicou.

Também em texto divulgado por sua assessoria, o presidente da CNDL, José César da Costa, lembrou que a crise do Covid-19 impactou a renda familiar do brasileiro e trouxe insegurança e desconfiança para o consumidor. “Quase 4 milhões de trabalhadores já fizeram acordo de redução de jornada e de salários. O cenário dos próximos meses traz insegurança para a manutenção das empresas e dos postos de trabalho. As pessoas ainda vão tentar presentear as mães, mas o gasto tende a ser menor”, encerrou. 

Fonte: Marco Dassori

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