‘Vamos atrás das parcerias’

Um longo tempo separa o menino que corria pelos corredores e brincava nas salas da centenária Universidade federal do Amazonas, levado pelos pais, do adulto que estudou, se formou e se tornou, pelo voto direto da comunidade acadêmica, magnífico reitor da Ufam (Universidade Federal do Amazonas). Essas boas lembranças são citadas para mostrar que a ligação de Sylvio Puga, 47, com a Ufam vem de longe. Tem quem diga que está no sangue. Afinal, os pais dele trabalharam até se aposentar na instituição em que o filho exerce atualmente, o cargo mais alto. A mãe, por sinal, foi a primeira assistente social do Hospital Universitário Getúlio Vargas. Ele também tem uma irmã, Lúcia que é professora da UEA. Antes de se eleger ele já tinha tentado duas vezes. Pela sua liderança e pelo grande conhecimento intelectual que sempre demonstrou e o seu transitar pela Política partidária, Sylvio Puga foi convidado vrias vezes para assumir cargos no Executivo ou mesmo tentar um mandato no Legislativo. No entanto, a vontade maior de ser reitor, o fez declinar dos convites e a focar cada vez mais no sonho, de um dia ser o reitor da instituição que ele aprendeu, desde cedo a amar. Ele é o décimo terceiro reitor da Ufam.

Jornal do Commercio – Magnífico, por que o senhor insistiu, mesmo depois de uma derrota, em querer ser reitor da Ufam?. Era um sonho?

Sylvio Puga – Cada eleição correspondeu a um momento. A primeira foi uma chamada coletiva. Na verdade, sempre houve uma chamada coletiva. Sempre houve um chamamento da comunidade. Alunos, professores e técnicos. Eu sempre me coloquei à disposição no processo. Nunca foi um processo pessoal, de vaidade. Na primeira vez, em 2009, tivemos 22% dos votos. Depois em 2013, ouvimos novamente esse chamamento e fomos para disputa, e já tivemos 40% dos votos. Na terceira vez eu entendi que foi até algo natural, eu sair candidato, pois já víamos um crescimento de nossa proposta perante a comunidade. Ganhamos apertado, o que valorizou ainda mais a conquista.

JC – Qual foi a estratégia usada para vencer, já que o senhor enfrentava o grupo que estava na direção da Ufam?
Puga – Na verdade, é assim. Eu trouxe uma proposta de mudança. Essa foi a minha maior bandeira. Mudanças em várias frentes. E esse sentimento foi entendido e aceito pela comunidade.

JC – Como o senhor encontrou a Universidade?

Puga- Temos que entender assim. Tem questões estruturais, questões gerais e tem questões internas. Do ponto de vista mais geral, o Brasil atravessa uma crise econômica com reflexos em todas as universidades federais e aqui não é diferente. Do ponto de vista interno, como todas as outras tem problemas, mas temos trabalhado continuamente, com hora somente para entrar, e sem hora para encerrar o expediente, com o objetivo de sanar essas dificuldades. O esforço é de toda a minha equipe.

JC – Magnífico, como o senhor pretende resolver o problema da segurança no Campus e da pista esburacada?
Puga – A questão da segurança, nós estamos trabalhando um acordo de cooperação com a Polícia Militar para ampliar a segurança interna. Atualmente, nós temos a nossa segurança própria, com os guardas concursados, temos a segurança patrimonial que é terceirizada, mas, nós queremos ampliar a segurança interna para que as pessoas, visitantes, trabalhadores e alunos não tenham seus carros roubados e principalmente a integridade física ameaçada. A estrada sofreu uma ação de manutenção no ano passado eu já assinei um contrato para uma ação nos próximos dias. Essa manutenção tem que ser algo permanente, pois o fluxo é intenso, além de sofrer com as intempéries do clima de nossa região. Pretendemos fazer um recapeamento total, afinal, esse asfalto já está com mais ou menos treze anos.

JC – E o HUGV? O senhor está satisfeito? Como ele vem ajudando a população?

