O bem-humorado sueco Hans Rosling, do Karolinska Institute (uma das maiores universidades médicas da Europa), é professor especializado em saúde global que oferece uma visão peculiar das estatísticas socioeconômicas. Transformando números em gráficos animados, ele consegue provar que historicamente as nações em desenvolvimento estão obtendo resultados tão bons e até mais rapidamente do que os países ricos –mais na área social, do que na econômica, é verdade. Por exemplo: mostra que o atual PIB das Filipinas é igual ao dos Estados Unidos em 1915, durante a 1ª Guerra Mundial. Entretanto, os norte-americanos só atingiram a atual taxa de mortalidade infantil filipina em 1957– o que, para ele, prova que os países emergentes não estão tão atrasados como pensa a maioria.
Qual seria o preço de uma aula de quinze minutos com tal professor que, no mínimo, é um instigador de polêmicas? E quanto não pesaria em um processo de seleção para estágio ou mesmo emprego a inclusão de tal participação no currículo? A resposta é “nada” para a primeira pergunta e “muito” para a segunda. A palestra de Rosling está disponível para ser baixada no formato MP4, no site www.ted.com, junto com 170 palestras de outros especialistas, que também podem ser vistas on-line. O arquivo é compatível com o iPod e congêneres. Por que não trocar os clips que ocupam a memória destes aparelhos por uma palestra? O único e eventual obstáculo é o idioma, mas está aí uma ótima oportunidade para começar a afiar o ouvido para o inglês tão solicitado em entrevistas.
O ponto é: toda preparação para o jovem se lançar ao mercado de trabalho deve ser bem aproveitada, mesmo as poucos usuais. O que a princípio não parece decisivo para os processos de seleção, passa a ser vital para a permanência e ascensão profissional do jovem admitido na empresa. As habilidades técnicas são importantes, mas uma bagagem cultural atualizada, a sintonia com realidade do mundo e uma personalidade cativante podem contar alguns preciosos pontos para a tão sonhada contratação e/ou efetivação. Para atualizar e ampliar a popularmente chamada “cultura geral”, vale tudo e isso nem sempre pesa no bolso geralmente desfalcado dos estudantes. De jornais que são distribuídos gratuitamente nas ruas ou nas estações de metrô ao bom e velho rádio sintonizado em programas jornalísticos que já abandonaram o tom sisudo, graças a âncoras experientes e bem-humorados como Heródoto Barbeiro, da CBN, ou Ricardo Boechat, da BandNews FM.
No mais, uma boa sugestão é esquadrinhar a internet, buscando enriquecer o currículo com informações e cursos gratuitos de educação a distância, como os oferecidos no site do Ciee. São quase vinte cursos com temas que dão dicas sobre como desenvolver criatividade e espírito empreendedor, sobre os comportamentos e posturas corporativos mais adequados para quem está dando os passos iniciais na carreira, sobre como se expressar, oralmente e por escrito, de forma clara, objetiva e coe­rente –hoje uma habilidade que vem ­ganhando peso na avaliação do desempenho dos estagiários e dos profissionais (aliás, a defi­ciência nesse campo é bem conhecida, bastando lembrar os vergonhosos índices obtidos nas avaliações do ensino de português). Isso, além dos cursos de introdução a todo o pacote Office da Microsoft (Word, Excel, Powerpoint, etc.)– outro requisito indispensável a qualquer currículo.
Como Rosling faz questão apontar em suas palestras, as informações estão dispersas, sim, porém acessíveis a quem souber procurá-las. O cruzamento delas é que provoca a mudança de visão da pessoa sobre o mundo. E vice-versa, arriscamos nós.

Luiz Gonzaga Bertelli é presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola – CIEE, da Academia Paulista de História – APH e diretor da Fiesp.

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