Valores cobrados pelos serviços pressionam aumento da inflação

Aumento de renda do consumidor, aliado à falta de competição do setor, fez com que este puxasse o IPCA para cima em 2011

Os aumentos nos preços dos serviços de hotelaria e aluguel, neste primeiro semestre de 2011, são alguns dos exemplos de valores cobrados no setor que estão inflacionando o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). O setor gerou um crescimento de 1,28% na variação de 3,87% do índice cheio, contra o índice de 1,06% registrado em 2010, quando até chegou a impulsionar a inflação, nem tanto quanto o que vem ocorrendo neste ano. Os serviços correspondem a 33% dos 3,87% da inflação acumulada no primeiro semestre deste ano.
Serviços considerados essenciais ou inevitáveis para o cotidiano do brasileiro estão apresentando alta em virtude da natureza da competitividade, além da aceitação do preço pago por parte do consumidor. Isto é, se há renda, o consumidor não se importa em pagar o valor solicitado pelo ofertante. Também está entre as características que ajudam a elevar o preço dos serviços a preferência do consumidor, que muitas vezes tende a procurar o mesmo fornecedor em virtude da qualidade do serviço prestado.

Competição e negociação

Para o economista Francisco Assis Mourão, a equação “serviço+ preço= inflação” é natural. “O que ocorre em teoria econômica é muito claro. Os setores concorrenciais apresentam preços mais contidos por conta da competitividade. Os setores que padecem da falta de competitividade apresentam características monopolísticas deixando o consumidor à mercê das vontades dos ofertantes ”.
Para o especialista trata-se de uma questão de falta de negociação do cliente com o fornecedor. “Se a manicure cobra caro você tema a opção de negociar com ela, pagar o preço pedido ou procurar outra manicure”, disse.
A evidência de que existe uma falta de competitividade nos setores é a elevação desses. “Agora, o consumidor paga porque tem renda e se paga é porque aceita o preço apresentado”, explicou o economista.

Reajuste médio de 7% para escolas particulares

Quanto às escolas particulares, existe uma especificidade em relação aos demais segmentos de serviços prestados ao consumidor. O reajuste é apenas anual, como informa o vice-presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Amazonas, Paulo Sérgio Ribeiro.
“O que existe é uma planilha de custos elaborada pela escola, no final do ano, que leva em conta reajuste de pagamento dos professores, melhorias na proposta pedagógica da escola, ampliação da estrutura física e vários outros aspectos. E, mais ou menos em outubro, a escola divulga os preços para o ano seguinte. Nesse período, claro que há um impacto no índice inflacionário, mas não há limites nem mínimo e nem máximo. Neste ano, o índice foi de 7%, em média, seguido ou não pelas escolas de acordo com as suas especificidades”, explicou.

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