Puga – Nós estamos trabalhando no Getúlio Vargas para realizar a gestão plena. Uma gestão plena é implementar um sistema de gestão onde todos os processos sejam resolvidos diretamente entre o HUGV e a EBSEH (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares), com quem assinamos um contrato em 2015. Hoje, algumas questões ainda passam aqui pela reitoria. Estamos muito próximos de que a gestão administrativa seja entre o hospital e a empresa.Em breve vamos sentar com a direção da EBSEH e resolver isso. Até porque o HUGV é um hospital de referência para alta e média complexidade para a cidade de Manaus. Temos acompanhado por relatórios, a satisfação de quem procura o hospital. As equipes que atendem nas mais diversas especialidades são formadas por nossos médicos e professores com muita experiência no que fazem. Essa parte de saúde é comandada com muita competência pelo nosso vice-reitor Jacob Cohen. E junto com ele e toda equipe nós temos a grata satisfação de anunciar que as obras da segunda torre do HUGV está em pleno vapor e que até dezembro estaremos entregando para a sociedade uma parte dessa obra. Será um atendimento na área de nefrologia. Essa é uma prioridade nossa. Ele deverá ter uns 200 leitos.

JC – É possível se pensar em transplantes no HUGV?

Sylvio Puga – Com certeza. Não só nessa área, mas em diversas outras especialidades.

JC – E a fábrica de remédios que a universidade chegou até a inaugurar?

Sylvio Puga – Quando esse prédio foi inaugurado a tecnologia já não atendia as demandas daquele processo. Por isso, estamos fazendo adequações para, quem sabe ,uma parceria público-privada venha a ser feita, daremos a destinação correta ao espaço daquela construção.

JC – Extensão, Ensino e Pesquisa como está esse tripé?

Puga – No âmbito da graduação tem uma notícia “quentinha”. Nós concorremos aos editais do Pibid (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação a Docência) e fomos contemplados com 984 bolsas para nossas licenciaturas e para a residência pedagógica conseguimos 720 bolsas. Isso é inédito no Brasil. Esse é um trabalho técnico que fazemos ao MEC, mostrando nossas necessidades. Por isso, estou constantemente, em Brasília, sempre com relatórios técnicos. Que bom que estamos sendo ouvidos pelos ministérios e pelas agências de fomento. Eu acredito no diálogo para mostrar um pouco da nossa universidade. Afinal nós temos quase 70 universidades no Brasil e temos que nos fazer ouvir. Temos conseguido.Na pós-graduação estamos trabalhando para oferecer novos cursos. Na extensão, estamos realizando, quinzenalmente, um fórum onde se debate questões importantes para toda a sociedade, além da iniciativa de termos um campus em São Gabriel da Cachoeira, entre outras atividades.

JC – Como fazer para derrubar o muro que sempre separou, parte do conhecimento científico, da maioria da população, principalmente do interior?

Sylvio Puga – Eu sempre digo que precisamos transformar a linguagem usada nas nossas teses e dissertações em linguagem popular. Esse é um dos primeiros passos a ser dado.O Objetivo é para que qualquer pessoa da sociedade possa ler e entender. Em primeira mão, posso dizer ao JC que a nossa assessoria de comunicação vai se transformar em agência de comunicação. E a agência vai ter a missão de divulgar o que fazemos para toda a sociedade. As teses e dissertações defendidas, devem ser, semanalmente divulgadas para a população em geral.

JC – Como a Academia enxerga as próximas eleições?

Puga – A nossa posição é a de atender a todos que nos procurarem. Estamos de braços abertos. Posso citar como exemplo, até porque foi um fato público, tivemos um debate científico com a candidata do PCdoB, Manuela. E assim faremos com todos que nos procurarem.

JC – Qual a mensagem final à comunidade acadêmica?

Puga – Queremos deixar claro que estamos trabalhando muito para resolvermos as nossas demandas. Nosso orçamento é de R$ 650 milhões. Temos que trabalhar com essa realidade, por isso vamos atrás das parcerias. Essa é palavra chave de nossa gestão.

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